Capítulo 6

1831 Words
João Santore Com um pouco de custo meus olhos se abrem, tento me lembrar de onde estou quando tudo que aconteceu ontem a noite me vem a cabeça, bebi um pouco com meus amigos, e acabei adormecendo sobre o sofá de Ryder. Pensar em Ryder me faz ter consciência sobre o corpo musculoso abaixo do meu, assim como as pernas enroladas a minha, minha mãe descansa sobre um peito largo e sobe e desce com uma respiração calma, tenho certeza de que meus olhos estão arregalados nesse momento, ainda mais quando levanto meu rosto e vejo quem está abaixo de mim. Ryder. Meu deus, dormimos em direções diferentes no sofá, como paramos assim? Tenho certeza de que estou corando nesse momento, estou sentindo meu coração bater acelerado, algo bom crescendo em meu peito, é como se depois de muito tempo com a respiração r**m, com falta de ar a cada segundo, eu possa tomar uma respiração funda e gostosa, agora eu respiro calmamente, tem tanto ar nos meus pulmões que eu me encontro flutuando. É normal sentir isso ao acordar nos braços do seu melhor amigo? Escuto alguém se mexer abaixo de nós e a cabeça cheia de cabelos negros foi vista, Marcos olhou em volta meio desnorteado, olhou para baixo e seus olhos se arregalaram um pouco antes de se encontrarem com os meus, ele sorriu e indicou a cozinha com a cabeça, me olhando com estranheza logo depois que notou que eu dormia em cima do peite de Ryder. Logo depois ele se levantou, se desenrolando e saindo de cima do peite de Gilberto e seguindo em direção a cozinha. Dei mais uma olhada para Ryder, que ainda dormia pesadamente, e com cuidado me desvencilhei de seu corpo e saltei do sofá, tentando não pisar em Gil, assim segui na mesma direção que ele e o encontrei recostado a mesa no centro da cozinha, uma chaleira no fogo, ele pressionava as duas mãos juntas e olhava para elas enquanto as torcia. Ele parecia estar pensando em algo, ansioso. Ele levanta seus olhos e sorrir para mim, apontando a cadeira ao seu lado, me sento e logo ele faz o mesmo. — Como tem passado? — Ele pergunta analisando cada expressão minha. — Acho que bem, ele foi me procurar ontem na loja ontem. Mas Ryder deu uma passada por lá no momento certo. — Aponto como dedo para sala, apenas para indicar Ryder. — Eu entendo. Deve ser difícil lidar com tudo isso, a gente brinca dizendo que foi o melhor que se livrou de um homem r**m, mas não entendemos como você realmente se sente com isso. Marcos parece preocupado com algo. Seguro sua mão que está por cima da mesa e ele me olha, seus olhos até o momento estavam baixos. Ele sorrir pequeno, aceitando meu conforto, seja lá o que lhe atormenta. — Eu estou bem, realmente, não me importo com isso, faz até eu rir, o que é bom. — Digo com sinceridade. — Isso é bom, mas...você ainda o ama? — Amor, acho que nunca senti algo assim com ele. Tínhamos um bom papo, eu me sentia bem com ele, bom, até o tempo que ele se mostrou alguém totalmente estranho para mim, mas, eu realmente nunca senti mais do que um simples gostar, eu achei que isso bastasse para ser feliz. Mas estava errado, um relacionamento requer mais que isso. — Seus olhos caem na direção de nossas mãos. — E você, quer falar o que tanto te preocupa? Ele levanta a cabeça, olhando ao redor, parece incerto sobre o que falar. — Eu...acho que estou gostando de alguém. — Ele diz baixinho. Eu sorrio grande para ele. Marcos é hetero do grupo, sempre pegador, adora farras, e essa barba e cabelos pretos num rosto perfeito sempre chamou bastante atenção. — Quem é ela? Finalmente vai se amarrar a alguém? — Pergunto, mas em seu rosto parece ter apenas medo. — Ei, ela não lhe corresponde? Ele coça a barba por fazer, sua mão aperta a minha com força. — Marcos... — É ele. Soltamos ao mesmo tempo. Eu entro em choque claro, Marcos nunca falou sobre sentir atração ou gostar do mesmo sexo. Isso novo, muito novo, talvez por isso seu medo. — Ok, isso foi...inesperado... — Eu não sabia com quem falar, o Ryder ele parece nunca ter estado em um relacionamento ou até mesmo parece não gostar de ninguém romanticamente, o Gil, bom o Gil... — OH. — Ofego, surpresa e choque se misturando e fazendo minha cabeça apenas explodir. — Você...você gosta do Gil? O nosso Gilberto? Como...? como isso aconteceu? Tipo, vocês vivem grudados, claro, mas, amigos, eu pensei que era amizade, apenas amizade. Ele aperta com ainda mais força minha mão, a dor me trazendo de volta. Ele sorrir, um sorriso pequeno, apaixonado. — Ele sempre esteve ao meu lado, cuidou de mim mais vezes do que eu posso contar quando eu me embriagava e ficava como um i****a bêbedo. Nossas conversas até alta horas sobre a vida, sobre nossos sonhos, e ultimamente eu meio que briguei com meus pais, ele foi gentil comigo, me acolheu, passei uns dias com ele em seu apartamento, ele foi tão carinhoso, cuidou de mim, me deu conselhos, ele me faz querer ser alguém melhor, ele me faz querer viver. Eu...eu contei para vocês das brigas frequentes com meus pais, por causa da minha profissão, ser personal numa família que só tem médicos é tipo como uma