CAPÍTULO 4

1091 Words
SAMANTHA: (Aproximando-se com o coração disparado): Senhor Stephan? Eu... eu estava passando e pensei... o Rei disse que o castelo não é seguro com essa estrangeira por perto. Você poderia me ensinar como segurar uma adaga? Só por precaução? STEPHAN: (Para o movimento, surpreso): Lady Samantha? Uma adaga não é um brinquedo de costura. É pesada e suja as mãos. SAMANTHA: Eu não me importo com a sujeira. Importo-me com a minha segurança. Stephan suspira, mas cede. Ele se coloca atrás dela para corrigir a postura, segurando as mãos de Samantha para guiar a lâmina. O toque faz o soldado endurecido hesitar por um segundo. Samantha olha para ele por cima do ombro, e o silêncio entre os dois fica carregado. Giulia observa de uma janela alta e faz um sinal de "joinha" (que Samantha não entende, mas sabe que é positivo). O salão está magnífico. Os 12 ministros estão presentes, incluindo Leon, Klaus e Hector, que trocam olhares de desdém ao verem Alexander entrar. Mas o silêncio se torna absoluto quando Giulia entra ao lado da Princesa Emanuelly. Ela está usando um vestido azul-noite, mas com o cabelo solto e um olhar que desafia qualquer protocolo. Alexander a observa do trono; ele está usando o amuleto escondido sob a túnica, sentindo o peso do metal contra o peito. ALEXANDER: Senhores, apresento-lhes a nossa convidada. Ela veio de terras... distantes. Gostaria que cada um de vocês desse as boas-vindas que ela merece. LEON: (Curvando-se com falsidade): É uma honra, Majestade. Esperamos que a 'estrangeira' traga sabedoria, e não apenas distração para os assuntos do Estado. Giulia percebe a frieza de Leon e retribui com um sorriso afiado. Ela se senta à mesa real, quebrando o protocolo ao puxar sua própria cadeira antes que o servo o faça. Durante o jantar, enquanto os músicos tocam, Hector faz um sinal discreto para um guarda no andar superior. O plano é simples: soltar uma das correntes de um candelabro pesado de ferro sobre o lugar onde Giulia está sentada. Um "acidente" de manutenção. Giulia está rindo de algo que Emanuelly disse quando ouve um estalo metálico acima de sua cabeça. ALEXANDER: (Percebendo o movimento antes de todos): GIULIA! O Rei não pensa. Ele salta da mesa, derrubando taças de vinho, e puxa Giulia pela cintura com força bruta. O candelabro se choca contra a mesa exatamente onde ela estava, estraçalhando pratos e enviando faíscas para todos os lados. O salão fica em choque. Alexander ainda está segurando Giulia no chão, protegendo a cabeça dela com o braço. O peito dele sobe e desce, a respiração pesada. Pela primeira vez, a máscara de "Rei que não sabe amar" caiu diante de todos os ministros. Cena: O Quarto do Rei (Refúgio e Conflito) Local: Aposentos reais de Alexander. Portas trancadas. Stephan faz a guarda do lado de fora. Alexander caminha de um lado para o outro, furioso. Ele soca a parede de pedra. Giulia está sentada na beira da cama grande, tremendo levemente. ALEXANDER: Poderia ter sido o seu fim! Na minha mesa! Diante dos meus olhos! GIULIA: Alexander, olha para mim. Eu estou bem. Mas você não. Você quase se matou para me puxar. Todo mundo viu. Os ministros... o Leon... eles viram você perder o controle. Ele para e olha para ela. A respiração dele se acalma, mas o olhar é de uma intensidade assustadora. Ele se aproxima e segura o rosto dela com as duas mãos, uma vulnerabilidade que ele nunca mostrou a ninguém. ALEXANDER: Eu não me importo com o que eles viram. Eu só senti que o mundo pararia se aquele ferro te tocasse. Eu não sei que feitiço você trouxe do seu tempo, Giulia, mas eu não consigo mais imaginar este castelo em silêncio sem a sua voz. GIULIA (Lágrimas nos olhos): É por isso que eu tenho que ir, Alex. Eu sou um alvo. Enquanto eu estiver aqui, você vai baixar a guarda. Eles vão usar você para me atingir, ou me usar para destruir você. Eu não sou desse tempo. Eu sou um erro na sua linha histórica. Nos Aposentos reais. A luz das velas oscila com o vento que entra pela janela aberta. Giulia está com os olhos marejados, tentando convencê-lo de que sua partida é um ato de proteção. ALEXANDER: (Voz gélida e autoritária): Como me chamou? GIULIA (Confusa, limpando uma lágrima): Eu... eu disse Alex. É um apelido, uma forma de... ALEXANDER: Apelido? Você usa um diminutivo para o detentor do trono de um império? Você está diante do homem que comanda exércitos e decide quem vive e quem morre neste território. Ele se aproxima novamente, mas desta vez não há ternura. Ele usa sua altura para intimidá-la, reafirmando a hierarquia que ela tanto ignora. ALEXANDER: Para o meu povo, para os meus ministros e até para a minha própria família, eu sou o Rei. A liberdade que lhe dei não lhe confere o direito de diminuir a minha posição com nomes de camponeses. Isso não é apenas uma quebra de protocolo, Giulia. É uma falta de respeito que eu não toleraria de ninguém. GIULIA: Você está falando sério? Eu estou aqui tentando salvar a sua vida e você está preocupado com um título? Eu te chamei de Alex porque, por um segundo, eu achei que estava falando com o homem, não com a coroa! ALEXANDER: O homem é a coroa. Não existem dois de mim. Se você quer falar comigo sobre o destino deste reino ou sobre a sua permanência aqui, você o fará com a devida reverência. Ele aponta para o amuleto que está sobre a mesa. ALEXANDER: Você me chamará de Rei Alexander. E não ouse usar esse... esse 'apelido' novamente. Entendido? Giulia sente o impacto das palavras. O abismo entre os séculos nunca pareceu tão vasto. Ela percebe que, para ele, o poder é a única armadura que ele conhece — e que ele prefere se esconder atrás dela do que admitir que o nome "Alex" o fez sentir algo humano demais. Local: Um corredor estreito e úmido que leva às saídas de serviço do castelo. Clima: O som de goteiras e o eco de passos apressados. Giulia corre, segurando o amuleto contra o peito. Ela está acompanhada por Emanuelly, que olha para trás nervosa a cada segundo. EMANUELLY: Giulia, se ele descobrir que eu te dei a chave... ele nunca vai me perdoar. GIULIA: Ele vai superar, Manu. Ele tem um reino para governar e um título de 'Rei Alexander' para polir. Eu não encaixo aqui.
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