62 - Sol, Fá e coração

2263 Words
*Amber Lee PoV* Michael não perde tempo e me beija com fervor. Quando separamos nossos lábios, ele pega o anel com a pulseira de clave de Sol e coloca na minha mão direita. Depois, eu faço o mesmo por ele com a quem tem a clave de Fá. ㅡ Você gostou, little bunny? ㅡ É lindo… Mas, não entendo porque claves. Normalmente não são corações? E por que a sua é diferente da minha? ㅡ Nossa, quantas perguntas… Bom, eu achei que deveríamos usar algo que nos lembrasse do que nos uniu: A música. A clave de Sol comumente é usada para representar vozes femininas, por isso a escolhi para a sua pulseira, enquanto a de Fá é usada para vozes masculinas, no caso, a minha. E quem disse que não há corações? Levanto as duas sobrancelhas de curiosidade, enquanto o vejo colocar nossos pulsos lado a lado. Ele inverte uma das claves de Sol da minha pulseira, deixando-a de cabeça para baixo, e coloca uma das clave de Fá da pulseira dele ao lado. Fico boba com sua engenhosidade, pois, nessa posição, elas formam realmente a silhueta de um coração. ㅡ Devo admitir que você se superou… ㅡ Meu olhar recai sobre a caixa com o lírio branco nela. ㅡ Até da minha flor favorita você se lembrou. Pelo menos, não é uma cesta enorme dessa vez. Nós dois rimos e ele coça a nuca um pouco sem graça. ㅡ Eu exagerei, certo? ㅡ Totalmente. Por que apenas o branco agora? ㅡ Você se lembra do cara excepcional que falei antes? Ele é muito culto e acho que tem como hobby estudar o significado das flores. Comentei com ele sobre os lírios e que não conseguia escolher qual cor usar como enfeite. Ele me disse que lírios brancos simbolizam a pureza do corpo e da alma, a inocência, amor incondicional e a lealdade. Fico sem palavras um momento. A briga que tivemos em sua cozinha passa como um flash pela minha cabeça e o medo se apossa de mim. ㅡ Não sou tão inocente assim… Deixei aquele monstro se aproximar de mim e agora, estou te dando um trabalho gigantesco. ㅡ Você não deixou. Ele era um abusador, mereceu o fim que teve. O que eu falei sobre se culpar, heim? Ele dá um peteleco suave no meu queixo e eu rio. ㅡ Tudo bem. Acho que tenho que trabalhar nisso ainda. Não é que eu não confie em você… ㅡ Eu sei, little bunny. Não se preocupe. Vamos fazer isso juntos. Eu o encaro confusa. ㅡ Juntos como? ㅡ Exercícios de confiança. Você confiaria em mim? ㅡ Sobre o quê? ㅡ Primeiro me responda. ㅡ Como? Eu nem sei do que se trata! ㅡ Esse é o ponto. Eu aprendi a confiar em você. Agora, é a sua vez. Oh… Ele pegou pesado… ㅡ Tudo bem… ㅡ Deite-se e feche os olhos. Decido fazer uma última brincadeira para relaxar. Não sei o que ele pretende, porém eu certamente não quero ter outra reação que o deixe frustrado. ㅡ Se cortar o meu cabelo, juro que raspo a sua cabeça! Ele meio que leva as mãos à cabeca, escondendo suas madeixas de mim. Depois, me encara com um maravilhoso sorriso. ㅡ De onde você tira essas coisas? Não sou um psicopata totalmente. ㅡ Totalmente? Eu deveria me preocupar? ㅡ Só se você não confiar em mim. Agora, quer fazer o que pedi? *Michael PoV* Ela me mostra a língua, sorri lindamente e fecha os olhos. Respiro fundo e coloco uma mão sobre seu umbigo. Sempre está vestindo algo que o deixa de fora, assim como suas pernas. Como hoje, uma camiseta curta e short. Sei que não é para me provocar de propósito. Ela só não faz ideia do quanto eu a desejo. Seu corpo estremece com meu toque e ela me encara. ㅡ O que vai fazer? ㅡ Você não disse que ia confiar em mim? Ela gira os olhos nas órbitas e os fecha novamente. Aproximo meus lábios de seu ombro e os passo sobre sua pele levemente, enquanto minha mão em sua barriga faz suaves carícias. Sua reação é instantânea, pois seu peito sobe e desce mais rapidamente. Deslizo minha mão de sua barriga até seu rosto, passando por entre seus s&ios, sem tocá-los. Ela geme e eu coloco um dedo sobre seus lábios, enquanto beijo demoradamente sua bochecha, sentindo seu calor. Sua cabeça gira na minha direção e, mais uma vez, estamos a milímetros de um beijo. Seus olhos se abrem e ela sorri, então percebo como gostaria de completar a beleza desse momento. Juro que estou tentando encontrar as palavras para dizer como me sinto, porém elas parecem ter se perdido no fundo do meu estômago. Sua boca vem de encontro a minha e eu esqueço todo o resto. É um beijo cúmplice, sem pressa. Puxo seu corpo contra o meu, deitados de frente um para outro na cama. Mantenho minhas mãos comportadas, porém Amber Lee tem outros planos. Eu quase grito de excitação quando ela tira a minha mão de seu quadril e a coloca sobre seu s&io esquerdo devagar. Eu analiso seu rosto, medindo sua reação, até ela se explicar. ㅡ Confiança, certo? Ela morde aquela linda boca e eu aceno com a cabeça. Volto a beijá-la, enquanto acaricio seu p&ito com o polegar lentamente. Faço movimentos circulando o s&eio por cima da camiseta. Quando meu dedo alcança o m@milo, ela agarra o meu rosto, rosna na minha boca e me beija com uma fome que é uma novidade para mim. Acho que seu jeito arredio de ser vai além do trauma que passou. Até parece que ela nunca foi tocada desse jeito… Deixo as dúvidas na minha cabeça para trás, conforme acaricio seu corpo. É como se eu tivesse acionado uma chave-mestra, acendendo desejos que talvez nem ela mesma saiba que tenha. Ela corresponde ao meu toque colocando uma perna no meio das minhas, esfregando sua coxa contra o meu memb®o. Eu deliro com esse clima íntimo que cresce entre nós, me envolvendo cada vez mais. Então, meu celular toca lá da cozinha. Eu havia me esquecido dele completamente. Fico irritado por pouco tempo com a interrupção, pois, logo, reconheço o toque diferenciado que coloquei para o McGregor. Ele não me ligaria uma ho®a dessas se não fosse algo sério. ㅡ Little bunny, eu tenho que atender. ㅡ Tudo bem… Ela suspira decepcionada e eu acaricio seu pescoço, fazendo uma última provocação ao passar meus lábios sobre os dela. Levanto-me a duras penas, localizo meu aparelho sobre a bancada da cozinha e o atendo. A voz do meu CEO ecoa seriamente. ㅡ Nível um. Arregalo os olhos e fico boquiaberto. Combinamos que esse termo seria referente à uma questão de vida ou morte. ㅡ Estou à caminho. Ele desliga e vejo Amber Lee surgir e se apoiar no batente da porta do meu quarto. ㅡ Michael, o que foi? Até parece ter visto um fantasma. Olho para ela e forço um sorriso. ㅡ Eu tenho que ir para a empresa. ㅡ Mas... Agora? Ela desvia o olhar para o chão e eu percebo o que se passa em sua cabeça. Aproximo-me dela e levanto seu queixo. ㅡ Não ouse pensar nenhuma besteira, little bunny. *Amber Lee PoV* Fico surpresa com sua perspicácia. Acho que ele aprendeu a me ler como um livro aberto. ㅡ É que… Nós estávamos lá… E agora você tem que sair correndo… Seus braços me envolvem e ele deposita um suave beijo nos meus lábios. ㅡ Você não faz ideia de como eu gostaria de ficar e curtir você. Mas, a ligação que eu recebi… Era o McGregor. Arregalo os meus olhos e o seguro pelos ombros. ㅡ Era o CEO? O que está esperando? Não deixe o homem esperando! Eu começo a empurrá-lo para o quarto e ele busca uma camisa branca, coisa rara em seu guarda-roupa, e coloca uma jaqueta preta por cima. ㅡ Você não vai ficar chateada? ㅡ Sei que você tem um ótimo relacionamento com o chefão, caso contrário não teria conseguido o emprego para mim. Se ele ligou para o seu celular tão tarde, deve ser importante. Agora que nossa situação está às claras, eu me sinto mais segura. Sem minhocas na cabeça. Prometo. Beijo meus dedos cruzados sobre os lábios e ele sorri. Ele faz um carinho na minha bochecha. ㅡ Isso mesmo. Somos namorados e vamos ter muito tempo para nós. De repente, ele parece preocupado. Não creio que seja por ter que sair. Eu realmente não me sinto insegura quanto a isso. ㅡ O que foi, Michael? Eu já disse que… ㅡ Eu sei… Só, me lembrei da Dorothy. Ela não vai aceitar nosso namoro numa boa. Não é que eu precise da autorização dela, mas tenho que ter uma conversa definitiva com ela antes de tudo. Entendo sinceramente a angústia dele agora. Eu sorrio e acaricio seu rosto. ㅡ Você quer que eu esteja junto quando falar com ela? ㅡ Não sei se seria uma boa ideia. Ela pode se sentir afrontada. Nisso ele tem razão. Para