A noite seguia fresca, com uma brisa preguiçosa dançando entre os coqueiros da entrada do prédio luxuoso. Vinícius estacionou o carro com suavidade, desligou o motor e olhou de soslaio para Heleonora, que mantinha os olhos fixos na frente, silenciosa.
O trajeto inteiro foi um campo de batalha mudo.
A imagem de Santiago, cruzando o restaurante com a calma de quem sabe o poder que tem, ainda assombrava seus pensamentos. E o pior: Heleonora detestava admitir o quanto isso mexia com ela.
Vinícius desceu primeiro, contornou o carro e abriu a porta para ela. Como sempre, educado, controlado. Mas ela sabia quando um homem estava em modo de ataque.
O porteiro acenou com a cabeça em respeito, mas Vinícius m*l notou. Caminhou ao lado dela até o elevador. As luzes douradas do saguão criavam um brilho suave na pele clara de Heleonora, e o silêncio entre eles dizia muito mais do que palavras.
“Foi uma noite boa.” disse ele, com uma tranquilidade que não combinava com o que latejava sob sua pele.
“Mesmo com você olhando para o delegado o tempo todo.”
Ela virou o rosto com lentidão calculada, os olhos verdes brilhando com cinismo.
“Vinícius, você está vendo coisas e se essas coisas chegam até meu pai terei problemas”
Ele sorriu. Um sorriso perigoso, como o de quem está pronto para dobrar a aposta.
“Então não vou te perguntar de novo se posso te beijar.” murmurou, inclinando-se com intenção.
Ela deu um passo para trás, suave, mas firme. O salto estalou no piso de mármore como uma vírgula afiada.
“Não.” disse com frieza elegante. “Ainda é cedo para isso.”
Vinícius parou, sem insistir. Respeitou. Mas os olhos dele… esses não recuaram.
“Achei estarmos nos conectando.”
“Estamos.” ela cruzou os braços, a voz impassível. “Como parceiros. Uma causa nobre, lembra?”
Ele riu, amargo.
“Tem alguém?”
Ela soltou uma risada abafada, balançando levemente os cabelos ruivos como quem sacode uma lembrança incômoda.
“Não. Só estou ocupada… com coisas que você sabe que não são simples.”
Ele a observou por um instante, buscando mais do que as palavras diziam.
“Santiago?” jogou.
Heleonora prendeu o olhar nele. Por um momento, o ar entre os dois pareceu vibrar.
Depois, ela se aproximou lentamente, inclinando-se até sua voz virar um segredo:
“Vinícius… minha família é da máfia.”
Um sorrisinho lento curvou seus lábios.
“Eu jamais me envolveria com um policial.”
A frase ficou no ar como veneno com aroma de perfume caro.
Vinícius piscou devagar pensativo
A porta do elevador se abriu com um bipe metálico.
Sem pressa, Heleonora entrou.
Mas antes das portas se fecharem, lançou um último olhar por cima do ombro. Neutro. Irônico. Intencionalmente inescrutável.
“Boa noite, doutor Brandão.”
Click.
As portas se fecharam.
E Vinícius ficou ali. De mãos vazias. Com a sensação exata de ter perdido para alguém que sequer tentou.
Vinícius piscou devagar pensativo
A porta do elevador se abriu com um bipe metálico.
Sem pressa, Heleonora entrou.
Mas antes das portas se fecharem, lançou um último olhar por cima do ombro. Neutro. Irônico. Intencionalmente inescrutável.
“Boa noite, doutor Brandão.”
Click.
As portas se fecharam.
E Vinícius ficou ali. De mãos vazias. Com a sensação exata de ter perdido para alguém que sequer tentou.