Capítulo 1
Priscila narrando...
Nunca, em hipótese alguma, eu pensei que meu irmão seria tão baixo, quando ele me puxou e me deitou no chão e começou a passar as mãos em mim, eu só sabia rezar para que ele não fizesse o mesmo com a minha sobrinha Rebeca, eu chorava e implorava para ele parar, que eu era a irmã dele, que sempre o cuidou e o ajudou, mas ele não parecia o mesmo e não ligou para nada do que eu falei.
Depois de um tempo eu desmaiei e vim parar no hospital, quando eu acordei e vi o Guga, dei graças a Deus que foram me salvar, porém não tem nem sinal do meu querido irmão, eu só queria que ele tivesse morto, sim, eu desejo que meu irmão morra, para mim poder ficar tranquila. Mas nem tudo é do jeito que queremos. Recebi alta do hospital e me mudei para o Morro da Maré, mas precisamente, para a casa do Dono, Caveira, ele é um cara incrível, acolheu a Rebeca de uma forma surreal, a ligação que os dois tem é coisa de outro mundo e eu acho lindo, mas já nós dois é mais complicado, ele tem o gênio forte e eu não sou muito diferente, por mais que eu saiba que estou morando de favor, não por muito tempo, pois logo vou dar jeito de arrumar um emprego e também tô sempre limpando e fazendo o almoço e jantar para ele não ter queixa de mim e achar que sou uma abusada, a gente vive se engalfinhando.
Faz cerca de um mês que eu estou aqui e todos os dias a gente briga, literalmente, nada muito agressivo ou horrível, mas uma leve discussão temos que ter, acho que já virou rotina nossa, pois não é possível.
Estou colocando a mesa do almoço quando ele desce as escadas.
Caveira: Cadê a Rebeca?
Priscila: Não sei, ou no quarto dela ou no quintal lá fora. — ele me olha desacreditado e eu olho para o mesmo sem entender. — Que foi?
Caveira: ELA TEM QUATRO ANOS PRISCILA, p***a! — eu respiro fundo, lá vamos nós...
Priscila: Não me diga Caveira, achei que ela já tinha 15.
Caveira: Pelo jeito que tu deixa ela a bangu é o que parece mesmo.
Priscila: Não viaja c*****o, ela pediu pra ir brincar no quintal e eu deixei, mas ela é de lua, assim como quer brincar, daqui apouco quer se deitar para ver um desenho. — Digo entre os dentes. — Não esquece que eu sou a tia dela.
Caveira: Parece que tu está esquecendo com quem tá falando né c*****o. — ele diz se aproximando e na mesma hora vem todas as cenas do Marcos na minha cabeça, minha respiração fica pesada e eu fecho os olhos. Quando abro de novo ele está parada me olhando, ele vira e sai da cozinha, eu termino de por a mesa e logo ele entra com a Rebeca no colo.
Priscila: Vamos comer minha princesa? — ela confirma e eu sirvo o pratinho de comida para ela, ele larga ela sentada na cadeirinha que ele fez questão de comprar para ela, que ficou toda boba quando viu.
Sentamos na mesa e começamos a comer, olho pro mesmo que retribui o olhar.
Caveira: Fala Priscila.
Priscila: Será que tem alguém de confiança para ficar com a Rebeca?
Caveira: Como assim?
Priscila: Eu quero começar a trabalhar Caveira, para poder arrumar um canto para mim e para ela.
Rebeca: Eu não quero ir embora, quero ficar morando com o Titio. — ela diz me colocando em uma saia justa.
Priscila: E a gente vai continuar morando com o Titio, mas futuramente temos que ter o nosso canto, para o titio poder ter a privacidade dele.
Caveira: Vocês não me atrapalham em nada morando comigo. — Olho para o mesmo com vontade de pular no pescoço dele.
Priscila: Não complica as coisas, tem alguém ou não tem?
Caveira: Acho que tem sim, mas tarde vejo sobre e trago a pessoa aqui pra ti conhecer.
Priscila: Perfeito, muito obrigada. — ele apenas confirma com a cabeça e continuamos o almoço.
Depois que terminamos o almoço, ele vai até a Beca e da um beijo na cabeça da mesma e me dê tchau... Ele vai saindo e eu começo a recolher as coisas da mesa. Começo a lavar a louça e organizar a cozinha, termino e vou me sentar com a Beca no sofá, coloco desenho para ela ver e fico olhando com a mesma, eu estou sem celular, ainda não consegui um para mim e o que eu tinha simplesmente sumiu no dia do acontecido.
Depois de algumas horas Caveira chega com uma moça que é muito linda, mas confesso que fiquei bem incomodada com isso. Beca olhou para a mesma dos pés a cabeça.
Caveira: Eai, essa aqui é a Aline, a pessoa de confiança que tu pediu.
Aline: Satisfação Priscila. — ela diz apertando minha mãe e eu sorrio simpática. — Satisfação princesa, como você é linda. — ela diz pra Beca que sorri pra ela.
Caveira: Eu vou voltar para a boca e vou deixar vocês conversarem.
Priscila: Tá bom. — ele da outro beijo no topo da cabeça da Beca e sai para a boca, sempre quando ele sai de casa ele tem que dar um beijo na Beca, já virou rotina deles isso e quando ele não dá, ele escuta um bolão dela, as vezes ela para até de falar com ele.
Aline: Então vocês são a duplinha que está amolecendo o coração do meu amigo. — olho para ela sem entender. — Olha, sei que o Caveira não é fácil de lidar, que as vezes ele é irritante e ogro.
Priscila: Coloca irritante nisso. — digo e ela da risada.
Aline: Mas ele tem os motivos para ser assim, ele já foi muito magoado nessa vida, e para ser sincera, desde quando vocês vieram para cá, ele se tornou outra pessoa, ele tá sempre falando da Beca e bom, de você também.
Priscila: Reclamando aposto, aquele babaca. — digo revirando os olhos e ela da risada concordando.
Rebeca: Não dá bola para eles titia, é a forma que eles demonstram o amor um pelo outro. — Beca e suas histórias.
Aline: Eu sei princesa, eu sei. — ela diz rindo. — Mas ele gosta de vocês duas, bom, você já conseguiu serviço? — eu n**o. — Na loja de roupas da Faby estão contratando, vai até lá falar com ela, pode dizer que eu te indiquei.
Priscila: Eu ainda não sei andar por esse morro muito bem.
Aline: Bem, vamos ali na rua então. — saímos em direção a rua e a Aline chama pelo tal de Sombra. — Leva ela até a loja da Faby por favor.
Sombra: Claro, bora lá patroa. — olho pra ele sem entender o patroa e a Aline começa a rir da minha cara.
Vamos em direção a moto dele eu subo em sua garupa, ele me leva até a loja e fica me esperando, entro e peço para falar com a Faby, logo ela aparece e pensa em uma mulher simpática e linda.
Faby: então é isso, pode iniciar amanhã mesmo se você quiser.
Priscila: Quero muito, obrigada mesmo pela oportunidade. — ela sorri e eu dou tchau saindo dali toda feliz, subo na garupa do Sombra e vamos em direção a casa do Caveira, agradeço a ele e entro em casa.
Aline: Eai?
Priscila: Eu começo amanhã. — ela bate palminhas. — muito obrigada, pela indicação e também por ficar com a Beca para mim, agora vamos falar de valores né.
Aline: Caveira já acertou comigo. — olho para a mesma desacreditada. — Fica tranquila. — ela diz piscando e rindo...
Passamos o resto da tarde ali, eu fiz um bolo para tomarmos café e quando deu 18h ela foi embora.
Estou sentada no sofá vendo série enquanto a Rebeca está lá em cima vendo desenho, Caveira chega e me fita dos pés a cabeça.
Caveira: Mas que c*****o tu tava fazendo na garupa do Sombra hoje? — olho para ele sem reação.