15 - A ruiva irritante

1184 Words
*Michael PoV* Ambos estamos completamente chocados. Ela também me reconheceu. No segundo seguinte, minha visão periférica capta seu braço se erguendo e sua mão vindo de encontro ao meu rosto. Por pouco ela me acerta. Seguro sua mão com força e ela tenta me atingir com a outra, que eu também seguro. Perco a paciência e a pressiono de novo contra a parede. ㅡ Hei, sua maluca! Por que quer me bater? ㅡ Vai pro infe®no, seu bab@ca! Ela está bufando de raiva e eu começo a duvidar que seja a tecladista que tanto me encantou. A maluca do parque e aquela deusa ruiva não podem ser a mesma pessoa. Inclino minha cabeça para encará-la mais de perto. Outro erro. Nossos olhares se encontram e um arrepio me corre pela espinha. Uma sensação esquisita, não sei explicar o que é. Ela me observa com aqueles belos olhos da cor de uma floresta tropical, e eu vejo o mesmo desejo que sinto brilhar dentro deles. Seu corpo emana um calor e seu doce perfume floral é inebriante. Ela cheira a rosas, jasmim e sândalo. Nunca fui muito fã desse tipo de fragrância, porém combina perfeitamente com ela. Sua boca rosada se abre, lábios carnudos que parecem apetitosos. Ah, não, Michael! Não se deixe enganar! É só mais uma oferecida querendo se dar bem! Essa babá de cachorros deve ter ficado sabendo que eu ia tocar e invadiu o lugar. A amiga do Rico não precisaria disso. Porém, se essa doida entrou aqui procurando alguma aventura excitante, acabou de encontrar! Respiro fundo para sair do transe no qual ela me mantinha cativo e sorrio de forma contida. ㅡ Você se perdeu, garota? Imaginei que ela fosse gritar ridiculamente de euforia já que a estou tocando. As mulheres, principalmente fãs, sempre pulam em mim sem que eu faça o menor esforço. É irritante, às vezes, porém faz parte do papel. Posso suportar o assédio. Entretanto, não é o que essa faz. Ela gagueja, meio que perdida em meus olhos e eu faço um esforço para não me perder nos dela. ㅡ Não... Eu… Você está me machucando... Ah, merd@... Com toda essa tensão nos envolvendo, não percebi que estava segurando seus pulsos com tanta força. Afrouxo apenas um pouco a minha pegada para aliviar a pressão que meus dedos exercem sobre sua pele, porém me recuso a soltá-la de uma vez. Essa maluca já tentou me bater para, em seguida, me encarar como se eu fosse sua sobremesa predileta. Se eu soltá-la agora, sabe-se lá o que vai aprontar. Vou mostrar quem está no controle aqui, assim ela não vai poder fazer nada. ㅡ Você não parece se importar. Suas bochechas infladas e coradas seriam fofas, não fosse sua língua afiada. ㅡ Está enganado. Pelo visto, seu ego ridiculamente grande vai explodir! Isso deve ser alguma pegadinha do Pete ou do Rico. Por que ela está me desafiando assim? Qualquer outra já teria arrancado a roupa. Até parece que não sabe quem eu sou. Se for uma brincadeira, ela vai se queimar, pois posso ver o desejo nos olhos dela. Vamos ver se vai fingir tão bem depois que eu a beijar. O que não seria de todo ruïm. Essa boca parece deliciosa e esse corpo é uma tentação. Sorrio maliciosamente. Ela lembra uma coelhinha assustada, enquanto aproximo meu rosto um pouco mais. Então, escuto o barulho da porta dos fundos se abrindo e Rico e Pete entram, o que me faz parar minha investida. Afasto-me um pouco apenas, sem liberá-la. Salva pelo gongo… ㅡ Hei! O que pensa que está fazendo? Ela não é uma das suas tietes! Solte-a! Pete parece aborrecido, porém não me importo. Continuo com meus olhos vidrados nela. Então, Rico completa. ㅡ Ela está comigo, Michael. É uma amiga, aquela que te falei por telefone. Não pode ser… Essa garota desaforada não pode ser a mesma tecladista sensível daquele dia, no entanto quantas amigas ruivas ele têm? Rico disse que ela está com ele, então… Está explicado. É a paquera dele. Contenho minha decepção e a solto de vez. Eu me aproximo dos rapazes, put0 da vida por essa situação de merd@. ㅡ Sua namoradinha não tem nada para fazer aqui, Rico! Ele faz uma carranca, porém, quando vai me responder, a voz irritada e fria dela me atinge. ㅡ Não sou namoradinha de ninguém! Não vim aqui com esse tipo de interesse! Eu só estava dando sorte ao seu amigo Pete, cuidando de suas baquetas! Algo mudou nela. Está me encarando de braços cruzados, como me desafiando. Até parece que ela sabe algo que eu não sei. Só então vejo as baquetas no chão. Estive tão envolvido por essa mulher que sequer notei que ela estava com elas, muito menos quando as deixou cair. Provavelmente, foi quando a encurralei contra a parede. Mas, eu me recuso a dar para ela o gostinho da vitória. ㅡ Percebo o quão brilhante você foi ao cuidar delas. ㅡ Fui obrigada a soltá-las! Não tenho culpa se um ogro sem educação como você pode transitar livremente por entre pessoas normais e jogá-las contra a parede! Ela está muito distante da garota assustada de antes e, definitivamente, não deve ser a amiga do Rico que Fabian assediou. Todo o remorso que senti se dissipa rapidamente e o meu modo de caça entra no automático. Passo meus olhos por seu corpo como se arrancasse suas roupas, porém ela tem um prazer enorme em me enfrentar. ㅡ O que está olhando? Perdeu sua licença quando agiu como um cão raivoso comigo? Cuidado com a carrocinha, viu? Que mulher irritante! Ela olha para o Pete e não consigo identificar o que se passa em sua cabeça. Provavelmente, a interpretei erroneamente desde o começo. Deve estar usando Rico para se aproximar do meu baterista. Ou talvez esteja usando os dois para chegar até mim e, se fazer de difícil, é a sua estratégia para me fisgar. Mulher nenhuma conseguiu essa proeza, desde que eu perdi a virgindade há mais de uma década atrás! Não vai ser essa louca que vai me enredar! ㅡ Ah... Não veio aqui com nenhum interesse, certo? Sei... O jeito que ela me examina diz tudo. Ela me come com os olhos descaradamente. Até acho graça quando ela cora ao perceber que a vejo conferir meu abdômen e virilha. Ainda assim, ela finge total desinteresse por mim. Gostou do volume, não é? Uma ova que não me quer! Guardo o pensamento para mim mesmo e resolvo me afastar. Não vale a pena, é só mais uma tiete aventureira que enganou esses dois molengas. Entretanto, a mim ela não engana. Pego minha guitarra com cuidado pelo braço e aponto na direção do Pete e do Rico. ㅡ Quero ela fora daqui! Volto para o camarim, batendo a porta atrás de mim. Quem aquela garota pensa que é? Falar comigo daquele jeito, como se ela não fosse uma fã querendo t®epar comigo! Fod@-se! Respiro fundo e então sou arrebatado por esse perfume que ficou entranhado na minha pele. O perfume dela. Esse cheiro é tão inesquecível quanto ela…
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