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tinha que ser você? ( 1°livro da série os coopers)

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INTRODUÇÃO

​Havia um tempo em que Linda acreditava que a vida era um conto de fadas previsível, onde o amor era doce e a família, um porto seguro. Ela estava errada. Aos vinte e poucos anos, o destino lhe deu um chute, a expulsou de casa grávida e a obrigou a construir um mundo novo, tijolo por tijolo, para si e sua filha, Luz.

​Três anos de silêncio, três anos de cicatrizes que se tornaram sua armadura. Ela pensava ter superado o passado, até o dia em que ele ressurgiu, invadindo sua vida novamente com a mesma intensidade de um furacão: Igor.

​Igor Cooper, o homem que ela amou e perdeu, o homem que não soube de sua gravidez e que agora, por uma ironia c***l do destino, estava mais próximo do que nunca. Para ele, Linda era uma ferida aberta, a mulher que o abandonou e levou consigo um pedaço de sua alma. Para ela, Igor era a lembrança dolorosa de um amor quebrado e o pai que Luz nunca conheceu.

​Neste reencontro explosivo, não há espaço para meias-verdades. Entre mágoas antigas, segredos guardados e uma atração que o tempo não conseguiu apagar, Linda e Igor terão que confrontar o passado que os separou e o futuro incerto que insiste em uni-los. Será que as muralhas que Linda construiu são fortes o suficiente para resistir à verdade, ou o amor proibido de ontem pode, finalmente, ser a salvação de hoje?

​Prepare-se para uma história onde a vida real se impõe ao conto de fadas. O amor pode ser lindo, mas o preço de um recomeço pode ser mais alto do que eles imaginam.

