FIRE FLAME VOOU EM MEU RESGATE, mas não me colocou nas suas costas.
Lembre-se: todo draconiano nasce com um poder dentro de si. Você já despertou parte desse poder. Para voar sem as minhas asas terá que despertar ainda mais. Mas eu já estava com muito medo de cair. Está bem, eu estou indo.
Ele aumentou a velocidade para me pegar, mas antes que me alcançasse, Quiet Death o agarrou e o impediu.
Me solte! Fire Flame gritou olhando nos meus olhos. Ela vai cair!
Deixe-a cair! Ela não pertence a Dracônia e nunca pertencerá. E logo, você irá se juntar a ela. Quiet Death e Fire Flame começaram a lutar e eu senti medo. Não por mim, mas pelo meu dragão.
Até agora eu tenho dependido do Fire Flame. Eu sou uma Cavaleira de Dragão e ele me escolheu. Tinha que haver uma razão. Mas qual eu não poderia dizer. Tinha que salvar o meu dragão.
Salvar Fire Flame foi estímulo suficiente para destrancar meus poderes inertes e na mesma hora eu parei de cair.
— Eu estou voando? Sim! Estou! – Não tinha tempo para comemorar. Tinha que salvar o meu dragão – Fire Flame!
Eu voei até a altura deles e empunhei minha espada em direção a Quiet Death, que segurava Fire Flame pelo pescoço.
— Solte o meu dragão, seu réptil inútil! – Eu estava com muita raiva e a pedra no meu peito começou a cintilar.
Que bonitinho! Uma garota do Continente querendo salvar o desgarrado da nossa raça? O Rei dos dragões debochou.
— Acontece que eu não sou uma garota do Continente. Sou uma draconiana. Aurora Oliver, Guardiã da Legião do Fogo. – Eu não sabia o que estava dizendo, até porque não controlava muito bem a minha boca. Era como se alguém estivesse me dizendo o que falar e eu acreditava que era isso.
Impossível!
Quiet Death urrou de raiva e Fire Flame me olhou orgulhoso. Quem eu era? Uma Guardiã? Eu não sabia o que significava, mas parecia importante.
Fire Flame aproveitou que seu Rei estava distraído e se soltou. Ele voou até mim e demos a volta, deixando Quiet Death para trás.
Sinto muito, Aurora. Não queria que nada de r**m acontecesse. Eu vou levá-la para casa. Eu não protestei, pois queria ir embora. Mas eu definitivamente iria voltar para Dracônia. Para onde quer ir?
— Pra minha casa. Minha mãe tem que me explicar algumas coisas. – eu pedi assim que passamos o Portão – E você também.
O que você quer saber?
— Por que Quiet Death disse “impossível” quando eu me apresentei como Guardiã do Fogo? – Fire Flame respirou fundo, fazendo fumaça sair de seu nariz.
— Porque faz mais de um milênio que a Legião do Fogo não tem um Guardião. – Hélio apareceu atrás de nós e ele estava acompanhado de outros dragões e seus cavaleiros – O último Guardião foi Avalon Regner, o Rei mais sábio que tivemos. Mas desde que ele morreu, a Legião do Fogo está sem um Guardião por muito tempo.
— Quem são eles? – perguntei para Hélio, apontando para os cavaleiros.
O primeiro, um rapaz de cabelos até a nuca e olhos verdes se aproximou. Seu dragão também era verde e sua armadura tinha uma joia verde no peito.
— Eu sou Noah Tames, Guardião da Terra. – Essa é a minha garota, Poison Ivy.
A próxima era a garota que falou comigo. Ela tinha cabelos brancos e olhos azuis. No seu peito uma joia azulada brilhava.
— Eu sou Luna Luminos, Guardiã da Lua, e essa é a Moon Light. É uma honra conhecê-la.
— Igualmente. O que é isso? Convenção de Guardiões?
— Todos estamos aqui porque queremos conhecer a lendária Guardiã do Fogo. – Um garoto loiro montado num dragão azul parou ao meu lado. Ele era meio rabugento e debochado, mas era lindo – Não está óbvio?
— Não, não está. Caso não tenha percebido, eu sou uma cavaleira de dragão há apenas alguns dias. Esta é a primeira vez que estive em Dracônia e não faço a menor ideia de quem eu sou! – desabafei, encostando a testa na nuca de Fire Flame.
— Aurora, estamos aqui para te seguir. – A voz de Hélio falou e eu ergui a cabeça apenas para ver que haviam se reunido ao meu redor – Keelien é um tirano e está matando Dracônia desde que Thuban Regner morreu.
Eu senti uma pontada no coração ao ouvir aquele nome.
— Quem é Thuban?
— Thuban era o irmão mais velho do Rei Keelien. Ele morreu há cerca de 17 anos e seu irmão matou a Rainha enquanto estava grávida. – Outra menina de cabelos brancos falou, a diferença era que seus olhos eram brancos e não azuis, mas elas eram fisicamente parecidas.
— Isso é um rumor, Estella. – Luna olhou para sua irmã, – sim, eu estava convencida de que eram irmãs – e a desmentiu – O que nos foi dito era que a Rainha sumiu assim que Thuban morreu e Keelien assumiu, pois ela temia o pior para ela e seu bebê.
— E o que vocês esperam que eu faça? Eu não tenho o que fazer contra Keelien. Ele é o Rei!
— Mas não é Guardião. E todos nós somos. – Um garoto montando um dragão n***o que me lembrava muito Quiet Death – Juntos, podemos derrubar tanto ele quanto Quiet Death, para você e seu dragão ocuparem seu lugar de direito.
Aquilo era loucura! Aquelas pessoas estavam loucas. Mas eu não podia deixar Dracônia morrer.
— Está bem, aqui o que vamos fazer. – Eu os chamei mais para perto – Primeiro, quero saber quantas e quais são as Legiões. Eu já conheço Fogo, Sol, Terra e Lua. Quais as outras?
— Eu sou Arya Learfay, Guardiã do Ar. – Uma menina loira e de olhos cinzas falou, se apresentando – Essa é Flyer Wing.
— Eu sou Estella Luminos, Guardiã das Estrelas e esse é Star Fire. – A menina parecida com Luna apresentou-se e seu dragão.
— Meu nome é Daryl Silverback, Guardião da Morte. – O garoto montando o dragão n***o falou – Este é Death Stroke.
— Sou Percy Glenth, Guardião da Água. – O garoto loiro rabugento falou, olhando em meus olhos – Esse é Water Flight.
— Eu sou Vitta Silverback, Guardiã da Vida e esse é Good Life. – Uma menina de olhos castanhos e cabelo preto falou.
— Eu sou Justice Tromper, Guardiã da Justiça e esse é meu companheiro, Strong Hold. – A última menina se apresentou.
As outras Legiões, Tempestade e Ilusão são respectivamente as Legiões de Thuban e da Rainha. Fire Flame contou. Ambos eram Guardiões.
— Está bem, vamos descer. – E Fire Flame mergulhou em direção à minha cidade.
Nós fomos para o campo, onde os dragões poderiam ficar escondidos, e saímos em direção à casa de Victoria andando. Claro que os dragões nos seguiram e estavam alguns metros acima de nós.
— Sua cidade é bonita, principalmente à luz do luar. – Luna admirou Fallen Flowers, girando a cabeça para olhar por todos os lados.
— Gostaria de pedir que todos ficassem normais. – Eu voltei ao normal e minhas roupas voltaram.
— Por quê? – Percy questionou, mas obedeceu.
— Porque os humanos não estão acostumados a verem adolescentes de armaduras e armas. Isso se chama evitar atenção desnecessária. – respondi quando chegamos à frente da casa de Victoria. A porta estava aberta para mim e a luz do quarto dela estava aceso, indicando que estava acordada – Fiquem aqui. Eu não demoro.
Pulei por cima do portão, fui até a casa e entrei. Passei pelo corredor até entrar no quarto de Victoria e ela se erguer da cama, apavorada.
— Aurora, o que aconteceu? Onde você estava? – Ela me abraçou – Nunca mais faça isso!
— Desculpa. – Eu suspirei – A sua família já viajou?
— Sim, eu estou completamente sozinha. – Ela cruzou os braços franziu a testa – Por quê?
— Preciso trazer os Guardiões aqui, não é seguro para eles lá fora. – Saí do seu quarto e fui indo em direção à porta.
— Do que você está falando? Quantas pessoas são? Não traga muitas, Aurora! – Ela foi me seguindo até eu parar e lhe encarar – Não estou gostando dessa ideia, prefiro que ninguém venha.
— Hélio está junto. – Ela abriu a boca para dizer algo, mas se calou na hora.
— Ele te contou?
— O dragão dele contou para o meu. – Segui andando até a porta e abri, fazendo sinal para os outros. Eles deram um salto e do nada estavam na porta, entrando.
— Victoria! – Hélio pegou a mão da minha amiga e beijou as costas dela.
— Victoria, esses são os Guardiões das Legiões de Dracônia. Eu sou um deles.
Como eu esperava, ela não entendeu nada, então, enquanto eu fazia café para todos, eles explicavam para Victoria tudo que me explicaram.
— Então quer dizer que precisam de Aurora para que ela tome o trono desse Rei? – ela perguntou para confirmar e eles assentiram – Isso faria dela o quê, Rainha?
— Cremos que sim. – Noah assentiu.
— Olha só, minha melhor amiga, uma Rainha! – Victoria riu – Mas e agora? O que vocês vão fazer?
— Primeiro, eu quero aprender a evocar o meu poder. Eu sei que sou do Fogo, mas não usei ainda o meu poder. – contei, olhando para uma vela que tinha pegado em uma gaveta – Se eu começar pequeno, talvez consiga fazer coisas maiores depois.
O silêncio tomou a sala enquanto eu olhava fixamente para a vela até uma pequena chama dançar no seu topo e eu sorrir.
— Eu consegui?! – Sorri, perplexa.
— Isso foi muito legal! – Victoria sorriu, mas voltou seu olhar para a janela – Ei, vocês viram que já é de manhã?
Eu olhei pela janela e o sol já estava nascendo.
— Eu tenho que falar com a minha mãe. Vou aproveitar que Jared está indo trabalhar agora. – Eu fechei os olhos e respirei fundo – Vocês podem descansar aqui até eu voltar. Vai ser uma longa conversa.
— Precisa de alguma coisa? – Percy andou até mim e se ofereceu.
— Não. – Eu abaixei a cabeça, negando – Vou com Fire Flame até lá e o deixarei por perto. Se precisar de ajuda eu o mandarei chamar vocês.
Eu me transformei e andei até a porta, indo em direção ao meu dragão. Ao montá-lo, não precisei dizer aonde ir. Ele sabia bem.
— Fique sobrevoando a área, está bem? Se meu padrasto voltar, me avise e não deixe ninguém te ver.
Pode deixar.
Desci do meu dragão, andei até a minha casa e passei pelo portão, entrando na casa logo em seguida. Ainda era muito cedo e minha mãe estava dormindo. Eu abri a porta do seu quarto e a chamei.
— Mãe.
— Aurora, o que está acontecendo? – ela disse meio sonolenta. Eu entrei e abri a janela para que ela visse minha armadura. Como eu imaginei, ela não pareceu surpresa ao me ver daquele jeito.
— Então, você é uma draconiana... – eu falei e ela abaixou a cabeça – Mãe, por que escondeu a verdade de mim todo esse tempo?
— Para te proteger. – ela falou com lágrimas nos olhos – Você esteve em Dracônia, viu no que Keelien a transformou. Quando ele assumiu o trono, muitos fugiram, assim como eu e você.
— Quantos anos eu tinha?
— Algumas horas de vida. Eu tentei tirar você de lá antes do parto, mas não consegui. – ela falou enquanto uma lágrima escorria de seu olho esquerdo – Se algum Cavaleiro deixar Dracônia, ele está banido para sempre. Eu não voltei porque sabia o que Keelien faria se me encontrasse.
Eu a abracei instantaneamente. Aquele Rei assustou a minha mãe, a mulher mais corajosa que já vi. Eu precisava derrubá-lo.
— Eu vou voltar pra Dracônia, mãe. Acho que você devia vir comigo. Os Guardiões estão comigo e querem que eu lidere uma rebelião. – eu falava, e ela parecia ainda mais apavorada – Eu vou tirar o trono de Keelien.
— Como sua mãe eu deveria lhe impedir, mas como Cavaleira eu sei que você é a única que pode fazer isso. – Ela se ergueu e me abraçou – Thuban ficaria orgulhoso.
Eu franzi o cenho confusa.
— Por quê? – Antes que ela pudesse me responder eu mudei a pergunta – Aliás, como ele morreu?
— Keelien o matou. – Ela soou fria – Poucos sabem, mas Keelien o matou para assumir o trono.
— Meu Deus! Que horror! – Eu levei a mão à boca – E a Rainha? Sabe o que aconteceu com ela e o bebê?
Minha mãe olhou nos meus olhos e negou.
— Me conte, qual a sua Legião?
— Sou Guardiã do Fogo, mãe. – falei sorrindo, com orgulho – Sei que conheço Dracônia há poucas horas, mas me sinto parte dela.
— Você é. Agora vá. Volte para os Guardiões antes que se matem sem você. – ela pediu e eu me ergui, obedecendo – Tchau.
Eu me despedi, saindo pela porta da frente.
Fire Flame já estava me esperando e eu corri para montá-lo.
— Você ouviu? – perguntei.
Sim. E eu achando que Quiet Death era um monstro, mas seu cavaleiro é muito pior.
Eu não respondi. Nós voamos de volta até a casa de Victoria e todos estavam dormindo. Eu queria partir logo, mas todos estavam cansados e não tínhamos um plano. Então só me restava descansar.
De todos os dragões, Fire Flame era o único que estava no quintal de Victoria. Eu troquei de roupa, coloquei um pijama, peguei um cobertor e fiz um chocolate quente, para ir deitar com ele.
Por que não vai ficar lá dentro? Ele perguntou, enrolando seu pescoço ao meu redor como se fosse um ninho escamoso.
— Não quero te deixar sozinho. – Eu suspirei, tomando um gole do chocolate – E não me sinto muito à vontade com eles.
Eu entendo. Também me sinto assim entre os dragões. Ele suspirou, fazendo fumaça sair de suas narinas. Sempre estive sozinho.
— Fire Flame, como era o reinado do Rei Thuban e da Rainha? – Por algum motivo aquilo me veio à cabeça.
Ah, era glorioso, tanto para os dragões quanto para os draconianos. Thuban sempre foi muito justo e sábio. Todos o admiravam. Ele contou e nos seus pensamentos eu consegui ver uma imagem de Thuban. Ele tinha olhos verdes e cabelo castanho quase ruivo cacheado até a nuca. Algo nele me parecia familiar.
— Quiet Death já era o Rei dos dragões? – perguntei.
Não. Hellfire era.
— Quem era esse?
Meu pai. Ele falou e eu engoli em seco. Ele foi o melhor dragão que já conheci. Até Quiet Death e Keelien liderarem a rebelião contra Hell Fire e Thuban e dizimarem todos os dragões da Classe Fogo.
— Fire Flame, isso significa que você deveria ser o Rei dos dragões! –exclamei – É sua herança. Quando eu tomar o trono de Keelien, você tem que derrotar Quiet Death!
Ele apenas olhou para o sol da manhã e não me respondeu.
— Thuban era o cavaleiro do seu pai? – falei com a voz mais suave.
Não. Thuban era o cavaleiro de Dark Thunder, da Classe Ar. Outro grande dragão. A montaria do meu pai era o melhor amigo de Thuban, Baltazar Fitzherbert, da Legião da Ilusão.
— O que está fazendo aqui fora? – Percy apareceu no quintal e sentou-se ao meu lado.
— Conversando com o meu dragão. E você? Não deveria estar dormindo? – Eu torci o nariz. Qual era o problema daquele homem? Por que era tão arrogante?
Percy foi quem ajudou a Rainha a fugir quando Keelien matou Thuban. Ele era apenas um menino, mas enquanto ela fugia, ele segurou os guardas e pagou um preço. Fire Flame contou.
O que aconteceu? Eu perguntei em pensamento.
Foi chicoteado em público. Era apenas um menino e se sacrificou para salvar a Rainha.
Eu fiquei em silêncio, me sentindo m*l por ele.
— O seu mundo é bem agradável. – Percy falou, olhando para o sol – Se nada der certo, mas nós não morrermos, eu me mudarei para cá com Water Flight.
— Acho que você deveria considerar viver numa ilha com um vulcão ativo. – Eu sugeri e ele me olhou com um sorriso e uma expressão confusa – Você poderia viver no mar e seu dragão na ilha, próximo ao vulcão.
— É uma boa ideia, mas eu gosto de Fallen Flowers. E você estaria aqui também, certo? – Ele sorriu. Eu não tinha visto ele sorrir ainda. Como ele ficava lindo sorrindo.
— Se nada der certo, eu estarei morta. – falei com simplicidade, como se aquilo não me afetasse.
— Isso não vai acontecer. – Eu ouvi uma voz feminina perto de nós e fiquei surpresa ao ver minha mãe perto de nós – Porque eu vou com vocês.
— Mãe? – Eu me ergui e a abracei. Ela estava com sua armadura e uma capa com capuz roxa – Você vai conosco?
— Como eu poderia deixar a minha filha enfrentar aquele monstro sozinha? – Ela segurou meu rosto sorrindo.
— Perdoe-me, mas ela não voará sozinha. – Percy parou ao meu lado e minha mãe o encarou de olhos arregalados.
— Percy? – Ela levou a mão à boca – Eu era amiga da sua mãe. Sei o que fez pela Rainha.
— Sério? Eu fico honrado... – ele estendeu a mão para ela.
— Pode me chamar de Ellie. – Ela apertou a mão dele – Vocês já têm um plano?
— Não. – eu respondi e ela sorriu – Estamos abertos a ideias.