GIULIA: É complicado... é um lugar muito, muito longe. Eu só quero o meu amuleto de volta para poder ir embora.
ALEXANDER: (Intervindo, seco) O amuleto ficará comigo até que eu decida se você é uma espiã dos reinos do Sul ou apenas uma louca que caiu de uma árvore.
Nesse momento, a princesa Emanuelly entra no salão. Ao contrário da mãe e do irmão, ela fica encantada com Giulia, sentindo que aquela mulher traz um ar de liberdade que nunca viu no castelo.
Enquanto a família real discute o destino de Giulia, em uma sala escura e afastada, os três ministros traidores se reúnem.
Leon: O mais velho e calculista.
Klaus: O ambicioso que quer o controle das finanças.
Hector: O que tem contatos com mercenários externos.
Eles percebem que Alexander está intrigado por Giulia. Para um Rei que "não sabe amar" e é conhecido pela frieza, qualquer distração é uma fraqueza.
LEON: O povo já murmura sobre a mulher que apareceu na floresta como um passe de mágica. Se Alexander a proteger, diremos que ele foi enfeitiçado.
HECTOR: E se ele a condenar como bruxa, o povo temerá sua crueldade ainda mais. De qualquer forma, ela é a ferramenta perfeita para derrubarmos a coroa.
Alexander decide que Giulia não irá para a masmorra, mas ficará sob vigilância constante como "dama de companhia" de sua irmã Emanuelly (uma desculpa para mantê-la por perto sem admitir que está interessado).
Cena: As Sombras do Castelo de Alexander
Local: Corredores de pedra, iluminados apenas por tochas bruxuleantes. Hora: Madrugada.
Giulia está em seu novo "quarto" — uma câmara luxuosa, mas que para ela parece uma gaiola. Ela trocou o vestido pesado de seda por uma túnica de linho mais leve que encontrou no baú. Nos pés, ela insiste em usar seus próprios tênis (que ela escondeu das amas).
(Sussurrando para si mesma) "Ok, Giulia. Pensa rápido. Se o quadro me trouxe, o quadro me leva de volta. Só preciso achar a galeria de arte deste lugar... ou a saída."
Ela abre a pesada porta de carvalho com cuidado. O corredor está deserto. Ela caminha na ponta dos pés, usando as sombras das pilastras para se esconder. Ela passa pela porta do salão de reuniões, onde ouve o eco abafado das vozes dos 12 ministros em uma sessão tardia.
Ao chegar perto de uma varanda que dá para o pátio interno, ela vê o portão principal. Está quase lá.
GIULIA "Livre... eu vou estar em casa tomando um café gelado em trinta minutos."
De repente, o brilho de uma lâmina reflete a luz da tocha bem na frente do seu pescoço. Ela congela. Stephan surge das sombras como se fizesse parte delas. Ele não parece cansado; seus olhos estão alertas, e a mão que segura a espada é firme como pedra.
STEPHAN: Onde pensa que vai, 'Senhorita do Futuro'?
GIULIA: (Dando um pulinho de susto) Ai, que susto! Você não usa sininho no pescoço, não? Eu só... estava procurando o banheiro. É tudo muito grande aqui, sabe?
STEPHAN: (Guarda a espada com um movimento preciso) "O seu aposento tem tudo o que precisa. O Rei foi claro: você é uma convidada de honra da Princesa Emanuelly, mas para mim, você é um problema de segurança. E eu não gosto de problemas que andam pelo castelo às três da manhã.
GIULIA "Escuta, Stipan... é Stephan, né? O 'melhor em espadas'? Olha, eu não sou espiã. Eu só entrei em um quadro! Se você me deixar ir até a floresta onde a gente se encontrou, eu juro que sumo da vida de vocês.
Stephan dá um passo à frente, diminuindo a distância. Ele é alto e intimidador.
STEPHAN: Mesmo que eu deixasse, você não duraria dez minutos lá fora. Os lobos são reais, e os homens de Leon e Hector são piores que os lobos. Se você sair agora, estará morta antes do amanhecer. E o Rei Alexander não admite que suas 'propriedades' sejam danificadas."
GIULIA: Propriedade? Eu não sou um vaso de dinastia chinesa!
STEPHAN: Para ele, você é uma incógnita. E o Rei detesta não ter as respostas. Volte para o quarto, Giulia. Amanhã, o General Aidem começará o seu interrogatório oficial.
Ele faz um gesto com a cabeça, indicando o caminho de volta. Giulia bufa, irritada, mas percebe que não tem escolha. Enquanto ela se afasta, ela nota algo: uma figura feminina observando tudo de uma sacada superior. É Samantha, a prima do rei, que olha para Stephan com uma mistura de admiração e melancolia.
Os aposentos da Princesa Emanuelly. O sol entra pelas frestas das janelas altas.
Giulia acorda com o som de cortinas sendo abertas bruscamente. Mia e Briana já estão lá, carregando bacias de água quente e vestidos que pesam mais que a própria Giulia.
GIULIA (Esfregando os olhos) "Gente... cadê o botão de 'soneca'? São que horas? Seis da manhã?
A Princesa já está no jardim, senhorita. Ela não fala de outra coisa desde que soube da sua chegada.
Giulia é levada ao jardim, onde a Princesa Emanuelly está sentada, tentando bordar, mas claramente entediada. Quando vê Giulia, os olhos da princesa brilham.
EMANUELLY Disseram que você caiu do céu! Ou que veio de uma carruagem invisível. Me conte, Giulia... de onde você é, as mulheres também precisam bordar flores o dia todo enquanto os homens decidem o destino do mundo?
GIULIA (Sentando-se sem cerimônia, o que choca as amas) "Lá de onde eu venho, a gente decide o nosso próprio destino. E, honestamente? Eu m*l sei pregar um botão. A gente usa máquinas para fazer as roupas.
As duas começam uma conversa fascinante. Giulia mostra a Emanuelly o que sobrou na sua bolsa: um batom cor de cereja e um espelho de bolsa.
GIULIA: Experimenta. Chama-se maquiagem. É para te deixar com cara de quem dormiu oito horas e tomou três litros de água.
Emanuelly passa o batom, maravilhada com a cor e o cheiro. Pela primeira vez, a princesa sente que tem alguém com quem pode ser ela mesma, e não apenas a "irmã do Rei.
De uma das sacadas altas, o Rei Alexander observa as duas lá embaixo. Ele está com o General Aidem.
ALEXANDER: Veja como ela se move, Aidem. Não tem medo, não tem reverência. Ela ri como se não estivesse em um castelo cercado de guardas.