Capítulo 17

2071 Words
O ensaio havia ocorrido bem, quem quer que fosse talvez não quisesse agir ainda, talvez só quisesse assustar e fazer com que ela não fosse bem nos ensaios. Ainda na teoria de que a pessoa era uma garota que queria o papel de Odette, por isso fora atrás de Donna e agora estava atrás dela. Alice analisou os fatos que sabia até o momento. Donna estava morta, quem quer que fosse estava atrás dos diários e antes disso tentou incriminar Alice pelo crime, talvez acidental. Ela bateu os dedos na escrivaninha. A foto agora em cima da escrivaninha parecia gritar: PISTA AQUI!  Só que ela não sabia qual a pista. Só conseguia concentrar- se na ameaça do primeiro e do segundo bilhete. Estavam tentando eliminá-la, mas também a matariam? Ela não tinha certeza. O que mais tinha? A garrafa de água com VI, parecia algo como Victoria ou outro nome com VI, mas não era exatamente um nome difícil de ser achado. As sapatilhas de ponta, pareciam como as suas, mas não eram. Seria muito estranho se ela saísse comparando as curvas dos pés? Provavelmente. — Pare de pensar, eu consigo ver a fumaça saindo de sua cabeça. — reclamou Tori — Era para vermos um filme juntas, mas faz meia hora que saí do banho e você está aí pensando nessa história. — Desculpe, é que todas essas coisas não parecem fazer sentido, como um quebra-cabeça que está faltando uma peça e como estão me ameaçando, bem estou preocupada. — Alice explicou. — Amiga, eu sei disso, mas se você focar toda sua concentração e energia nisso, não vai sobrar nada para você ser a Odette.  — Odeio quando você tem razão.  Alice deixou a foto e as ameaças no cofre antes de sentar-se na cama para assistir algo na televisão com Tori. — Acho que você precisa de algo bem leve, que tal Barbie? — Ah, eu adoro Barbie! — Alguma das histórias de balé ou nada relacionado a isso? — Meu favorito é A Princesa e a Plebéia, mas podemos assistir qual você quiser. — ela estava sendo sincera. — Eu adoro esse, claramente eu seria a Anneliese e você minha Érika.  — Será que em meu final também vou casar com um lindo príncipe? — Príncipe eu não sei, mas você está pegando um dos caras mais ricos e bonitos desse internato. — rebateu Tori com um risinho — Afinal, vocês dois são o que? Faz uns três meses que ele ronda você e não tem ficado com mais ninguém e desde que vocês foram à Ópera estão inseparáveis. Ele parece realmente apaixonado. — Eu acho que estamos saindo. Não sei, não tem um título, ao menos, nenhum de nós diz qualquer título.  — Hm, não é o suficiente. Ela pulou da cama e arrastou Alice pelos corredores até os dormitórios masculinos, naquele momento a bailarina percebeu que nunca tinha ido ao quarto de nenhum dos rapazes. Imaginava que a estrutura e a cor das paredes seria igual, mas como eles decoravam? Tori bateu em uma das portas e um rapaz do último ano abriu, ao ver as duas abriu um sorriso malicioso. — Nem comece, só estamos procurando o quarto de Ethan, a namorada dele precisa falar com ele. — Bem que eu ouvi sobre Hall estar comprometido, se eu soubesse que ela era gata assim, eu talvez tivesse pego pra mim primeiro. — Bem, ela não está interessada, mas eu estou, Tori Wright, ala feminina, quarto treze. — Alexander Jackson, ala masculina quarto 1. O quarto de Hall é o último do corredor à esquerda, número 20. — Pode deixar que eu manterei contato Alex do quarto 1, mas agora com licença. E sem dizer mais nada saiu puxando novamente Alice pelo corredor. Ao chegar no quarto que queria, a loira bateu na porta e esperou. Alguns segundos depois um Ethan apenas de calça de moletom abriu a porta. — Tori? Alice? Aconteceu alguma coisa? — ele perguntou imediatamente e com uma voz muito preocupada, assim como a expressão. — Não, está tudo bem. — Alice garantiu e ele relaxou. — Eu vim sanar uma curiosidade pessoal, desculpe pelo susto. — Tori esclareceu — Eu gostaria de saber qual o status entre vocês, tipo, é sério? Quão sério? Há nomes? Não há rótulos? — Isso foi tudo ideia dela, eu não tenho nada a ver com isso. — garantiu Alice. — Nós não conversamos sobre isso porque eu não quero pressionar sua amiga, ela me pediu para irmos devagar e eu estou indo. — ele clarificou para Tori — Mas se você quiser e aceitar, Ali, gostaria que se tornasse minha namorada.  