NÓS ENTRAMOS E ACORDAMOS OS GUARDIÕES. O plano da minha mãe consistia em enquanto eu entrava no castelo, Fire Flame, Daryl e Death Stroke lutavam contra Quiet Death. Os outros lutavam com os guardas e ela ia atrás de seu dragão, Dark Sight, na prisão dos dragões.
— Vamos nos preparar. – falei me erguendo do sofá.
— Eu quero ir com vocês. – Victoria se ergueu conosco.
— Não pode, você não é uma draconiana. É muito perigoso. – Hélio protestou.
— A minha melhor amiga e a mãe dela estão prestes a executar uma rebelião. Vai ser perigoso para todos. – Ela andou até mim – Eu vou com vocês.
Eu sorri e a abracei.
— Tudo bem, mas não quero você na linha de frente comigo. Você vai com a minha mãe recuperar Dark Sight.
— Está bem.
— Todos prontos? Vamos montar.
Nós fomos até a rua e nossos dragões apareceram um por um, deixando Victoria de boca aberta.
— Nossa! Eles são lindos!
Eu e minha mãe montamos em Fire Flame e Victoria montou em Sun Bolt com Hélio e nós partimos em direção à Dracônia.
Quando passamos pelo Portão, pude ver que Victoria ficou transtornada. Eu também fiquei da primeira vez.
Chegar em Dracônia imediatamente chamou a atenção dos draconianos e de Quiet Death. Ele veio em nossa direção, seguido dos dragões dos guardas e minha mãe voou até Sun Bolt, pegou Victoria e foi para a prisão dos dragões resgatar Dark Sight.
Você tem muita coragem de voltar aqui, projeto de dragão. Quiet Death falou quando Fire Flame voou até ele, rosnando. Veio se render?
O filho de Hellfire jamais se renderá. Eu nunca senti tanto orgulho de Fire Flame. Ao dizer sua frase de efeito, ele pulou em Quiet Death e o atacou, me dando a oportunidade de pular de suas costas e ir em direção ao castelo.
Eu corri pelas sombras enquanto todos seguiam seu papel no plano. Como minha mãe disse, havia uma entrada secreta que dava nas masmorras. Eu abri a mão e uma chama se acendeu, iluminando o caminho. Não havia nenhum prisioneiro, exceto um homem jogado numa cela imunda. Parecia estar ali há anos. Segui em frente, passando as masmorras. Enfrentei alguns guardas, mas os derrubei com facilidade e quando olhei pela janela no segundo andar, pude ver que minha mãe havia se juntado à luta, e todos os draconianos estavam pasmos apontando para ela. Eu estava tão concentrada na briga que deixei minha guarda abaixar e os guardas de Keelien me pegaram bem na hora que Fire Flame caiu no chão desacordado.
— Fire Flame! Não! – Os guardas me agarraram e me conduziram até as masmorras – Me soltem! Vocês sabem quem eu sou?
— Ah, sabemos, sim! – Um deles falou próximo ao meu rosto – E não damos a mínima!
Ele me jogou na cela na frente do homem, que olhou para mim de canto enquanto eu colocava minha raiva para fora.
— Não, não, não! – Eu bati nas paredes e nas grades da cela, mas nada aconteceu. Eles confiscaram minhas armas.
— Acalme-se. Não vai adiantar nada. – O homem preso falou – O que estava pensando? Invadir o castelo sem um plano?
— Nós tínhamos um plano! – Eu exclamei ficando de joelhos – Eu só fui amadora demais achando que conseguiria tomar o trono de Keelien. E agora estou prestes a perder Fire Flame, minha melhor amiga, todos os Guardiões e minha mãe.
Eu senti vergonha quando as lágrimas escorreram.
Tinha que me acalmar e pensar, mas a única coisa que poderia me acalmar era a música da minha mãe.
— Hush now, don’t be scared, through this tide of darkness. – Eu comecei a cantar e o homem me olhou como se tivesse visto um fantasma e agarrou a grade, e finalmente eu pude dar uma boa olhada nele. Seu cabelo estava muito comprido, assim como a barba e para o meu espanto, ele começou a cantar junto comigo – Shadows may march, thunders may roar, but peace will soon prevail.
— Through our land, this sacred land, nightmares spread confusion... – ele cantou sozinho.