vergonha, eu estava me afundando, entrando num buraco a qual eu não via saída, então eu vi sua mão, ele passou horas apenas me escutando sem reclamar, eu só me apaixonei. — Ele da de ombros como se isso não fosse grande coisa. — Ah Marcos. Você falou para ele? — Não! Ele me olha assustado. — Sempre fomos amigos, ele nunca me olharia desse jeito, ele só foi gentil, e eu caí de joelhos por ele. Talvez um dia isso passe. — Bom, eu te digo, você tem chance, até onde sei ele é bissexual, então. — Pode ser, mas ele sempre me viu como amigos, anos e mais anos sendo apenas bons e velhos amigos. Eu não sei o que fazer. Marcos suspira, e olha para o fogão, a água parece estar fervendo a um bom tempo, ele se levanta e começa a preparar um café, parece ser forte, acho que precisamos, porque pensamentos invadem minha cabeça. E se fosse eu no lugar de Marcos, gostar do meu melhor amigo de anos? Acho que você estar sim no mesmo barco. Minha mente insisti em pensar tal coisa, balanço a cabeça para espantar esses pensamentos nada bem-vindos. Me levanto e me aproximo do balcão da cozinha, bem ao lado de Marcos onde ele serve duas xícaras generosas do líquido, não sou muito fã, sou adepto ao leite morno de manhã. — Se sente algo por ele, e pensa valer a pena, então apenas confesse, ou faça ele te notar de outra maneira. Apenas lute, não fuja ou desista tão fácil assim sem ao mesmo tentar, talvez ele seja a pessoa não perfeita, mas a certa para você. Ele me olha como se tivesse algum tipo de entendimento sobre mim que só ele sabe. — Talvez eu siga esse conselho. Você deveria fazer mesmo. — Minhas sobrancelhas se franzem em confusão. — O qu... Minha pergunta é interrompida pelos dois homens que entra no cômodo, cada pelo em meu corpo se arrepia ao ver Ryder com os cabelos bagunçados e a cara de sono, ele parece grande, mas fofo. Uma espiada de lado e vejo que Marcos também está afetado com a presença de Gil em sua frente, colocar tudo em palavras parece ter deixado suas ações mais notáveis para com o nosso amigo. Gil vem em nossa direção e beija meus cabelos, assim como sempre fez, logo indo para os de Marcos, ele parece ficar paralisado. Se dar conta de sentimentos assim faz qualquer ação que antes era rotina e quase insignificante se tornar algo grande, enorme, por isso tenho um pequeno frio na barriga quando vejo Ryder ir até sua geladeira servir um copo de leite, o levando até o micro-ondas para um minuto depois ele me entregar o copo e, se servir de café, sentando-se junto a Gil na mesa, que também tem uma xícara de café em mãos. Meio que como robôs, eu e Marcos fazemos o mesmo, nos sentando ali, junto deles, depois de tão familiarizado com aquela cozinha, começo a colocar pães, e um bolo que estava na geladeira sobre a mesa, eles me agradecem e entramos numa conversa, enquanto tomamos calmamente nosso café. Minha cabeça estar um caos, mas uma coisa se sobrepõe, eu estou seguindo pelo mesmo caminho que Marcos, me apaixonando perdidamente pelo meu melhor amigo. Estou a mais de meia hora debruçado sobre minha mesa de trabalho, minha cabeça está fervendo e prevejo uma dor de cabeça das grandes, bato minha testa sobre a madeira e bufo baixinho, ter aquela conversa com Marcos me fez sair do buraco a qual me enfiei e notar coisas que antes eu não tinha notado. Mas também, Ryder é apaixonante. Todo aquele corpo malhado, os cabelos cacheados, cachinhos gostosos de se ter nas mãos, os olhos castanhos, quase mel, aquela pele n***a, todo um conjunto lindo, mas não apenas por fora, ele é gentil, amoroso, me protege, cuida de mim, se preocupa comigo. — Eu só posso ter enlouquecido, foi isso, eu enlouqueci, pirei. Levanto a cabeça rindo como um i****a. Por que agora? Eu acabei de sair de um relacionamento de dois anos, sofri muito, não me sinto preparado para ter alguém novamente, por mais que esse alguém seja Ryder. Eu me sinto a deriva. Me sinto doente, traumatizado, com medo de embarcar em novo sentimento por um novo alguém, tenho certeza, absoluta, que Ryder nunca me machucaria, mas tente falar isso para um cachorro que foi maltratado por toda a sua vida, a primeira reação que ele tem ao primeiro ato de carinho é chorar e tremer de medo. É assim que me sinto nesse momento. Meu primeiro relacionamento que durou, mas foi o que me destruiu, eu só conheci isso, e tenho muito medo de conhecer mais e ser igual, ser pior. Eu estou um caos. Eu já falei isso? Acho que não deixei claro o suficiente. Mas ok, se eu me permitir, Ryder pode não me machucar, o que sei ser uma verdade, mas eu posso machucar ele com toda essa minha carga de traumas e afins, uma possibilidade, uma grande, enorme, possibilidade. O que fazer? O que fazer? Deixar que meu pobre coração caia na armadilha mais uma vez? O que de diferente seria agora? Ryder. Ryder. Você pelo menos sente o mesmo por mim? 'Tá aí, eu criando situações, pensando em possibilidades, sofrendo com antecedência quando nem mesmo posso saber de seus sentimentos. Estou confuso, estou perdido. Minhas cabeça está um caos.
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