Alice ficou imóvel e chocada por um momento até sentir Tori a empurrando de leve na direção de Ethan. A castanha piscou algumas vezes antes de sorrir. — Desculpe, eu não estava esperando por isso, nem sabia o que a maluca da minha amiga iria fazer. — ela olhou para Tori com cara f**a antes de se virar para Ethan de novo — Eu adoraria ser sua namorada. Ethan se aproximou de Alice e puxou para mais perto pela cintura antes de beijá-la. Era um beijo doce, suave, demonstrando todo o seu amor e carinho por aquela garota.  — Fico feliz de Tori ter te arrastado para cá.  —E agora vou arrastar de volta para o nosso quarto, vamos assistir Barbie.  Tori mostrou a língua para Ethan e agarrou a mão da amiga arrastando a garota de novo pelos corredores até o quarto delas. Alice deitou na cama e Tori pulou em cima dela em um abraço. — Garota, você fez o impossível, transformou Ethan em alguém que quer um relacionamento com uma única garota.  — Eu não fiz nada além de deixar claro que se ele quisesse algo comigo, era pra valer ou então ele deveria se manter afastado romanticamente. A decisão foi toda dele e a mudança também. — Mas você foi o motivo. — Acho que podemos dizer isso. Tori riu e saiu de cima da amiga. Pegou o computador e colocou o filme para elas assistirem. Aproveitou para pegar alguns doces escondidos na gaveta da mesa de cabeceira.  — Contanto que a Madame não saiba, está tudo bem. — Amanhã podemos fazer alguns exercícios a mais para m***r as calorias, fique despreocupada e coma. — Alice falou para a amiga que parecia se esforçar demais para ser natural. Parece que foi o que Tori precisava ouvir, ela relaxou e abriu o pacote de balinhas de gelatina que tanto amava.                                                                              *** Flashback, um dia antes da morte de Dominique Alice estava sentada na cama de Donna que andava de um lado para o outro, parecia preocupada com alguma coisa. De acordo com ela, Verona estava em um encontro, mas não era essa sua preocupação. — Donna, respire e me diga o que aconteceu. — Alice pediu com uma voz mais séria. — Nada, não se preocupe, pode ir dormir, eu já vou. — respondeu a loira desconversando. Alice levantou da cama e caminhou até parar na frente da amiga, colocou as mãos nos ombros dela e a fez se sentar na cama. Alice ajoelhou na frente de Donna e apoiou os braços nos joelhos da amiga. — Converse comigo. — ela pediu. — Todos esses acidentes, eu não acho que sejam coincidência. E estou preocupada com isso, com medo do que pode acontecer. — ela confessou. — Você falou com a Madame ou com a polícia? — Não falei com ninguém, você é a primeira. Eu achei que estava ficando louca, nada disso faz sentido. — Nada o que faz sentido, Donna? — Obrigado pela conversa, nos falamos amanhã, preciso fazer uma coisa. Dominique levantou de repente, pegou um casaco no armário e saiu do quarto sem que Alice pudesse ter tempo de processar o ocorrido. A bailarina se ergueu do chão e deu uma olhada ao redor do quarto, um bilhete chamou sua atenção: “Se você não quer se machucar, tudo o que precisa fazer é abrir mão”. Abrir mão do que? Alice franziu o cenho, perguntaria sobre aquilo no dia seguinte. Algumas coisas precisavam ser esclarecidas, a conversa entre elas não havia feito nenhum sentido que fosse.  