Chapter 13

1415 Words
Na manhã seguinte, quando acordo, Rubinho ainda dormia. Após tomar banho e me vestir, o chamo. - Rubinho! - O quê é caraio?! - pergunta abrindo os olhos vermelhos. - Vou pro pré-natal - minto. -Tá. E? - Ele volta a fechar os olhos. - E não sei que horas eu volto. - Como assim?! O quê é que vou comer? - Ele se senta na cama me encarando. - Tem sobra de macarrão de ontem. Dá pra você. - Não quero comida de ontem não. Se sabia que hoje tinha que ir pra esse caraio, sua obrigação era levantar cedo e deixar a comida pronta - Ele aponta o dedo indicador, me fuzilando com o olhar - Tu tá vacilando, Marcela. Depois que eu te aplicar o corretivo, não ache r**m. Engolindo as palavras na ponta da língua, saio de casa, dando partida no carro, após colocar o endereço que Guilherme havia me mandado por mensagem no Google Mapas. Praticamente tive que atravessar o Rio de Janeiro, já que a distância entre a Rocinha e o Complexo da Pedreira era de uma hora e meia. Todo este tempo, me deu tempo para repensar em tudo. Principalmente na minha situação atual com Rubinho. Ainda precisava de um jeito de me livrar dele, claro, depois de conseguir o quê queria. Até isto acontecer, infelizmente teria que aguentar ele e a encheção de saco que vinha de brinde. O Complexo da Pedreira não era muito diferente da Rocinha. O Complexo do Alemão, só se sobressaia pela quantidade de favelas que haviam naquele território, para ser exata treze, já que era conhecido pelas pessoas de fora como um bairro. Seguindo o endereço, adentrei na favela, desejando não ser parada por algum traficante ou algo do tipo. Pois não saberia explicar exatamente o quê estava fazendo ali. Nem eu sabia o quê estava fazendo ali. Sabia que estava ali por causa da mãe de Gael, esperançosa de que ela me diria aonde o filhinho dela estava. Mesmo sabendo que nada me garantia, que realmente ela me diria onde ele estava. Claro que usaria o máximo do poder de persuasão, mais não era sempre que se conseguia dobrar uma mãe querendo proteger seu filho do mundo. Encarando a tela do celular, olho para a casa do lado direito, duvidando se estava mesmo no lugar certo. Era bonita. Uma das mais bonitas que já havia visto na vida é claro, na zona sul. Se não fosse aquele lugar, aquela casa sem dúvida alguma, valeria uma nota. Começando pela segurança ao redor dela. Havia um muro de três metros e meio ao redor, cerca elétrica e câmeras por toda parte. Um grande portão de ferro, impossibilitava que visse o interior, me lembrando por uns segundos, dos portões do condomínio que morava antes da minha vida virar do avesso. Desço do carro e ando até o interfone preto, apertando o botão, olhando em seguida para a câmera em minha frente. - Oi... - Uma voz feminina soa do outro lado. - Oi! Jussara está? Silêncio. - Quem? - A mulher pergunta confusa do outro lado. - Jussara - repito. - Acho que veio na casa errada. Aqui não tem ninguém com esse nome. - Ela tem um filho. O nome dele é Gael - digo rapidamente, torcendo que aquela única informação fosse útil. Silêncio novamente, seguido por murmúrios baixos. Até que outra voz feminina soa, dessa vez, o timbre era firme e quase autoritário. - Quem é? - Marcela. - Marcela...? Suspiro, vendo o pingo de paciência que ainda tinha, indo para o espaço. - Precisava falar com a Jussara. Se não conhecer ela, tudo bem, eu... - Antes que eu terminasse, o portão começa a abrir lentamente, fazendo com que me afastasse do interfone e caminhasse para o interior da propriedade que era extensa. Logo a frente, havia uma piscina retangular e palmeiras enormes ao redor. Do lado direito, havia uma espécie de garagem, aonde três carros estavam estacionados. A frente, uma cozinha americana e uma porta ao lado, dava a entender que era o restante da casa ou o começo. Já que parecia que estava nos fundos da casa. Sentada numa mesa oval branca de vidro, uma mulher n***a de cabelos loiros tingidos, segurava o controle do portão. Quando me aproximo, não esboça nenhuma reação. - Ninguém aqui me conhece por Jussara - diz calmamente - Mas sim por Kátia. - Prazer em conhecê-la, dona Kátia - Uso finalmente a educação que minha mãe adotiva havia me ensinado. - Só Kátia - diz apertando o botão do controle, fazendo o portão se fechar a metros de nós - Senta - Obedeço, evitando de olhar fixamente para a mesa de café da manhã em minha frente - Quer tomar café? - Já comi. Obrigada - Minto. Ela bebe o café da xícara de porcelana, a colocando gentilmente de volta no pires em seguida, antes de erguer os olhos castanhos para mim. - Por que está atrás de mim? - Você é a mãe do Gael, não é? Do Monstro. - Até onde sei, sim. E... - Ela hesita, estreitando os olhos - não gosto que o chame assim. - Desculpa - murmuro, baixando o olhar - Ele é conhecido por este vulgo. - Sei disso. Mas este nome não combina nem um pouco com ele. Ergo novamente o olhar, a olhando com a expressão séria. - Talvez combine - digo com a voz firme - Você sabe o quê seu filho já fez? - Sei por altos. - Então vou contar o quê ele fez comigo - Ela inclina a cabeça para o lado, mantendo os olhos fixos em mim - Ele atirou em mim pra matar, sabendo que estava grávida. Mas como pode ver, estou viva. Ela desce o olhar para minha barriga, mantendo os lábios numa linha reta séria. - Então está grávida dele? Hesito, engolindo em seco. - Não. Ele não é o pai. Ela assenti lentamente, inspirando lentamente em seguida. - Me desculpa a pergunta - Ela cruza os braços sob a mesa - Mas por que ele tentou matar você? Forço um sorriso, sentindo minha boca amargar. - Também queria saber - Admito - Na época estávamos namorando, tudo parecia normal. Até eu descobrir que ele estava me traindo com a minha melhor amiga e ele me forçar ver ele comendo ela. Depois disso, simplesmente atirou em mim e me jogou em uma cova rasa, como se eu não fosse nada. - Ele não devia ter feito isso - A resposta dela me pega completamente de surpresa. Não era o quê estava esperando. - Não mesmo. - Não fui isso que ensinei aos meus filhos - diz pensativa - Mas depois que fui presa, ele esqueceu de todos os valores que ensinei e se corrompeu. - Não deve ter sido fácil. - E não foi - Ela lha para a mesa em sua frente - Dez anos presa, em contato algum com meus filhos, logo depois de ter perdido um. Sem saber por onde estavam e se estavam sendo bem cuidados - Ela faz uma breve pausa, com a expressão pensativa - Foi lá que conheci o Salvador. Quando eu ia tomar banho de sol, ele sempre estava me olhando e não demorou pra ele dar um jeito de falar comigo. Saí primeiro do que ele, por causa da reincidência do tráfico de drogas, os advogados acham que ele vai demorar para sair - Ela massageia o próprio ombro - Ele me deu tudo que lutei durante um bom tempo pra ter, mas com um preço alto - Ela olha ao redor - Enquanto ele estiver preso, sou eu que tenho que ficar na frente disso tudo. É minha pele que está em perigo. É aquele famoso ditado: “Já que estou na lama, vou acabar de me sujar”. Engulo em seco, limpando a garganta. - Gael sabe que você...? - Seguro a palavra mulher de traficante dentro da boca. - Sabe e inclusive até pediu droga emprestada essa semana. Até mandei um dos meus homens levar - Coloco uma mecha de cabelo atrás da orelha, tentando imaginar a reação de Gael ao descobrir que a mãe havia meio que se “casado” com um traficante. O homem que comandava o Complexo da Pedreira - Não é por mim que está aqui - diz de repente, me trazendo para a realidade - É por ele, não é? Coço meu nariz, sustentando o olhar dela.
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