Quando Ethan propôs de conhecer o pai dele, ela nunca esperava que fosse quase imediatamente. Ele m*l respondeu ao pai que ela havia aceitado e ele marcou o jantar para aquela noite mesmo.
— Se ele tivesse me dito que o Sr. Hall iria querer me encontrar imediatamente após eu confirmar, eu teria demorado bem mais para responder. — Alice comentou exasperada.
— Onde vocês irão jantar? — perguntou Callie analisando as roupas da amiga.
— Ethan disse que não é nenhum restaurante grande e chique, que eu posso me vestir como sempre.
— Ok, homens não entendem nada de moda. — bufou Tori — Acho que ela pode ir com aquele seu vestido vinho. É bonito, elegante, serve para um jantar com os amigos ou conhecer o pai do seu namorado.
Callie fechou os olhos por um momento, talvez estivesse pensando em qual vestido era.
— Sim, ele vai ficar lindo, combina com ela, pegue seus saltos pretos também Alice. — comandou Callie antes de sair do quarto para buscar o vestido.
— E acho que um colar, não muito grande, mas que seja brilhante para chamar atenção. — sugeriu Tori.
Alice abriu a boca para dizer que talvez fosse melhor não ir devido a tudo o que estava acontecendo, mas Callie entrou bem na hora com o vestido e o jogou para a bailarina.
— Nem pense em desistir, é mais seguro pra você lá fora do que aqui. — argumentou Callie.
— Mas os diários e tudo o que descobrimos até agora…
— Tudo vai continuar aqui, você não vai embora pra sempre, são duas horas, três no máximo. — Tori apaziguou.
Alice bufou, mas não discutiu, mais por saber que não iria adiantar do que por realmente concordar. Ela foi ao banheiro e voltou com o vestido no corpo. Ele ficava um pouco mais curto em Alice do que em Callie, mas ainda vestia bem.
— Você está linda, agora vamos fazer alguns cachos em seu cabelo e finalizar a maquiagem.
Alice sentou-se na cadeira em frente a penteadeira e deixou que as meninas terminassem de fazer sua maquiagem e o cabelo. A maquiagem era leve, com um leve destaque para o delineador nos olhos e os lábios vermelhos. O cabelo castanho foi cacheado deixando que ele ficasse mais ondulado do que com cachos realmente definidos.
— Use um shorts por baixo do vestido e leve as sapatilhas na bolsa, assim se quiser dançar, você pode. — aconselhou Callie.
Não demorou muito para que ouvissem uma batida na porta do quarto. Tori se apressou para abrir e sorriu pedindo que Ethan entrasse. Ele o fez e sorriu ao olhar para Alice, os olhos deles brilharam, a bailarina notou.
— Você está linda, se quiser levar um casaco, eu posso deixar no carro e pegar caso você sinta frio. — ele ofereceu.
Ela aceitou a oferta e foi até o armário tirando um cardigã preto que ficaria bom com o vestido. Ethan estendeu o braço e Alice aceitou com um sorriso, virou-se para as amigas acenando em despedida.
— Cuide dela, Ethan. Ou arranco suas partes preferidas do corpo. — ameacou Callisa.
— Pode deixar, vou devolver ela inteira e do mesmo jeitinho que eu a peguei aqui. — ele prometeu.
Eles saíram juntos do dormitório e desceram as escadas para o hall de entrada.
— Eu pedi que o motorista trouxesse meu carro, se estiver preparada, podemos ir.
— O que eu devo esperar desta noite? — ela perguntou realmente pensativa.
— Seja você mesma. Eles só querem saber quem é a jovem que eu vivo falando.
— Tudo bem. — ela respondeu assentindo.
***
Flashback, horas antes de Dominique morrer
Alice acordou primeiro que Tori, sabia que a amiga iria querer dormir o máximo que pudesse, então como ainda não precisava acordar a colega de quarto. Ela colocou um casaco por cima do pijama, calçou os pés e saiu para o terraço, era um bom lugar para fazer sua meditação.
