João Santore
Ando pelas ruas calmamente, os óculos me ajudam muito nessas horas, então nunca o dispenso enquanto estou no volante, além do mais, mamãe me mataria se eu estivesse colocando minha vida em risco, então tento o possível para que isso não aconteça, olho rapidamente no painel do carro, verificando as horas, vejo que ainda tenho duas horas para a loja abrir, então sigo para a casa dos meus pais, tenho que falar com eles sobre meu término.
Não demoro muito na estrada, menos de vinte minutos e estou passando pelos portões da enorme casa em que meus amados pai moram e aproveitam toda sua fortuna enquanto envelhecem. Estaciono o carro e logo a governanta abre a porta, eu m*l tenho decido do carro. Passo por ela com um sorriso em meu rosto.
— Bom dia querida, onde está meus pais? — Pergunto a gentil senhora, ela não aparenta ter mais de cinquenta e cinco anos, seus cabelos que um dia já foram loiros hoje mostram alguns fios esbranquiçados, seu rosto que já foi jovem hoje tem várias rugas e marcas de expressão.
— Eles estão terminando o café da manhã senhor, seu pai disse que fosse até eles.
— Obrigada, Sandra.
Tiro meu casaco, o mesmo que usei ontem e coloquei por cima das roupas que peguei emprestado de Ryder para trabalhar, a gentil senhora toma o casaco de minha mão e acena em direção a sala enorme de jantar, passo pelo corredor, a sala de visitas e logo entro no ambiente que é preenchido por conversa e algumas poucas risadas. Meu pai está sentado na cabeceira da mesa e mamãe ao seu lado, eles viram suas cabeças em minha direção e sorriem para mim. Vou até eles.
— Mamãe. — Deixo um beijo em seu rosto sentindo a pele já não tão firme como antes. Seus cabelos hoje carregam a marca do tempo, eles estão completamente brancos, seu rosto gentil não é o mesmo que me lembro de quando no começo de minha adolescência. — Te amo. — Deixo um beijo em sua testa e vou na direção de papai, o beijando no rosto também. — Oi papai, te amo. — Falo, beijando sua testa também.
— Nós também te amamos meu filho. — Papai diz, segura minha mão e me guia para que eu sente do outro lado da mesa, de frente para mãe. — Como tem estado? Comeu bem ontem?
— Estou bem papai, comi sim. — Conto uma breve mentira, já que apenas comi comida de verdade a noite, com Ryder. — Fui beber com Ryder ontem, passamos uma noite agradável.
— Fico feliz que tenha seus amigos meu filho.
— Tomou café da manhã? — Mamãe pergunta, parecendo preocupada.
— Sim mamãe, comi com Ryder antes que ele fosse trabalhar.
— Que bom meu amor.
— Temos novidades. — Papai diz parecendo feliz. Eu sorrio adorando como eles parecem alegres quando papai fala isso e pega na mãe de mamãe.
— O que aconteceu? — Pego um copo e a jarra de leite, enchendo e tomando um gole.
— Em dois dias iremos para o Brasil, já faz alguns meses desde que vimos seus irmãos e nossos netos, vamos passar um mês por lá. Apesar de todos os netos estarem ou trabalhando ou na faculdade, queremos ter um tempo a mais com eles, hoje em dia esses adolescentes m*l ligam para os avós, ou ligamos ou eles nunca falam conosco. — Sorrio.
— Não é bem assim.
— Vá pensando que não. — Papai diz.
— E ficamos sabendo que Karl e Damien estão com uns probleminhas.
— Como assim mamãe?
— Pelo que parece é Kayla.
Abro minha boca em surpresa, se for o que ela me disse quando nos falamos pela última vez, prevejo que meu irmão Damien deve estar se mordendo.
— O que tem ela? — Dou uma de desentendido.
— Não venha com fingimentos João. — Mamãe joga o guardanapo sobre a mesa. — Kayla já deve ter lhe falado tudo. — Dou de ombros, fingindo minha maior cara de inocência.
— Eu realmente não sei o que pensar sobre isso. — Minha mãe parece bem preocupada agora. E eu realmente entendo, no começo eu fiquei com um pé atrás, mas depois eu a entendi, entendi o tamanho dos seus sentimentos. Papai aperta a mãe dela com mais força, ela sorri para ele.
— Eu também não soube muito o que dizer ao seu irmão, apenas tenho certeza de que ele proibir ou cortar uma amizade de anos por não vai resolver nada. — Meu pai diz, ele parece mais inclinado a ceder primeiro.
— Ele praticamente estava lá quando ela nasceu Estevão. — A expressão no rosto de minha mãe não é das melhores agora.
— Ela o ama, o que podemos fazer?
— Impedir eles, ele só pode estar colocando coisas na cabeça inocente de nossa neta, ele já é velho, pode estar influenciando-a. — Escutar essas palavras de mamãe, a mulher que sempre teve mente aberta, sempre amou os filhos apesar de tudo e todos, mesmo quando hoje é normal ter homens que engravidem, muitos julgam, ela sempre foi a primeira a defender, mas agora estar julgando só porque o homem que a neta dela ama é muito mais velho que ela.
— Mamãe, eu sempre a admirei por ser uma mulher maravilhosa. — Ela desvia seus olhos de papai e me olha com atenção. — Kayla é maior de idade, estar entrando para o terceiro ano da faculdade, logo estará formada, ela é a melhor aluna, sempre se comportou bem, nunca deu trabalho aos pais, nem uma vez sequer. Ela sabe o que faz, eu seria totalmente contra se ela fosse de menor, mas ela já passou dessa fase a muito tempo, ela é uma mulher agora, e ficaria preocupado se eu não conhecesse o homem, mas vocês o conhecem, Damien conhece, ele foi amigo da família a anos, amigo delas a anos e nunca houve nada que comprometesse o caráter dele. Acho que está precisando pensar nisso com mais cuidado, abrir sua mente um pouco mais. — Ela suspira, abaixando a cabeça sobre as palmas das mãos aberta.
— Talvez você esteja certo.
— Sim, tanto que para ele começar a sair com ela, ele até mesmo pediu permissão e explicou tudo porque sabia que seria julgado, ela prometeu, jurou que nunca ele a tocou nela, ela que o beijou quando se declarou, e depois disso ele fugiu dela por semanas, porque achava que aquilo era errado, que amar ela era errada. Os dois são adultos, então não, não é errado, é apenas duas pessoas adultas que se gostam.
— Pelo visto ela conversou bastante com você. — Ela sorrir, voltando a levantar a cabeça.
— É, ela me disse algumas coisas enquanto chorava dizendo que o pai nunca iria aceitar. Ela está sofrendo porque sabe que ele nunca terá nada com ela caso os pais assim queiram. Acho que isso diz muito sobre o caráter dele.
Mamãe acena, ela olha para papai.
— Vamos conversar com Damien e Karl quando chegarmos lá, depois irei conversar com minha neta e finalmente com esse homem, iremos resolver isso em família, como deve ser.
— Entendo.
— Vai vir com a gente, meu filho? — o senhor Estevão pergunta. Penso um pouco, não quero deixar a loja sozinha, e por incrível que pareço depois de ontem tenho tido algumas ideias para novas fragrâncias, isso tomara meu tempo.
— Não, tenho algumas novas ideias que preciso pôr em prática.
— É bom trabalhar, mas não deixe que isso consuma sua vida, te coloquei a frente da loja e dos laboratórios porque sei de sua paixão e competência, mas não para que se acabe de tanto trabalhar, meu querido. — Ane lise tem um sorriso carinhoso em seus lábios.
— Eu sei mamãe. — Lhe mando um beijo. — Ah, quase que eu esqueço de comentar. Eu finalmente terminei com Edgar, dessa vez é para valer.
Meus pais se entreolham.
— Você está bem com isso meu filho? — Mamãe é a primeira a falar.
— Estou, estou melhor do que imaginei que estaria.
— Por isso foi beber comigo amigo ontem? — Olho para meu pai e respondo sua pergunta.
— Sim, e para brindar de pôr fim estar livre dele, depois de muito tempo eu realmente o deixei, não sentia nada por ele fazia um tempo, sentia dependência, uma dependência doentia, que estou começando a curar.
— Isso bom meu amor, sabe que pode contar com seus pais para tudo, não sabe?
— Sim, eu sei, agradeço muito por isso, por ter vocês em minha vida, vocês me salvaram de tantas formas.
Eu seus rostos têm sorrisos carinhosos e cheio de amor, eu realmente sou sortudo por ter pessoas maravilhosas ao meu lado.
— Quer que a gente fique aqui por mais alguns dias? Podemos viajar depois de algumas semanas.
— Não mãe, tudo bem, eu vou ficar bem, tenho meus amigos e logo vou começar a ter novamente terapia. Acho que preciso disso, então viajem sem preocupações.
Papai aperta minha mão.
Minutos depois eu me despeço deles e entro em meu carro, saindo pelos portões entro nas ruas movimentadas novamente, dessa vez resolvo ligar o som, começa a tocar, Me deixa ir de Jão.