Ela saiu do quarto da amiga e fechou a porta atrás de si. Viu Callie cruzando o corredor gritando palavras que Alice simplesmente não entendeu enquanto corria atrás de Dominique. Tori saiu do quarto delas com uma cara de quem havia sido acordada do sono. — Por que Callie está gritando e perseguindo Donna pelo corredor? — Não sei, deixe que elas se resolvam, volte a dormir, anda. Alice olhou uma última vez para as figuras que já sumiam na curva do corredor. Guiou Tori de volta para o dormitório delas e deitou a amiga na cama. Desligou as luzes e se deitou na própria cama, mas ela encarava o teto tentando tirar sentido de tudo aquilo.                                                                              *** A bailarina estava deitada no colo de Ethan enquanto lia o diário, eles estavam aproveitando a tarde de folga do sábado no terraço, haviam saído para tomar sorvete, agora estavam descansando em um lugar quieto. Alice se levantou em um sobressalto fazendo o namorado se assustar.  —Desculpe. É que achei algo que acho que é importante. Vou ler. — ela anunciou e limpou a garganta antes de começar a ler — “Hoje foi um dia estranho, todos pareciam impressionados com como eu era uma boa Odette, eu sabia que muitos me subestimavam, mas não foi isso a parte estranha. Faz um mês que começamos os ensaios e hoje encontrei em minha mala um crisântemo branco com um bilhete escrito: a beleza da história de Odette é que ela morre lutando pelo que acredita, você também morreria assim?” — Ok, uma ameaça de morte bem sutil e velada. — comentou Ethan. — Ela discorre sobre o que ela pensa que significa, mas inicialmente ela não pensa que é uma ameaça. Nas páginas seguintes nada, passa uma semana sem que ela receba nada. Então duas semanas depois ela ganha uma dobradura de cisne pedindo que abrisse e nele estava escrito: “Você sempre teve tudo de mão beijada, o mundo aos seus pés e tirou tudo o que eu queria. E se eu tirar o que você sempre quis?”. — A vida? — Não, eu acho que era o papel. Donna sempre quis fazer Odette. — Eu acho que precisamos levar isso pra polícia.  —Ainda não, precisamos montar um caso sólido e descobrir quem fez. — argumentou Alice. — Mas quem poderia achar que Donna tinha tudo e ela nada?  — Eu não sei, Ethan. Só que muitos não gostavam do fato de ela ser a favorita da diretora. Callie mesmo brigou com Donna por isso uma vez, quando a Madame deu todas as aulas que ela queria para Dominique. Não acho que seja Callie por trás disso, mas é um exemplo. E muitas garotas queriam se Odette, foram mais de vinte testes pro papel. — Alice falava de forma exasperada. Ethan a puxou para um abraço e acariciava os cabelos da bailarina, ele queria que ela se acalmasse.  — Desculpe.  —Não há pelo que se desculpar, você quer descobrir quem fez isso com nossa amiga, é louvável. Eu só quero que você se acalme um pouco. — ele beijou a ponta do nariz de Alice e ela riu. — Vou me acalmar. — ela prometeu. — Eu gostaria de te fazer um convite. — Para que? — ela perguntou curiosa. — Meu pai não é o mais agradável do mundo, mas como eu tenho falado muito de você, ele gostaria de conhecê-la. Eu prometo que ele não é do tipo que julga por dinheiro, só por talento.  — Isso deveria me tranquilizar? — ela perguntou confusa. — Bom, eu te acho muito talentosa. Se você não quiser, eu entendo. — Eu iria gostar. Só estou um pouco receosa. — ela respondeu com sinceridade — Infelizmente eu só posso te apresentar meus pais por vídeo chamada até nossa apresentação que é quando eles virão para Paris. — Mesmo se fosse por cartas, eu iria ficar feliz em conhecê-los. Ela beijou a bochecha de Ethan antes de voltar a ler o diário. Ethan colocou ela deitava em seu peito enquanto ele continuava acariciando os cabelos dela. Lia junto com ela procurando algo que parecesse importante.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD