Capítulo 7 - Irmão

1504 Words
ASSIM QUE EU TERMINAR AQUI COM O MEU PAI, o que você acha de embarcarmos numa aventura, só eu e você? Eu propus. Nós vamos atrás do que aconteceu com Gaia. Por mais que eu esteja animado para uma aventura, acho melhor primeiro você ir para a Grande Biblioteca. Lá, existem livros que contam histórias desde o primeiro dia de Dracônia até hoje. Seria bom você ler também. Ele sugeriu e eu estranhei. Está bem. — Está ótimo, Alexa. Vamos, filha? – Thuban chamou e eu assenti, como se tivesse ouvido algo que ela disse. — Foi um prazer, Alexa. Lydia. – Eu me despedi das duas e nós seguimos nosso caminho. Quando chegamos na padaria, novamente ele travou para entrar. Novamente eu tomei a frente. — Com licença? Podemos entrar? – Nós andamos até o balcão da padaria e uma senhora estava de costas para nós. — Já estou indo, querida. – Ela bateu as mãos no avental e caminhou até nós – Como posso ajudar...? Thuban?! Ela estava paralisada, como se tivesse visto um fantasma, mas então, veio para o nosso lado do balcão, com um sorriso e lágrimas nos olhos. — Eu ouvi os rumores de que você, sua esposa e sua filha estavam vivos, mas... Só acreditaria vendo com os meus próprios olhos. – Ela segurou o rosto do filho e eu vi lágrimas brotarem nos olhos do meu pai – Você está vivo! Meu filho está vivo! — Mãe! – Thuban exclamou, emocionado e a abraçou. Rhea finalmente abriu os olhos e olhou. — Ah, meu Deus, essa é... É a sua...? – Ela soltou-se dele e lentamente caminhou até mim, segurando meu rosto e me analisando. — Mamãe, essa é minha filha, Princesa Aurora. – Thuban me apresentou à sua mãe e ela sorriu, maravilhada. — Você se parece tanto com seu pai. Seja bem-vinda à família, meu bem. – Ela me abraçou, deixando as lágrimas escorrerem e eu a abracei de volta. — Mãe, me conte o que aconteceu com você enquanto estive fora. – Thuban pediu enquanto ela se sentava numa cadeira. — Bom, como sabe, enquanto você lutava com Keelien, eu e Fire Bolt lutávamos ao lado de Baltazar e Hell Fire para defender os dragões Fogo. – Ela contou e eu pude ver a sombra de Fire Flame se mover pela janela – Nós lutamos bravamente, mas no fim das contas, Quiet Death venceu. Ela fez uma pausa e fechou os olhos. — Quando eu soube da sua morte, fui atrás de Keelien. Eu o confrontei e naquele momento em que ele usurpou do trono que deveria ser seu, eu deixei o castelo e vim viver com Alexa e sua família. – Ela contou, olhando para baixo. — Mamãe, eu quero que volte a morar no castelo conosco. – ele falou sem rodeios e, ao invés de aceitar sem pestanejar, como eu achei que ela faria, Rhea descansou a mão na bochecha de seu filho. — Sinto muito, mas não. Meu tempo naquele castelo passou. Eu não sou mais a Rainha, sou uma mulher do povo e por isso, devo ficar com ele. – ela disse, com convicção. Ele sorriu, para a minha surpresa, pegou a mão dela e a beijou. Em seguida ficou de pé e eu o imitei. — O castelo sempre estará de portas abertas para você e Alexa, mamãe. – Ele se despediu e andou até a porta. Era a minha vez. — Eu adorei conhecê-la e só queria que a senhora soubesse que qualquer coisa que precisar, qualquer coisa mesmo – eu segurei suas mãos –, pode me chamar. Não só é meu dever como Princesa, Guardiã e neta, como é minha vontade também. — Eu tenho muito orgulho de você, Aurora. Vá. Eu ficarei bem. Eu me despedi dela e alcancei meu pai. Nós montamos nos dragões e voltamos para a capital, em silêncio. Dark Thunder deixou meu pai na sacada de seu quarto e saiu. Eu e Fire Flame pairamos acima da sacada e Thuban estranhou. — Aonde vai? Vou levá-la até a biblioteca do reino. A Princesa de Dracônia precisa conhecer suas origens e sua história. Fire Flame respondeu por mim e meu pai esboçou um sorriso. — Vejo você depois. – Ele deu as costas e eu e meu dragão voamos para o nosso destino. A biblioteca era uma torre muito, muito alta e grande, bem atrás do castelo. Fire Flame pairou ao lado de uma sacada e eu desci ali. Ele pousou, mas recostou sua enorme cabeça no parapeito. Eu caminhei até a parte interna da torre, desconfiada, e fiquei completamente sem fôlego ao ver a imensidão daquela biblioteca. — Nossa! Esse lugar é enorme! – falei, dando uma volta completa parada no meu lugar. Procure por Brianna, a bibliotecária. Diga o que quer que ela lhe disponibilizará. Fire Flame instruiu e eu andei um pouco, à procura de alguém. — Não tem ninguém aqui. – Eu falei, pegando um livro antigo e empoeirado da estante soprei a poeira da capa. “Cavaleiros de Dragões, Legiões e Classes” era o nome. — Tem, sim. – Eu levei o maior susto ao ver uma menina pouco mais velha que eu, de óculos e sorridente – Olá, meu nome é Brianna, a bibliotecária. — Nossa, você me assustou! – Eu levei a mão ao peito e dei uma risada – Eu sou... — Aurora, a Princesa perdida de Dracônia, Guardiã da Legião do Fogo, cavaleira de Fire Flame, Rei dos dragões e último dragão da Classe Fogo. – Ela falou me encarando e depois curvando-se. — Eu só ia dizer meu nome, não citar todos os meus títulos que eu nem sabia que tinha. – protestei e ela pareceu desapontada. — Ah... Muito bem, como posso ajudá-la, Princesa? – Ela juntou as mãos e me olhou. — Meu dragão acha que eu preciso estudar a história do meu povo e do meu reino. Pode me ajudar? – ela correu até as estantes, sorrindo. — Existem inúmeros livros que contam as histórias dos reinos, das Legiões e das Classes, mas nenhum é tão rico de detalhes como o “Dracônia”. – Ela tirou um enorme livro da estante, colocou em cima da mesa e o abriu na primeira página. Naquela página havia um cavaleiro com uma coroa montando um dragão vermelho e n***o. — Sabe quem são, Princesa? – eu puxei uma cadeira, analisando a figura, mas eu sabia quem era. — Avalon, Rei de Dracônia, Guardião da Legião do Fogo e seu dragão Dark Fire, da Classe Fogo. – Ela balançou a cabeça, parcialmente, e sentou-se ao meu lado. — Muito bem. Apenas uma correção: este é Avalon Regner, Primeiro Guardião da Legião do Fogo, primeiro Rei de Dracônia. – Eu ergui as sobrancelhas. — Antes de mim ele foi o único Guardião do Fogo? – Eu perguntei e ela assentiu. — Agora você vê o quão você é rara e especial? — Vamos em frente. Brianna continuou a me contar a história de Dracônia, me contou de pessoas importantes, até chegar na parte da minha árvore genealógica. Brianna guardou aquele livro e pegou outro, de capa verde, que também estava empoeirado. — Esse livro é da árvore genealógica da família real. Esse livro se autoescreve. Como a família real está constantemente aumentando, ele mesmo se escreve. Agora, vejamos... – ela procurou a página certa. — Espera, então isso quer dizer que eu estou nesse livro! – E ela continuou procurando pela página certa – Eu sempre estive nesse livro. Por que ninguém nunca foi me procurar ou sabia da minha existência? — Você era uma criança, Alteza. – ela falou, abrindo uma página do livro – Aqui. Ali estava. Meus avós, Egnar e Rhea, meu pai e Keelien, minha mãe e Gaia, eu e... Noah?! — O que ele faz ali? – Eu me exaltei e Brianna me olhou apavorada. — E-eu não sei! Mas se está ali é verdade! O livro nunca mente. — Não acredito. Noah é meu irmão. – Eu levei a mão à boca. — Na verdade, Alteza, – ela chamou minha atenção e eu olhei para o livro – ele é seu primo. — O quê?! — Aqui no livro diz: “Noah Tames, filho da Rainha Gaia com o irmão do Rei, Príncipe Keelien.” – Ela ficou quieta enquanto eu digeria tudo. — Filho do Keelien... — O que a senhorita vai fazer com essa informação? – ela perguntou, aflita. — Eu não sei. Mas não acho que seja prudente contar ao meu pai. – Cruzei os braços e me sentei na mesa, pensativa – Não quero reabrir uma ferida que ele acabou de curar. E ele só se sentiria mais magoado ao saber que ela o traiu com o irmão. Brianna parecia nervosa. Mexia nas mãos suadas. — Brianna, eu proíbo que você conte isso para qualquer pessoa. — Absolutamente, Alteza. — Bom... Vamos seguir em frente. Eu ainda tenho muito a aprender.
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