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1
Linda Tinha que ser você... Tinha que ser hoje. Por que tinha que ser justo hoje? A pergunta martelava na minha cabeça enquanto eu apertava o volante com tanta força que meus nós dos dedos estavam brancos. Nesse momento?! De todas as manhãs, de todas as segundas-feiras do ano, tinha que ser essa. Não podia ser amanhã? Ou na semana que vem? Qualquer outro dia, qualquer outra hora... Menos hoje. Menos com ele. Mas, para o meu azar, como se já não bastasse, tinha que acontecer. Hoje eu acordei, levantei e fui direto para o banho. A água quente escorria pelo meu corpo, mas parecia não lavar a angústia que me apertava o peito. Tentei respirar fundo, soltando o ar lentamente, imaginando que com ele ia embora todo o medo, toda a insegurança. "Você consegue, Linda. Você é forte", eu repetia para mim mesma, quase como um mantra silencioso, enquanto a espuma da minha saboneteira preferida parecia flutuar como nuvens no vapor do box. Preciso me recompor. Preciso ser forte. Vesti minha saia lápis preta, que marcava minhas curvas, e uma blusa branca de seda, tentando manter uma aparência profissional, mesmo com o nervosismo me corroendo por dentro. Ele não pode me ver abalada. Não de novo. Desci para a cozinha, a luz do sol tímida espreitando pela janela, mas meu apetite estava escondido em algum lugar que a ansiedade não alcançava. Peguei a caneca, o cheiro forte do café recém-passado até me deu um leve enjoo. Tomei um gole rápido, o líquido amargo descendo pela garganta sem que eu sentisse qualquer sabor. Parecia palha. Preciso de cafeína, pensei, mas mais do que isso, preciso de qualquer coisa que me mantenha sã, que me mantenha ancorada enquanto o mundo parece girar desgovernado ao meu redor. Antes de sair, corri ao quarto... Parei na porta, observando a figura adormecida sob os lençóis. Meu coração apertou. Luz. Meu anjo. Minha vida. Os cachinhos espalhados no travesseiro, o respirar suave... Queria tanto ficar ali, protegendo-a do mundo, protegendo-a... dele. Como vou conseguir fazer isso sabendo que ele está tão perto? Uma lágrima teimosa ameaçou escorrer, mas a contive. Não podia chorar. Não agora. Por ela, eu faria qualquer coisa. Enfrentaria qualquer demônio. Abri a porta e já vi Josh, com seu olhar preocupado, que eu conhecia tão bem. Ele sempre se preocupa, e eu o amava por isso. - Me deseje boa sorte - falei, tentando disfarçar a tensão na voz, forçando um sorriso que m*l alcançava meus olhos. Preciso parecer confiante para ele, preciso que ele acredite que vai ficar tudo bem. - Vai dar tudo certo, tenho certeza - respondeu, me abraçando forte. O calor do seu abraço me envolveu, me confortou por um instante precioso. Queria poder ficar ali para sempre. Em seus braços, longe de tudo, longe do que eu sabia que me esperava. - Bom, vou ficar por aqui - disse Josh, entrando no apartamento, e eu o observei por um momento, a gratidão me inundando. Entrei no meu carro, a chave tremendo levemente em minhas mãos. Controle-se, Linda. Você consegue. O caminho até a empresa pareceu uma eternidade, cada semáforo vermelho era uma tortura, um convite para que eu desistisse. Olhava para as pessoas nas ruas, cada uma imersa em suas próprias vidas, sem ideia do turbilhão que eu carregava. É só um emprego. É só uma entrevista. É só... uma nova oportunidade. Repetia para mim mesma, mas a palavra "oportunidade" parecia ter um gosto amargo. Anteriormente, eu trabalhava perto de casa, em lugares que não chamavam muita atenção, preferia ficar escondida do mundo e do passado. Mas agora as coisas mudaram. Eu precisava de algo melhor. Por ela. Por nós. Por um futuro que eu ainda nem sabia se teríamos. Cheguei no estacionamento, estacionei o carro e subi para a recepção da empresa. O salto batia ritmicamente no chão de mármore polido, um som agudo e insistente que ecoava pelo saguão silencioso, quase zombando da minha aparente calma. "Bom dia, meu nome é Linda Duarte, vim para a nova vaga que abriu na empresa", disse para a recepcionista, que estava com os olhos grudados ao computador, mascando um chiclete com a boca escancarada. O som estalado era irritante, quase ofensivo. O cheiro adocicado do chiclete, artificial e enjoativo, embrulhou meu estômago já revirado. Que profissionalismo!, pensei, sentindo uma pontada de desprezo. - Último andar - respondeu ela, sem nem mesmo me olhar, os dedos dançando no teclado. Nem um bom dia de volta. Ótimo presságio, murmurei ironicamente para mim mesma. Andei até o elevador e apertei o botão para o 20º andar. A subida foi lenta e torturante, cada metro parecendo um ano. Vinte andares me separando do meu passado... ou será que me aproximando dele? A porta espelhada refletia minha imagem, pálida, com os olhos fixos e uma expressão que eu m*l reconhecia. Lembranças fragmentadas de quatro anos atrás flutuavam na minha mente, como fantasmas que se recusavam a desaparecer. Eu tinha que ser forte. Eu tinha que manter a compostura. Por ela. Quando cheguei no local, uma moça se levantou e veio até mim com um sorriso profissional, porém seus olhos me analisavam de cima a baixo. Será que ela consegue ver o meu nervosismo? - Você deve ser a senhorita Duarte. Prazer. Só irei avisá-lo que você está aqui e já volto - disse ela, entrando em uma sala e saindo poucos minutos depois. - Pode entrar - respondeu a mesma. Bati na porta e escutei um "Entre" abafado que fez meu estômago revirar. Assim que adentrei a sala, meu mundo parou. Não pode ser... Não... Ele não.... A respiração ficou presa na garganta. E lá estava ele. Aquele cafajeste. Igor Cooper. Sentado na sua cadeira de couro, com a postura impecável e aquele olhar indiferente, como se não tivesse feito absolutamente nada. O perfume amadeirado, inconfundível, que exalava dele me atingiu em cheio, derrubando todas as barreiras que eu tinha construído ao longo dos anos, trazendo à tona memórias que eu tanto me esforçava para esquecer. Memórias de risadas, de promessas, de... dor. Como ele podia estar tão... igual? E... por que ele está aqui? O mais engraçado, e ao mesmo tempo revoltante, é que esse cabeça oca é o dono da empresa. O DONO? A ironia me atingiu como um soco no estômago. Nunca imaginei que ele chegaria tão longe, que se tornaria algo tão... grandioso. Faz quatro anos que não o vejo. Quatro anos... Quatro anos de silêncio, de distância. Quatro anos em que eu lutei para reconstruir minha vida, peça por peça, longe de tudo que ele representava, por causa de certas escolhas... escolhas dele. E agora, ele estava ali, na minha frente, como um fantasma do passado que eu não conseguia exorcizar. - Como vai, senhorita Duarte? - Assim que ele falou, me recompus, mesmo com o choque me paralisando por dentro. A voz grave e rouca dele fez um arrepio percorrer meu corpo, o mesmo arrepio de antigamente, que me causava um misto de desejo e pavor. Que droga... Até a voz dele ainda me afeta. Mas agora isso tudo faz sentido, pensei, sentindo uma onda de desespero e, ao mesmo tempo, uma determinação fria. Ah, Igor, agora é diferente... ou pelo menos é o que eu quero acreditar. - Bom dia, senhor Cooper - falei, me aproximando de sua mesa, sentindo meus saltos baterem no chão, quase como se eu quisesse marcar meu território, avisar que eu não estava ali por acaso. O carpete macio abafava o som, mas eu podia sentir a vibração em meus pés, o pulsar do meu próprio nervosismo. Preciso mostrar que não sou mais a mesma garota de antes, a que ele conhecia. Mas como vou conseguir trabalhar para ele? "Bom, Sr. Cooper, eu tenho... - Não terminei de falar, pois o energúmeno já me interrompeu. Ele sempre me interrompendo, sempre me calando, e a raiva, que estava adormecida, começou a borbulhar. - Contratada! - ele disse, com uma convicção que me pegou de surpresa. O quê? Mas já? Ele nem me ouviu! Meu cérebro girava em busca de uma explicação. Como assim? Eu m*l tinha começado a falar sobre minhas qualificações, sobre o motivo de estar ali. - Bom... Obrigada pela confiança. Quando poderei começar? - perguntei, a voz um pouco avoada, ainda processando o que estava acontecendo. Eu deveria ter negado. Eu preciso negar! Mas... e ela? E as contas que precisavam ser pagas? - Amanhã mesmo - respondeu, e abriu aquele sorriso... Aquele sorriso que sempre me derretia por dentro, que me fazia esquecer de tudo. Não! Concentre-se, Linda. Lembre-se do motivo de estar aqui. Balancei a cabeça, como se espantasse moscas, e retirei tais pensamentos da minha mente, forçando-me a focar na realidade. - Bom, obrigada mais uma vez - falei, me levantando, pronta para fugir dali, quando senti algo em minha mão!? O que ele está fazendo? Por que ele está me tocando? O que ele quer?! Senti a eletricidade do seu toque, um calor que me queimava a pele e me puxava para um passado que eu me recusava a revisitar. Assim ele passa um tempo me observando, seus olhos fixos nos meus, e eu sentia que ele via além da minha fachada de profissionalismo. Preciso tirar a minha mão daqui. Ao perceber minha inquietação, ele me soltou, a expressão ilegível. - Perdão, já pode ir... - ele falou, e eu andei praticamente correndo até a porta. Preciso sair daqui. Preciso respirar. Preciso entender o que acabou de acontecer. Assim que a fechei, me encostei nela, tentando controlar minha respiração que estava descompassada, os batimentos cardíacos martelando nos meus ouvidos. O ar parecia faltar, como se o ambiente tivesse se tornado rarefeito. Eu precisava sair dali, precisava respirar, precisava entender o que acabou de acontecer. Minhas pernas me levaram até o elevador, e o trajeto de volta parecia ainda mais lento, mais agoniante. Como vou conseguir trabalhar com ele? Como vou conseguir vê-lo todos os dias? Ele é meu chefe! O destino, ou a ironia, parecia estar brincando com a minha cara. - Como vou fazer isso todo dia? - sussurrei, com a voz embargada, sentindo um nó na garganta que me impedia de gritar. Saí da empresa quase correndo, o sol lá fora me cegando por um instante, enquanto eu tentava raciocinar como, diabos, eu conseguiria trabalhar com ele, todo dia, olhando nos olhos daquele sem coração!? Preciso ser forte. Por ela. Sempre por ela. Cheguei em minha casa e, assim que abri a porta, o cheiro familiar de casa me envolveu, trazendo um alívio imediato, mas breve. Foi então que ouvi, como uma melodia doce e salvadora, uma voz me chamando: - Mamãe!

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