Longos e assustadores segundos se passam, e eu sou obrigado à quebrar o contato visual primeiro, sentindo Rafaella arquejar ao meu lado, ainda encarando o sujeito.
— Aquele é o Lucas?! — Ele exclama, embora seja baixo o suficiente para apenas eu escutar (pelo menos espero).
— Sim. — Solto um suspiro e dou de ombros.
— VOCÊ DISSE QUE ELE ERA ASQUEROSO E ESQUISITO, SEU MERDINHA!!— Ela rosna, me fazendo praticamente ataca-la e tampar a sua boca com a minha mão, porquê isso saiu bem mais alto do que o necessário, e eu já tô sentindo a vergonha queimar as minhas bochechas aqui.
— Ele é.
— Ele é um gostoso, Nick!! p**a m***a!! Aquele cara é de verdade mesmo?! — Ela praticamente surta, lambendo a palma da minha e me fazendo tirar a mão da sua boca na velocidade da luz, murmurando um "ecaaaa" demorado. Olho para Lucas uma segunda vez, checando a sua aparência pela primeira vez de forma minuciosa, desde que nos vimos, e para a minha surpresa, ele realmente é bonito pra caramba.
Ele não está vestindo um uniforme como o nosso, e sim uma camira preta justa, que abraça os seus músculos propositalmente, deixando-os mais visíveis. A parte de baixo consiste numa calça surrada que evidencia as suas coxas, mas não chega à ser apartada como uma skinny.
A pele marrom dourada me deixa em dúvida se ele é um pardo bronzeado ou um n***o com um tom levemente mais claro, mas é uma cor absurdamente deslumbrante, de qualquer jeito. Eu meio que sinto mais raiva dele por ser bonito e tão irritante ao mesmo tempo.
— Vamos pra sala, Ella.
— Okay okay. O seu irmãozinho postiço é do terceiro ano, né?
— Sei lá. Provavelmente sim. — Levanto do banco e a puxo pelo braço em direção à nossa nova sala, porque se essa s****a decidir que está apaixonadinha pelo mané ali, eu vou acabar com os dois.
?????
A nossa sala esse ano fica no segundo andar, e é espaçosa pra caramba, com umas oito fileiras de cadeiras e mesas azuis e bonitinhas. Antes, todas eram rabiscadas, mas depois de instalarem câmeras de segurança em cada sala e informarem que quem fizesse isso iria arcar com os custos (e receber uma advertência), agora elas sempre ficam limpinhas da Silva.
A gente tem o costume de sentar na frente mesmo, então Rafaella sentou na segunda cadeira da fileira do meio, e eu sentei atrás dela. A aula começou faz uns trinta minutos, e como sempre acontece, o professor de português pediu pra gente fazer um texto e explicando como foram as nossas férias.
Eu escrevo sem muita pressa, fazendo uma careta de desgosto para as minhas letras esquisitas, porquê faz muito tempo que peguei numa caneta e elas estão saindo todas tremidas (só o garrancho, basicamente). Tomo bastante cuidado para ficar só enrolando e não escrever nada demais, até porque sempre tem a probabilidade do professor querer que a gente leia isso pra classe inteira.
Também chegaram novos alunos na nossa turma, e tem um específico que é tão bonito que me faz suspirar baixinho. O seu nome é Pedro (talvez eu tenha prestado bastante atenção na chamada, só pra saber o nome dele), a pele dele é marrom escura e ele tem os lábios mais carnudos que eu já vi em toda minha vida (e altamente beijavéis).
Eu obviamente nunca tive uma vida sexualmente ativa ou algo assim. O máximo do máximo que eu já fiz foi dar um selinho rápido num menino no ano passado, e eu nem sei se isso é considerado perder o BV. Foi tão rápido que não deu nem tempo de sentir alguma coisa.
Acho que já está na época de começar a ter experiências, certo? Eu vou fazer 17 em poucos meses, e pra falar a verdade não sei como se sentir em relação à isso.
— Deixa eu ver o seu. — Rafaella olha por cima do ombro e murmura para mim, então trocamos rapidamente os cadernos e lemos o texto um do outro.
O dela está bom pra caramba, e ela basicamente falou de como foi passar as férias no interior (e assim como eu fiz, Ella tomou bastante cuidado para não colocar nada demais).
— Tá faltando um rombo aqui na sua história, amiga. Cadê a parte que você conheceu um caipira gostoso e se apaixonou por ele? — Provoco-a, abrindo um sorrisinho ao vê-la me lançar um olhar meio horrorizado.
Antes da aula começar, foi a vez dela me contar como foram as férias. E a cada cinco palavras que ela dizia, uma era "Diogo". Um """amigo""" que ela fez enquanto estava na fazenda dos seus avós.
— Hahaha. Engraçadinho. E cadê a parte em que você ganha a p***a de um príncipe Naveen que vai morar juntinho com você daqui pra frente? — Ela aponta para o meu texto e levanta uma das sobrancelhas, fazendo o meu sorriso morrer instantaneamente.
— eu enfiei no seu r**o essa parte. — Arranco o caderno da mão dela e fecho a cara, tirando uma gargalhada tão alta dela que o professor chama a nossa atenção e pede pra gente fazer silêncio.
?????
Na hora do intervalo, eu não fico nem um pouco surpreso ao ver Lucas sentado numa das mesas já com um grupinho de Minions do terceiro ano junto com ele. E pelo visto, Henrique virou o seu braço direito, e os dois estão batendo um papo daqueles.
A cena me faz soltar um suspiro baixinho, porque o garoto loiro sentado ao lado dele me infernizou o ano passado inteirinho.
— Vem Nick. Vamos sentar alí. — Ella me puxa pelo braço em direção a uma das mesas. Ela sabe que eu não gosto de comer aqui na escola porque tenho vergonha, então com o passar do tempo, ela nem insistiu mais em me convencer à fazer isso.
— Você precisa me contar todo o seu lance com o caipira gostoso. — ordeno, assim que sentamos.
— Ele é só um amigo, Nick.
— Até parece. Então porque seus olhos brilham toda vez que você pronuncia o nome dele? — Ergo uma das sobrancelhas e sustento o olhar. Ela me encara por longos segundos, como se tivesse disputando pra ver quem quebra o contato visual primeiro e perde a batalha aqui.
Por fim, eu faço ela rir baixinho e revirar os olhos, então ela começa a contar tudo, sem esconder os detalhes sórdidos dessa vez.