*Amber Lee PoV*
Percebo que ele também me reconheceu. Tirando o Fabian, nunca bati em ninguém em toda a minha vida. Porém, minha primeira reação é lhe dar um tapa, entretanto ele segura meu pulso. Tento com a outra mão e ele me impede novamente. Ele fica irritado com minhas tentativas frustradas de lhe dar um corretivo pela ousadia e me pressiona contra a parede mais uma vez.
ㅡ Hei, sua maluca! Por que quer me bater?
ㅡ Vai pro infe®no, seu bab@ca!
A raiva que me consome é sobre humana, me fazendo perder o controle da respiração.
Eu deveria ter visto o vídeo que a Lauren queria me mostrar dele! Se eu soubesse que era esse c®etino, jamais teria vindo!
ㅡ Você se perdeu, garota?
Sua pergunta tem um tom esquisito, quase gozador, além do sorriso irritante no canto da boca. Estamos meio perdidos no olhar um do outro e eu tento não me envolver por sua aura magnética.
Ele não é diferente de qualquer outro imb&cil, Amber Lee! Não se deixe enganar por essa carinha bonita e esse corpo perfeito!
ㅡ N-não... Eu… Você está me machucando...
Eu quero me estapear por gaguejar diante dele. Minha resposta o faz afrouxar a pressão que exerce nos meus pulsos, mesmo assim ele não os solta.
Na certa ele está achando que vou pular nos braços dele por causa de sua aparência. Só que eu não sou dessas!
ㅡ Você não parece se importar.
Sua petulância é o fim da picada. Não bastasse a grosseira, ele ainda é abusado. Não deixo barato e ligo meu modo desaforado para lhe responder.
ㅡ Está enganado. Pelo visto seu ego ridiculamente grande vai explodir!
Por um instante, ele se surpreende, para depois sorrir de forma maliciosa. Seu rosto se aproxima do meu, o prenúncio de um beijo que não sei mais como é há muito tempo. Sinceramente, não sei o que esse homem tem que me mantém tão presa à sua mercê. Sou salva pelo gongo quando ouvimos o barulho da porta dos fundos se abrindo e Rico e Pete entram. Se ele ia me beijar, eu não sei. O fato é que ele se contém e afasta seu rosto, porém não me liberta.
ㅡ Hei! O que pensa que está fazendo? Ela não é uma das suas tietes! Solte-a!
A voz aborrecida do Pete não o faz desviar seus olhos dos meus, como se estivéssemos presos um ao outro. Então, ouço Rico se explicando.
ㅡ Ela está comigo, Michael. É uma amiga, aquela que te falei por telefone.
Michael? O bab@ca do parque é o amigo do Rico que a Lauren descreveu como um devorador de corações? Não posso crer! Se bem que até faz sentido… Pelo menos, agora sei com quem estou lidando.
Ele parece decepcionado de alguma forma, até aborrecido, e me solta de uma vez, para se aproximar dos rapazes.
ㅡ Sua namoradinha não tem nada para fazer aqui, Rico!
Namoradinha? Quem ele pensa que eu sou?
Rico e Pete também não gostam da forma como ele se referiu a mim, como se eu fosse uma qualquer. Decido me defender, não vou deixar esse ot@rio falar de mim desse jeito. Apesar de irritada, minha voz assume um tom frio que até mesmo eu desconhecia.
ㅡ Não sou namoradinha de ninguém! Não vim aqui com esse tipo de interesse! Eu só estava dando sorte ao seu amigo Pete, cuidando de suas baquetas!
Cruzo meus braços em desafio. Não caio mais no seu jogo intimidador. Ele nota as baquetas no chão, que por culpa dele deixei cair, porém não dá o braço a torcer.
ㅡ Percebo o quão brilhante você foi ao cuidar delas.
Que abuso! Mas eu não vou deixar barato!
ㅡ Fui obrigada a soltá-las! Não tenho culpa se um ogro sem educação como você pode transitar livremente por entre pessoas normais e jogá-las contra a parede!
Ele me olha como se eu fosse sua sobremesa favorita. Eu mantenho meu modo defensivo.
ㅡ O que está olhando? Perdeu sua licença quando agiu como um cão raivoso comigo? Cuidado com a carrocinha, viu?
Apesar da minha raiva, é difícil me concentrar nela. Seu peito nu exposto acaba com o meu foco. Desvio meu olhar para o Pete, implorando mentalmente para que ele tire seu amigo daqui.
ㅡ Ah... Não veio aqui com nenhum interesse, certo? Sei…
A ironia desse Michael me deixa put@. Volto meu olhar para ele e o examino de cima a baixo, tentando intimidá-lo da mesma forma que ele fez comigo. Grande erro. Acabo notando o volume na calça de couro apertada e tenho que fazer um esforço para não engasgar.
Isso é uma e®eção ou é natural? Não me lembro do Kevin ser tão grande!
Eu me envergonho dos meus próprios pensamentos luxuriosos, quando me pego querendo ver mais desse corpo masculino perfeito diante de mim. Sinto minhas bochechas arderem e rezo para que eu não esteja corada como uma colegial no auge dos hormônios.
Estou tão perdida em mim mesma, que sequer percebo quando ele se retira, levando a guitarra consigo, praticamente gritando antes de bater a porta do camarim.
ㅡ Quero ela fora daqui!
Rico se aproxima de mim, com um olhar cheio de culpa, enquanto pego as baquetas do chão.
ㅡ Ojitos, me desculpe. O Michael é um cara legal, quando ele deixa as pessoas se aproximarem e…
ㅡ Legal? Ele me atropelou como um trator por causa daquela guitarra velha!
Ele e Pete se entreolham de olhos arregalados e o baterista limpa a garganta antes de falar.
ㅡ Você mexeu nela?
ㅡ Ela estava jogada no canto. Ia colocá-la em um lugar seguro, mas nem deu tempo, pois o seu amigo me jogou contra a parede!
Também vejo culpa em seu olhar e ele coça a nuca.
ㅡ O erro foi meu. Com tanta coisa para fazer, deixei ela aqui. O Michael não permite que ninguém mexa nela, além de mim e do Rico. Mesmo assim, só se for muito necessário.
ㅡ Percebi isso na pele. Só não vejo razão para a reação exagerada dele por causa de uma guitarra!
Rico segura minhas mãos entre as suas, com o olhar mais triste que jamais achei que fosse ver em seu rosto.
ㅡ Aquele instrumento é a única lembrança boa que sobrou de sua vida. É como uma âncora, que o lembra todos os dias sobre como manter a sanidade. Não estou querendo desculpar a forma estúpida como ele te abordou, mas ele só tem muita bagagem ruïm nas costas e, na maioria das vezes, ele não sabe lidar com isso. Não leve para o lado pessoal, ojitos.
Apesar de ficar tocada com o que ele me conta, meu orgulho fala mais alto.
ㅡ De qualquer forma, isso não é desculpa para ser rude com as pessoas, Rico! Todo mundo passa por coisas difíceis na vida. Se o seu amigo tem problemas existenciais, então que ele vá procurar uma terapia!
Volto para o salão e me junto a Lauren em nossa mesa. Peço um drinque para espantar o peso daquele olhar oceânico que ainda sinto sobre mim.
Esqueça esse idïota, Amber Lee! Não vale a pena! Ele é encrenca! Mesmo que sua imagem esteja gravada nas minhas memórias…