— But stand in your ground, untill you’ve found... – eu cantei sozinha.
— The strength to light your way. – Finalizei a música sozinha e eu sorri, me sentindo muito mais calma.
— Quem é você? Como sabe a música da minha mãe? – perguntei, confusa.
— E-eu ensinei essa música para a minha esposa quando nos casamos. É uma canção que está na minha família há anos.
— Quem é você? – Eu reforcei a pergunta.
— Eu sou Thuban, Guardião da Legião da Tempestade e verdadeiro Rei de Dracônia. – Ele falou de peito estufado e eu dei um passo em falso para trás.
— Qual era o nome da sua esposa?
— Elizabeth, Guardiã da Legião da Ilusão. – Ele falou me encarando.
— Eu sabia! – Levei a mão à boca – Você... você é meu pai! Ah, meu Deus! Como ela pôde não me dizer?
— O quê? – Seus olhos se encheram de lágrimas – Ellie sobreviveu? E a nossa bebê também?
— O meu nome é Aurora, Guardiã da Legião do Fogo. – Eu pude ver que seus olhos se encheram de orgulho quando ele sorriu – E eu juro para você, meu pai, eu vou nos tirar daqui.
Na mesma hora a porta da masmorra se abriu e seguido de dois guardas, lá estava ele, Keelien, o traidor.
Me embrulhava o estômago pensar que aquele homem tinha o mesmo sangue que eu.
— Hoje eu tive a maior das revelações. Minha cunhada querida, Elizabeth sobreviveu há 16 anos. – ele falou e sua voz fez eu me arrepiar quando ele parou bem na minha frente – E o que é mais curioso é que, um dia antes de ela retornar para Dracônia, uma menina misteriosa que não cresceu como nós apareceu montando Fire Flame, o último dragão da Classe Fogo.
— Aonde você quer chegar? – falei com raiva enquanto ele me olhava com uma expressão satisfatória.
— Quando Elizabeth fugiu de Dracônia ela carregava uma criança. O filho do meu irmão, Thuban. – Ele se aproximou ainda mais e abaixou o tom de voz – Olá, querida sobrinha.
— Fique longe da minha filha, Keelien! – Thuban urrou na sua cela e Keelien andou até ele.
— Ora, ora, ora. – Keelien começou a falar com Thuban, mas eu não conseguia ouvi-lo. Alguém estava falando na minha cabeça.
Aurora, você está bem? Era ele.
Fire Flame, você sobreviveu! Exclamei em pensamento.
Mais do que isso. Eu venci. Venci Quiet Death! Ele falou, contente.
Espera, então é por isso que Keelien está aqui. Eu concluí. Ele está procurando alguma brecha, querendo me fazer falar. Quiet Death caiu e sem seu dragão ele não é nada. Fire Flame, eu estou na masmorra, estou desarmada.
Certo, preste atenção: suas armas irão até você, é só comandá-las. Não se preocupe, estamos indo.
— E então, minha jovem?
Keelien se voltou para mim e eu me concentrei em fazer minha espada vir até mim e foi o que aconteceu. Keelien e os guardas levaram um susto.
— O que pretende fazer com isso?
Eu empunhei a espada na direção da fechadura e me concentrei.
— Me libertar. – De repente, começou a sair fogo da minha mão e subiu até a lâmina da espada. A joia na minha armadura iluminou-se e quando o fogo na espada atingiu uma temperatura altíssima, eu ordenei que explodisse a fechadura, e foi o que aconteceu. Eu chutei o que restou da cela e Keelien e seus homens se afastaram quando eu estava livre – Afaste-se!
Thuban obedeceu a minha ordem e eu fiz o mesmo com sua cela. Quando saiu de seu cativeiro, meu pai respirou fundo e um trovão retumbou nas masmorras, revelando sua armadura. Meu pai parecia glorioso com sua armadura de Guardião e uma coroa de Rei na cabeça. Sua barba e cabelo haviam voltado ao normal. Ele empunhou sua espada e, imitando a minha ideia, envolveu a lâmina de raios. Eu parei ao seu lado e ambos apontamos as espadas para Keelien.
— Acabou, Keelien. – Ele falou, com a voz grossa – Você está banido de Dracônia.
Antes que ele pudesse protestar, uma explosão abriu um enorme buraco na parede da masmorra. Nós olhamos para trás e os Guardiões entraram armados, liderados pela minha mãe, que parou imediatamente ao ver meu pai.
— Thuban? – Ela sorriu e correu para abraçá-lo e ele também – Você está vivo?
— Ellie! – Eles se abraçaram com saudade.
Naquele momento de distração, eu cometi um erro fatal, novamente. Baixei a guarda. Keelien me acertou no estômago e passou o braço ao meu redor e subiu. Ele abriu outro buraco acima de nós e foi para os céus, me segurando. Eu perdi minha espada enquanto lutava para me libertar. Do lado de fora os dragões estavam, assim como Fire Flame, que veio ao meu resgate na mesma hora.
Os Guardiões e meus pais vieram com seus dragões, inclusive Dark Thunder, o dragão de Thuban. Keelien parou e começou a evocar uma tempestade ao nosso redor.
— Solte a minha filha, Keelien! – Thuban falou com uma expressão de raiva em seus olhos.
Aurora, me escute bem. Fire Flame falou na minha cabeça enquanto repassava um plano.
— Não solto!Toda a nossa vida você teve o que queria. Você era o herdeiro, você era o Guardião, você era o favorito do papai e você ficou com a garota.
Ele disse essas palavras olhando para a minha mãe.
— Isso mesmo, Ellie! Eu amei você primeiro. Eu até estava disposto a aceitar você como minha Rainha há 16 anos atrás, mas você partiu e me deixou.
— Você é um doente! – Minha mãe exclamou – Agora, Fire Flame!
Meu dragão pulou para me salvar, mas no mesmo instante, Keelien me soltou e uma prisão de raios se formou ao meu redor e me aprisionou.
— Eu sou o Guardião da Legião da Tempestade, Keelien. Acha mesmo que isso é páreo para mim? – Meu pai indagou, ainda montado em seu dragão.
— Veremos! – Ele voou na direção de Thuban e ele caiu do dragão, lutando corpo a corpo com seu irmão.
— Thuban! – Gritou minha mãe.
— Pai! – Eu gritei apavorada – Vão ajudá-lo! Agora!
Os Guardiões me obedeceram e apenas minha mãe e Fire Flame ficaram ali comigo.
Aurora, sinto muito. Eu vou tirar você daí. Ele bateu na grade inúmeras vezes. Eu só não sei como.
— Temos que aumentar essa prisão para que você possa entrar. – Eu falei, tendo uma ideia.
— Eu posso ajudar com isso. – Minha mãe esticou o braço e de repente, a gaiola era maior que eu e meu dragão, tornando possível ambos caberem dentro dela.
— Fire Flame, você lembra do que Luna falou sobre nós? Sobre nossos poderes? – Eu fiquei de frente para ele.
Somos muito poderosos quando juntos. Ele exclamou.
— Exato, Fire Flame. – A joia da minha armadura começou a brilhar, assim como a Gema de Fogo na testa do dragão – Cavaleiro e dragão...
Unidos pelo Fogo.
— Juntos, somos mais fortes. – Eu toquei na Gema de Fogo, como no dia em que nos conhecemos e então, algo aconteceu.
Um clarão e uma explosão de fogo tomaram conta e quando pudemos ver, eu estava montada no meu dragão novamente e a prisão havia desaparecido.
Conseguimos! Meu dragão comemorou.
— Agora, vamos salvar o meu pai. – Nós mergulhamos e Fire Flame estava mais rápido do que nunca. Nós alcançamos meu pai e os Guardiões rapidamente e pude perceber que eles não sabiam o que fazer para intervir.
Eu peguei uma das correntes acopladas em Fire Flame e usei de balanço, como Tarzan usaria um cipó, para me jogar até Keelien e Thuban e agarrá-los.
Ambos estavam sangrando e atirando raios com as mãos, mas apenas um eu aprisionei numa gaiola de fogo. Keelien não conseguiria deixar aquela prisão por nada nesse mundo.
— Me tire daqui, querida sobrinha. – Ele pediu, doce, mas logo se transformou – Me tire daqui, sua rata imunda! Escória! Acha que por que é filha desse verme que você vale alguma coisa? Você não é nada!
Nós rimos com sua frustração e descemos até a sacada do castelo. Ordenei às chamas que levassem Keelien até as masmorras.