4 Amice

1080 Words
Algumas vezes, você não sabe o que fazer e nem como pode começar a tentar. Você se pega tentando evoluir, mas por mais que esteja fazendo a coisa certa, não sente que está fazendo certo. Acho que já fiz um drama completamente exagerado com essa história, mas não consigo não pensar nisso. Eu saí de um castelo onde eu tinha tudo, e agora eu fico dentro de uma caverna escondida dos soldados do meu pai. Dormia nos melhores tecidos, e agora durmo em cima de um pano no chão duro. Todas as vezes que esses pensamentos me percorrem, gosto de olhar para Drake. O vejo dormindo e suspirando, tão calmamente que me traz calma também. Pisco os olhos algumas vezes tentando afastar o sono para longe, mas chega um momento que chega a ser impossível. — Drake. — O chamo suavemente para que ele não acorde assustado, e também o balanço levemente para que ele acorde. Não julgo que tenha sono pesado, já estamos há um tempo assim, dormindo nessa caverna. — Drake, acorde. — Já estou acordado. — Diz ele se virando e pondo os braços acima da cabeça enquanto esfrega os olhos. Observo seu tronco por uns instantes e fico perdida alí. Seus braços fortes, e o seu tronco bem maiores que os meus, que podem me envolver facilmente. — Estou com muito sono, preciso dormir um pouco, tudo bem? — Claro, Amice. Durma. — Ele abre a boca enquanto se espreguiça jogando o sono para longe. Me acomodo no chão, viro para o lado e acredito que não demorou muito para que eu estivesse dormindo. Por mais que eu durma bem, sempre acordo cansada. É como se dormir agora, não adiantasse. Talvez eu tenha sim me arrependido, mas acho que tenho motivos. Por exemplo, se nos pegarem, eu apenas serei levada de volta ao castelo e levarei broncas com castigos e serei m*l vista no reino inteiro. Mas e quanto a Drake, se nos encontrarem irão enforcá-lo. Percebo o quanto isso é perigoso, não para mim mas para o meu amor. — Amice. — Quanto a Drake, ele não me chama tão suavemente assim. Está me chacoalhando não brutamente, mas também nada suave. — Acordei, Drake. Pronto! — Ironizei levantando meu corpo do chão e erguendo os braços para cima. — Precisamos ir. — Drake afirma tão naturalmente, mesmo que tenha dado a idéia do nada. — Ir? Para onde? — O questiono confusa como se não fizesse o menor sentido. — Os soldados estão se aproximando, Amice. Vi as tochas acesas, estão longe ainda, então temos tempo para escapar. — Vamos escapar no meio da noite? Não é perigoso, Drake? — O encaro. Você me confirmou que íamos estar em segurança, Drake. — Temos que correr o risco, Amice. Mas vai ficar tudo bem, confie em mim. Então Drake rasgou alguns tecidos e envolveu em pedaços de madeira. — Não seria perigoso acendermos uma tocha enquanto fugimos? Eles não veriam a tocha acesa de longe? — Apontei. — Não acenderemos, é só para quando estivermos seguros e podendo acender. Drake me ajudou a colocar as coisas dentro da bolsa, arrumamos tudo e ajeitamos no cavalo. Ele foi lá fora conferir se haviam soldados por perto, e se ainda estavam longe como a instantes atrás. Saímos de dentro da caverna e então Drake me ajudou a subir no cavalo. Envolvi meus braços em volta do seu corpo, e então fiquei quietinha observando em volta enquanto ele guiava o cavalo. Drake não pediu, mas eu estava em alerta. Estava olhando em volta e totalmente concentrada em caso algum soldado apareça, porque eu temia por ele. É nesses momentos que percebo o quanto o amo, porque eu temo até mesmo quando não há perigo. Estávamos indo por uma estrada que eu nunca havia visto antes, era uma estrada cheia de plantas verdes e outras coisas plantadas, não conheço bem mas tenho certeza de que isso se trata de um campo. Drake continuou, olho para trás e não vejo sinais de soldados. Olho também para o céu, o dia está clareando tão rápido que não consigo acompanhar, mas pela claridade deve ser ainda umas 5:30 da manhã. — Você conhece esse caminho, Drake? — Questionei elevando um pouco o tom de voz para que ele pudesse ouvir. — Confie em mim, Amice. Estamos seguros. — Ele disse. Encaro o caminho e vejo que realmente estamos nos aproximando de um campo, cheio de crianças plantando flores e adultos trabalhando em colheitas. Mulheres andando de um lado para outro com bacias com roupas na cabeça, e também algumas com ingredientes nas mãos. Vejo então que são famílias, aqui moram famílias tradicionais. Em volta estão casas, são casas muito bonitas mas humildes. Porém, lugares assim não me assustam, lugares assim na verdade me trazem paz. Sinto como essas pessoas passam uma energia boa, como seus rostos estão sempre com expressões de bem estar, pessoas que estão sempre de bem com a vida. Gosto dessa energia que passam, e esse lugar me traz paz. Eu vejo pais ensinando os filhos a plantar e cuidar de flores, vejo como eles tem paciência e como estão dispostos. Vejo também menininhas sorrindo e regando flores, e por um momento meu coração dói. Meu pai nunca nem sequer conversou comigo por mais de 1 hora, e muito menos sobre mim mas sim, sempre sobre coisas do reino ou em como eu deveria agir com tal situação. Será que a riqueza faz das pessoas, pessoas arrogantes? Porque vejo em volta pessoas pobres, em seus dias comuns. Fazendo coisas comuns, e tudo o que consigo pensar é em como a minha vida inteira eu tive tudo, mas ao mesmo tempo não tive nada. Acho que nunca tive momentos assim com a minha família. — Amice, pode descer. — Drake pediu. Mas eu estava paralisada, não entendo o porquê, mas eu estava. — Vamos ficar aqui? — Questionei neutra. — Tudo bem para você? Sei que pode parecer... Ficamos um bom tempo em cavernas, aqui é melhor que... — Não estou reclamando, Drake. — Ri pelo nariz o interrompendo. — Por mim tudo bem, está tudo bem. Sério, só queria saber se poderíamos ficar aqui definitivamente. — É isso o que eu também queria saber, precisamos ir descobrir. — Drake disse como se estivesse conversando com si mesmo, suspirando no final. — Se os soldados aparecerem aqui por perto, teremos que procurar por outro lugar. — Eu sei. — Suspirei fundo.
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