Ela caminhou por todo o corredor até as escadas e subiu uma série delas até enfim chegar à porta do terraço. Adentrou observando a vista matinal, de manhã a cidade parecia mais calma e devagar, a noite ela parecia extremamente agitada, mas a vista das luzes acesas pela cidade era linda.
Caminhou até uma das cadeiras e fechou os olhos focando em sua respiração. Ajudava a limpar a mente e se preparar para o dia. Também ajudava a controlar a ansiedade. Ficou ali por cerca de quinze minutos e quando abriu os olhos, percebeu que Donna estava ao seu lado em completo silêncio observando a vista.
— Bom dia, não queria te interromper. — a loira falou.
— Bom dia, Donna, eu terminei, muito obrigado.
— Posso te fazer uma pergunta?
— Claro.
— Se você quisesse muito algo e tivesse sua vida inteira sonhado com aquilo, então finalmente consegue, mas alguém quer tirar de você. No seu caso, você desistiria do seu sonho, deixaria para outra pessoa?
— Como assim? Alguém está fazendo isso com você?
Dominique hesitou antes de acenar em negativa.
— Não, deixa pra lá, foi uma pergunta b***a, eu só estava pensando na vida.
— Quem está te ameaçando? Essa pessoa está querendo que você desista de ser Odette? Callie saiu correndo atrás de você ontem, ela sabe alguma coisa?
— Esquece tudo isso, Alice. Finge que eu não disse nada. — ela pediu.
— Donna, eu estou preocupada.
Um barulho chamou a atenção delas e Dominique saiu correndo de volta para dentro do internato. Alice franziu o cenho e saiu da cadeira para investigar o lugar. Não tinha nada ali, a não ser um pássaro bicando alguma coisa. Provavelmente o pássaro pousou em cima daquilo e fez com que fosse arrastado causando o barulho. Ela chegou mais perto e percebeu que parecia um gravador.
O pássaro voou devido a aproximação da jovem e ela deu de ombros. Abaixou-se e pegou o gravador analisando, ele tinha uma fita presa e nela as iniciais da pessoa V.I. Alice tocou o play, mas nenhum som saiu. Apertou o pause e depois o play, nada, tentou o stop e play, nada. Talvez estivesse estragado ou o pássaro estragou. Guardou no bolso do casaco e saiu do terraço.
***
Ethan abriu a porta do carro para que Alice saísse e estendeu o braço para ela. Juntos eles entraram no pequeno bistrô, era o mesmo que ela havia ido na outra noite com o rapaz. Ao menos o lugar era familiar, ajudava a ter certa naturalidade. Assim como na outra vez, eles subiram.
Mal chegaram e os pais do rapaz se levantaram e correram para a jovem. Primeiro a mãe dele a fez girar para que avaliasse a jovem, depois recebeu um abraço e o pai dele estendeu a mão para um cumprimento.
— Senhor e Senhora Hall é um prazer conhecê-los.
— Pode me chamar de Mila querida, ou se quiser, pode me chamar de sogra. E meu marido é Adam. — ela corrigiu com gentileza — Finalmente Ethan nos apresenta alguém como namorada. Você é tão linda, ele disse que você é brasileira.
— Sim senhora Hall, digo, Mila. Eu vim de São Paulo.
— E você sempre dançou?
— Mãe, antes de vocês começarem o interrogatório, será que podemos nos sentar?
— Ele tem razão. — comentou o senhor Hall.
Os quatro se sentaram ao redor da mesa. Imediatamente a pergunta anterior foi refeita e Alice deu uma pequena risadinha.
— Sim, eu sempre amei dançar, desde os dois anos eu pratico. Teoricamente eu já teria a formação, mas eu sempre quis estudar aqui com a Madame, então continuei praticando e me inscrevendo para ter o diploma dessa escola.
— Foi um infortúnio o que a levou a assumir como principal, você era próxima de Dominique? Ela era muito amiga de nosso filho, como deve saber.
— Sim, desde que conheci Donna e Ethan, eles sempre comentaram da amizade deles desde criança. E sim, eu fiquei muito triste com a morte de Dominique, ainda acho difícil acreditar que ela não está mais aqui. Espero poder honrá-la fazendo bem meu papel como Odette. Donna me ajudou muito ao longo do ano para que eu melhorasse.
O senhor e a senhora Hall assentiram e Alice viu Mila limpando uma pequena lágrima, sentiu Ethan apertar sua mão e ela lhe lançou um sorriso triste.
— Você parece realmente gostar de nosso filho. — Mila apontou.
— Eu gosto. No começo nós trocamos muitas farpas por ele agir da forma como agia, sem responsabilidade com a dança, com as pessoas com quem se relacionava, com o futuro. Mas acho que conseguimos encontrar uma sintonia.
— Ela me deu um ultimato, se eu quisesse ficar com ela, eu deveria ser minha melhor versão e agir de forma melhor. Alice me disse que se recusaria a ser apenas mais uma em minha lista, ela é uma garota de compromisso e não tem tempo a perder com jogos. — Ethan confidenciou aos pais que riram.
— Está mais do que certa, querida, Ethan precisava desse chacoalhão.
— Eu gosto dessa moça, filho. Ela tem juízo e a cabeça focada.
Alice deu uma leve risada e sentiu os braços de Ethan ao redor de si enquanto ele deixava um beijo na bochecha.
— Eu também gosto dela, pai. Agora vamos jantar.
Eles fizeram os pedidos e continuaram a conversa.
— Esse seu vestido é lindo, querida.
— Ah, obrigado, eu peguei emprestado com uma amiga. — ela respondeu com sinceridade.
— Se quiser nós podemos marcar um dia para fazer compras, só nós meninas.
— Eu gostaria muito, mas infelizmente eu não tenho muito dinheiro, Ethan deve ter comentado, mas sou bolsista.
— Ele nos contou, mas não se preocupe, eu quem estou convidando, eu pagarei. — garantiu a senhora Hall.
— Eu não desejo fazer desfeita, eu adoraria acompanhá-la, mas não posso aceitar que pague várias roupas para mim, sinto que seria um a***o de minha parte.
— Deixe que ao menos eu lhe compre uma nova sapatilha, sei que está próximo a estreia e seria bom se você tivesse uma sapatilha bonita para se apresentar.
— Bem, uma sapatilha eu posso aceitar, obrigado. De verdade.
Ambos sorriam para ela, era como se ela tivesse sido aprovada em algum tipo de teste, talvez para ver se ela não era interesseira e estava usando a família apenas pelo poder aquisitivo.
— Enquanto esperamos o jantar, que tal você e nosso filho dançarem juntos e nos mostrarem o que esperar na estreia? — sugeriu o senhor Hall.
— Foi isso o que eu quis dizer com ele julga o talento. — sussurrou Ethan para Alice — Papai, o senhor sabe bem que viemos vestidos para um jantar, não um show de dança, se quiser nos ver dançar, tenho certeza de que Madame o deixará ver algum ensaio.
— Não pode me culpar por tentar. — ele respondeu rindo — Essa semana ainda eu irei.
— Se me permite, eu gostaria de tentar algo, livre de pressão.
— Você não precisa. — começou Ethan.
— Eu quero.
Porque por algum motivo, ela sentia que tinha que se provar ali. Ethan era um excelente bailarino e ela era a segunda escolha para o papel e possivelmente para ele, ao menos do ponto de vista dos pais. Alice trocou os saltos por sapatilhas e caminhou até a pista vazia. A música começou a tocar e ela a girar, iria fazer os trinta e dois fouettés.
Focou seu olhar no de Ethan e sorriu deixando que as pernas chicoteassem o ar. Vez após vez, ela girava subindo e descendo sem sair do lugar, mantendo-se completamente estável e com o olhar fixo nos de Ethan que permanecia imóvel. Não ousaria olhar para os pais dele, não até que acabasse, se não perderia seu eixo de equilíbrio.
Era bom que não tinha comido nada ainda, assim não corria o risco de vomitar. Continua a sorrir até o último giro quando pousou de volta na quarta posição e fez uma reverência. Ouviu palmas e levantou a cabeça.
— Ela tem talento. — ela ouviu o sr. Hall comentar em voz baixa.