Tua boca na minha, a minha desgraça
Teu peito no meu só bate a arregaça
Eu quero você e você disfarça
Com essa cara de quem vai me destruir
Cidade pequena, a gente se esbarra
Cê passa sorrindo em frente de casa
Te digo te amo e você disfarça
Com essa cara de quem vai me destruir
Você não ama ninguém
Nem me deixa ir além
Eu tenho medo de te perguntar
O que a gente é
Você abala minha fé
Você não ama ninguém
Nem me deixa ir além
Então vivo, e se me deixa ir
Eu continuo aqui
Cê vai me destruir
Me deixa ir, me deixa ir, me deixa ir
Cê vai me destruir
Me deixa ir, me deixa ir, me deixa
Cê vai me destruir
Cidade pequena, a gente se esbarra
Cê passa sorrindo em frente de casa
Te digo te amo e você disfarça
Com essa cara de quem vai me destruir
Você não ama ninguém
Nem me deixa ir além
Eu tenho medo de te perguntar
O que a gente é
Você abala minha fé
Você não ama ninguém
Nem me deixa ir além
Então vivo, e se me deixa ir
Eu continuo aqui
Cê vai me destruir
Me deixa ir, me deixa ir, me deixa ir
Me deixa ir
Cê vai me destruir
Você não ama ninguém
Nem me deixa ir além
Eu tenho medo de te perguntar
O que a gente é
Você abala minha fé
Você não ama ninguém
Nem me deixa ir além
Então vivo, e se me deixa ir
Eu continuo aqui
Cê vai me destruir
Me deixa ir, me deixa ir, me deixa
Me deixa ir
Cê vai me destruir
A música termina e tenho um sorriso leve em meu rosto, ele não me deixou ir, eu mesmo abrir e caminho e partir, sem olhar para trás.
Estaciono o carro na minha vaga e sigo em direção a loja, entrando pela porta dos fundos que já está aberta, indicação que Pri já chegou.
— Iae garota. — Ela toma um leve susto, estava arrumando alguns fracos de perfume na vitrine.
— Susto da p***a, chefe. — Solto uma pequena gargalhada. Ela para pôr um segundo, algo sendo dito em seu ponto. — O Augusto já está a postos lá fora. — Nosso segurança, contrato especialmente para tomar de conta de nossa loja enquanto ela funciona.
— Obrigada querida. Se estiver tudo pronto já pode abrir as portas.
— Ok chefe. — Ela levanta os dois polegares de uma vez.
— Aliás, está linda hoje. — Falo, apontando para seus vestidos Floridos com um lindo bordado na barra abaixo do joelho. — Pri é uma mulher linda, ela passou pela transição a pouco tempo, seus cabelos cacheados na altura dos ombros, corpo pequeno e pele n***a, com olhos castanhos hipnotizantes, ela é linda demais, fiquei muito feliz por ela quando finalmente se entendeu, ela passou alguns dias sem trabalhar por estar passando por essa mudança, sua vida virou de cabeça para baixo, ela estava com medo, até mesmo de perder o emprego, mas a garanti que sua vaga estaria esperando, ela levasse o tempo que for para estar pronta para voltar.
— Obrigada chefinho, você é um amor. — Me enche de felicidade ver ela feliz e livre para ser quem ela é.
— Qualquer coisa estarei em minha sala, mande os clientes para mim caso queiram algo novo que não esteja na vitrine, hoje estou a fim criar coisas novas.
— Vejo que tem novas inspirações. — Sorrio grande para ela.
— Sim, me sinto como um pássaro liberto de sua gaiola. Quero criar asas e sair voando.
Ela rir e eu sumo por entre as portas no fim da loja, indo direto para minha sala eu coloco meu ponto, logo avisando aos dois que estou com ele, caso precisem de mim, não passo muito tempo ali, logo estou indo para o laboratório, o cheiro fantástico de flores me atinge assim que abro a porta enorme de vidro, vejo a minha mesa de trabalho e as minhas pequenas plantações de espécie raras de flores que são difíceis de serem transportadas.
Passo algumas horas ali mergulhado em meu mundo, quando me dou conta que tenho uma nova fragrância.
— Dessa vez fui rápido.
Coloco a gota sobre o pequeno pedaço de papel, passo em frente ao meu nariz e fecho os olhos com força, a lembrança que me vem a cabeça é de...Ryder?
Abro os olhos assustado.
Por que eu criaria algo que me lembra ele?
Minha mente só pode estar abalada pela noite de ontem, apenas isso. Meu coração bate feito louco contra meu peito
Ai meu Deus, o que está acontecendo comigo? Estou enlouquece...
Meus pensamentos são interrompidos quando no meu ponto sua a voz de Pri.
— Chefinho, seu namorado está aqui, ele exige falar com você.
Ah droga.
Retiro meus óculos e passo a mãos por meu rosto.
O que ele quer?