Capítulo 14

2038 Words
Eles estavam agora ensaiando o ato final, aquele em que Siegfried ia atrás de Odette depois de descobrir que Rothbart e Odile o enganaram fazendo com que quebrasse o juramento de amor que tinha feito a Odette. Os cisnes brancos consolam a princesa depois da decisão do príncipe e então ele entra em cena tropeçando e os cisnes tentam impedir para que ele não machuque Odette ainda mais. Ele segue os cisnes pela floresta até chegar ao lago onde se encontra com sua amada. Odette surge linda e triste enquanto Siegfried tenta alcançá-la. Surpresa em vê-lo, ela imediatamente foge e ele vai atrás querendo se explicar. Odette desce das pedras onde estava e imediatamente o príncipe a pega erguendo no ar. Ele a desce e ela apoia uma perna no chão deixando a outra encostada de forma a formar um quatro, Siegfried a faz girar uma, duas, três vezes antes de parar e Odette inclinar seu corpo em um arabesque apoiado por ele. O jovem rapaz a ergue trazendo de volta para si, mas a princesa ainda está triste e se recusa a falar com ele levando a mão ao rosto e se afasta com uma expressão melancólica. Ela gesticula com os braços como se explicasse toda sua dor e então caminha para longe dele parando em um cambré de costas para o príncipe. Siegfried não desiste e caminha até Odette, ele se ajoelha e toma uma das mãos esticadas, ele a leva ao rosto como se implorasse perdão. O cisne retira sua mão e dá uma pirueta indo para trás do príncipe. A dança entre eles continua, o casal consegue se reconciliar, ela escuta o que ele tem a dizer e os outros cisnes se juntam a eles. A cena final daquele primeiro pax de deux é Odette nos braços de Siegfried sendo rodada duas vezes por ele antes de parar em um cambré acompanhada pelo jovem. — Muito bom, vocês dois. — disse a Madame que acompanhava o ensaio — Tenho pequenas correções, mas podemos fazer depois do almoço. Alice sorriu e sentou-se no chão para tirar as sapatilhas e as ponteiras, não queria saber o motivo de a Madame estar sendo tão generosa naquela manhã, iria dar o fora dali antes que ela mudasse de ideia. Guardou rapidamente suas coisas, calçou o sapato e estava a meio caminho para a saída quando foi chamada. — Alice, uma palavra. Ela quase choramingou, mas respirou fundo e abriu um sorriso enquanto caminhava de volta até Madame. — Sim? A diretora pediu que a jovem sentasse ao seu lado e ela o fez. — A polícia vai encerrar o caso de Dominique. — Acharam o culpado? A diretora fez um não com a cabeça. — Eles nem mesmo tem provas de que qualquer coisa aconteceu. Não parece ter sido proposital, não é como se ninguém tivesse a empurrado para cair no chão, vai ser considerado um acidente. E se quem causou em algum momento quiser confessar, então eles vão analisar o que aconteceu. — ela explicou resignada — Tudo indica que foi sem querer, alguém tirou, provavelmente esqueceu de colocar de volta, ninguém reparou e foi isso. Como muitos alunos tocaram no colchão, caíram nele e, enfim, muito uso, não tem como dizer nada concreto sobre quem pode ter tirado. E sem provas, não há um caso de fato. Alice deixava que aquela novidade assentasse dentro de si, processava com calma. Ela não era mais a principal suspeita, nem havia mais um caso, não havia mais motivo para que ela procurasse por mais nada. Parecia que um peso havia saído de dentro de si, ainda que a tristeza pela perda da amiga continuasse. — Dominique deve estar no céu e observando orgulhosa como você cresceu como bailarina. Chegou aqui completamente deslocada, mas se esforçou muito para melhorar e assumiu o desafio de fazer o papel de sua amiga e honrá-la por meio disso. É bom ter bailarinos com um coração como o seu. — disse Madame com um tom mais afetuoso — Vá almoçar, seu namorado e suas amigas devem estar esperando. — Obrigado por essa palavras. E Madame? Eu espero continuar