a Dorothy, eu sou uma penetra e, agora, uma ladra, pois, na cabeça doentia dela, Michael lhe pertence. Acho que essa conversa eles terão que ter a sós. ㅡ Tudo bem. Até falar com ela, vamos ser discretos sobre o nosso namoro. Melhor assim? O olhar dele se ilumina e eu ganho um beijo delicioso. ㅡ Eu já disse como você é incrível? Dou uns tapinhas no seu peito e rio. ㅡ Já sim. Agora vamos. O CEO está te esperando. ㅡ Certo. Eu deixo você em casa. ㅡ Preciso comprar umas coisas. Pode me deixar no Whole Food aqui do Chelsea? *Michael PoV* Confiro o horário no celular e vejo que passa das dez ho®as. ㅡ Está tarde. Tem certeza? ㅡ Eu pego um táxi de lá. Vou ficar bem. ㅡ Ela diz, pegando seus pertences no sofá. ㅡ Tudo bem. Porém, prometa que vai mandar uma mensagem assim que chegar em casa. ㅡ Sim, papai! Nós dois rimos e saímos. Deixo-a no mercado vinte e quatro ho®as e sigo para a McGregor Corporation. Ethan chega quase ao mesmo tempo que eu. Para o meu espanto, ele, Mayra e o segurança dele não estão na limusine e, sim, em um sedan preto. Parecem ter acabado de sair de uma zona de guerra. Mayra inclusive tem um corte feio no joelho, assim como Ethan tem um ferimento no ombro. O que ele me conta é estarrecedor. *Amber Lee PoV* Faço minhas compras cantarolando e dançando pelo corredor do mercado. Uso até uma garrafa de azeite como microfone. Devo parecer uma louca, mas não estou nem aí. Nós estamos namorando! Não demoro muito, levo uns vinte ou trinta minutos no máximo, pois o mercado está vazio. Pago as coisas que comprei e pego um táxi na porta. Quando nos aproximamos do bairro de Hell's Kitchen onde moro, o trânsito fica muito intenso. O que é estranho, levando-se em conta que já passa das onze ho®as da noite. Carros de polícia, ambulâncias e bombeiros pedem passagem através do engarrafamento, um monte deles. O que será que aconteceu? Ao longe, vejo uma coluna de fumaça e um brilho alaranjado. Parece um incêndio. Eu cutuco o ombro do motorista. ㅡ O senhor sabe o que é aquilo? Ele olha na mesma direção que eu e suspira. ㅡ Um prédio explodiu a pouco mais de uma ho®a. Ouvi dizer que tem muitas vítimas. Levo uma das mãos ao peito, completamente chocada. ㅡ Que horror! Como um prédio explode assim, do nada? ㅡ Não faço ideia, moça. Mas, no rádio disseram que não sobrou quase nada do lugar. Por isso o trânsito está um caos na região, algumas ruas foram interditadas e, a todo momento, chegam reforços para ajudar nas buscas por sobreviventes. Moro a uma distância segura do lugar da explosão. Os vizinhos estavam na porta do meu prédio, comentando sobre a tragédia. Todos ouviram o estrondo, sentiram as paredes tremerem e viram a fumaça. Decido não ficar para fofocar. Nunca gostei desse tipo de desastre, ainda mais com vítimas fatais. Tenho que mandar uma mensagem para o Michael. Entro no meu apartamento, já com o celular em mãos. “Já cheguei. Soube do prédio que explodiu?” A resposta dele não demora a chegar e até me diverte. “Por favor, me diga que você não foi até lá.” “Não, estou segura dentro de casa. Mas, demorou uma eternidade. O bairro todo está um caos.” “Que bom. Não saia do apartamento e não abra a porta para estranhos. Pessoas m*l-intencionadas podem se aproveitar da confusão para vandalizar e roubar.” Sua preocupação é comovente e eu sorrio para o meu aparelho, como se Michael estivesse diante de mim. “Vou ficar quietinha. E o trabalho?” “Tive uma reunião com McGregor. Houve um problema nos servidores do meu andar. Provavelmente, vou levar grande parte da noite para resolver.” Fico com pena dele ter que trabalhar noite adentro. Porém, como responsável, acho que ele não tem muita opção. Mesmo assim, demonstro minha solidariedade. “Nao se mate de tanto trabalhar. Até os chefes precisam descansar um pouco.” “Não se preocupe, estou acostumado com o ritmo. Só lamento não poder curtir a minha namorada.” “Haverá outras oportunidades.” “Esteja certa que sim. Boa noite, little bunny. Sonhe comigo.” Olho para o brilho prateado do meu anel-pulseira e sorrio. “Certamente irei. Boa noite.”
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