crescendo e aprendendo, sou grata pela minha bolsa e essa oportunidade. Ela viu Madame assentir e sorrir. Alice caminhou para fora do auditório sentindo-se mais leve. Precisava passar no quarto para deixar suas coisas. Subiu as escadarias até os dormitórios e cruzou o corredor para seu quarto. Tirou a chave do bolso e colocou na fechadura, porém percebeu que a porta estava aberta, ou Tori ainda estava lá ou se esqueceu de trancar. Girou a maçaneta e abriu a porta, mas antes que pudesse entrar no quarto uma figura vestida toda de preta saiu correndo de dentro de seu quarto, trombando com ela fazendo com que Alice caísse no chão enquanto a figura corria pelo corredor para longe. — Você está bem? — perguntou uma voz familiar. — Estou, eu acho. Mas quem era aquela e o que queria com meu quarto? — ela perguntou ainda sentada no chão. Ethan se aproximou de Alice ajudando a se levantar. Ela ajeitou as roupas amassadas e entrou no quarto verificando cada canto e então embaixo do colchão. Notou que seu próprio diário havia sumido da gaveta na mesa de cabeceira e a capa dele era parecida com os diários de Donna que ela havia deixado debaixo do colchão. — Quem quer que fosse, eu acho que é culpado de algo em relação a Dominique, meu diário é muito similar ao dela. E foi o que a pessoa levou, o meu e não os dela. — ela comentou. — Por que não usa o cofre do quarto? — Não achava que era necessário, mas agora vou. Imediatamente ela deixou a bolsa no chão e pegou cada um dos diários que estavam com ela levando-os para o cofre. Trancou e cadastrou sua digital, depois cadastraria a de Tori, caso ela quisesse usar. — Vamos almoçar, temos o ensaio da tarde e depois podemos pensar nisso. — ele disse esticando a mão e ela aceitou.                                                                                  *** Flashback, 2 meses atrás. Alice estava ensaiando seus passos junto de j**k, suplente de Ethan. Eles estavam junto do professor Valentin que indicava a melhor forma que o jovem poderia levantar Alice sem que nenhum dos dois caísse e se machucasse.  — Trave bem os braços e mantenha as pernas abertas na distância dos ombros, assim o peso vai se distribuir por todo seu corpo e você vai conseguir mantê-la no ar. — o professor explicava. Ela parou na frente do colega que a pegou pela cintura e em um impulso dado por ambos, ele a ergueu no ar seguindo o que o professor falou. Alice fazia o cambré e esticava os braços para a quinta posição. Normalmente já estaria na pose, mas eles estavam testando a sustentação. — Agora você vai dar uma volta, como se estivesse girando, vocês dois. Alice tinha a sensação de que iria cair, os braços dele tremiam para segurar. Ele não era forte o suficiente. Ela virou o rosto para o lado observando a facilidade com que Ethan erguia Dominique. E podia também identificar uma enorme quantidade de olhares de raiva dirigidos a Donna, todas queriam ser erguidas por Ethan. Percebeu que Ethan agora a observava e a pegou olhando para ele, as bochechas de Alice tomaram um tom avermelhado e ela virou o rosto para o outro lado. Nesse momento jurou ter visto alguém passando por entre as coxias, mas como não ouviu nenhum barulho e não viu mais nenhum movimento, deixou que aquilo passasse. Jack finalmente começou a girar e como ela suspeitou, os braços dele cederam. Alice caiu sentada em cima do pobre rapaz, em alguns segundos ela estava de pé e um olhar de r**o de olho dizia que Ethan estava rindo da cena. Ela fez uma cara f**a, odiava pagar micos. — Você precisa pegar mais peso, quer ser bailarino, mas não aguenta uma bailarina de peso comum? — criticou o professor — Tomem cinco minutos para água e nós voltaremos. Alice imediatamente foi para as cadeiras a fim de pegar sua garrafa de água. Normalmente daria alguma palavra de encorajamento, mas ela estava cansada de seu parceiro não aguentar sustentá-la. Estava dentro do seu peso, até um pouquinho abaixo, tinha uma estatura mediana comum. O problema não era ela, mas mesmo assim continuava caindo. E nada pior para o ego de uma bailarina que a queda. Sentou-se para beber alguns goles de sua água quando viu uma movimentação onde ficava a plataforma de iluminação, eles iriam usar as luzes no ensaio? Antes que ela pudesse perguntar para o professor, um saco dos holofotes se soltou e ela gritou para avisar Dominique e Ethan. — Saiam daí! — ela gritou apontando para cima. Imediatamente cada um pulou para um lado e o holofote caiu onde eles segundos antes estavam. Todos pareciam extremamente chocados, ela inclusive. Olhou para a plataforma de novo, mas não tinha ninguém ali. Estranho. — Madame, eu podia jurar que eu vi alguém na plataforma ali em cima. — ela contou para a diretora. — Posso pedir para alguém olhar, mas infelizmente esse era um dos holofotes antigos que estavam para ser substituídos pela equipe de manutenção, era o que eu tinha receio de que acontecesse se não trocassem logo.  Ela assentiu, os ensaios seriam pausados para a limpeza. Imediatamente ela correu para Dominique. — Você está bem? — Graças a você, obrigado. — Sim, muito obrigado.  A jovem se virou e percebeu que Ethan estava muito mais próximo do que devia. Ela deu um passo para trás e sorriu polidamente para ele. — Não gostaria que nenhum dos dois astros se machucassem. — Fico feliz que se importe dessa forma comigo. — ele provocou e levou uma cotovelada de Dominique. — Pare de provocá-la só porque gosta dela. — Dominique ralhou. Imediatamente os olhos de Alice se arregalaram e suas bochechas coraram.  — Hm, obrigado por simplesmente jogar assim, Donna. — agradeceu Ethan com ironia. — Nenhum de vocês faz nada a respeito, alguém tem que fazer. — ela replicou e então saiu para ver o holofote. Alice sorriu para ele e então fugiu para Valentin que ainda aconselhava j**k a respeito de como melhorar sua força.                                                                                  *** A comida estava sendo remexida no prato enquanto os pensamentos voavam longe. Novamente ela tinha encontrado alguém mexendo onde não deveria, na primeira vez acreditou em Madame, um acidente, mas na segunda vez… Pelo menos, Ethan esteve lá e a ajudou. Só que não tinha sentido, o caso de Dominique tinha sido fechado, o que a pessoa havia ido fazer em seu quarto?  — Desembucha, eu posso ver a fumaça saindo por suas orelhas. — disse Callie. — É só que, eu lembro de uma série de coisas estranhas acontecendo ao redor de Donna depois que ela ganhou o papel. E agora, no dia que o caso dela é fechado, alguém invade meu quarto e leva meu diário que parece com o dela pela capa, é estranho. Eu acho que alguém está tentando esconder algo. — analisava em voz alta. — Realmente, isso é estranho. Mas também significa que ou tem algo nos diários ou a pessoa acha que tem e podemos usar isso a nosso favor, blefar e fazer quem quer que seja confessar. Alice ainda não tinha certeza se Callie era ou não culpada de algo, ela esperava, desejava e implorava para que a amiga não fosse culpada. Só que não podia confiar tão cegamente nela, mas não podia excluí-la, Dominique também fora amiga dela. — Tudo bem, me conte seu plano. — Nós podemos usar Ethan também e o bobalhão amigo dele. Fazemos de conta que todos estão com um diário, que todos sabem com quem Dominique estava brigada nos últimos tempo e quem a queria fora de cena, não necessariamente morta, não sabemos se a pessoa só a queria machucada sem dançar ou realmente morta. Agindo assim, a pessoa vai ficar estranha e tentar pegar os diários e cada um de nós, é nessa hora que pegamos ela. — explicou Callie. — É brilhante. — ela respondeu ao ouvir a ideia. — Eu sei, fui eu que pensei.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD