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As Correntes do Pecado

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Blurb

Thomas passou metade da vida tentando entender o amor — e a outra metade, tentando se curar dele.

Depois de ter o coração quebrado, ele jurou que nunca mais deixaria ninguém entrar.

Mas o destino, teimoso como o sol, colocou Nina em seu caminho: leve, forte, diferente.

Com ela, Thomas aprendeu que o amor não é salvação — é recomeço.

Eles construíram juntos uma vida feita de rotina, café fresco e jasmim na janela.

Mas o tempo, sempre implacável, os colocaria à prova: perdas, reviravoltas, doenças, amadurecimento, e o maior desafio de todos — envelhecer lado a lado sem perder a essência do primeiro olhar.

Anos depois, quando a neta deles descobre o antigo caderno amarelo, entende que aquele amor nunca acabou.

Ele apenas mudou de forma, atravessou gerações, e ficou — enquanto o sol ficou.

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Capítulo 1 – O Homem do Coral
Thomas ajeitou o nó da gravata diante do espelho e respirou fundo. Aos vinte e três anos, ainda parecia não acreditar na própria sorte: aprovado no concurso de um banco público, com salário estável e futuro promissor, tinha se tornado motivo de orgulho na igreja. n***o, de pele morena quente, porte atlético e voz grave, sua presença no coral da Assembleia de Deus era notada por todos. Era domingo, e o templo estava cheio. As irmãs agitavam leques para espantar o calor abafado de Recife, e os diáconos organizavam os bancos. Thomas subiu ao púlpito junto dos demais cantores, segurando a pasta com os hinos. Foi ali, entre vozes que se elevavam em uníssono, que seus olhos se encontraram com os de Eloísa. Ela não era a mais jovem do coral, tampouco a mais exuberante, mas tinha algo de diferente. A pele clara, o cabelo castanho bem preso em coque e o sorriso contido transmitiam uma aura de pureza. Cantava como se cada nota fosse uma oração, e Thomas se sentiu tocado. Com o tempo, os olhares se repetiram. Depois, vieram as conversas rápidas após os ensaios, os cumprimentos demorados, os convites para orar juntos. Eloísa era quatro anos mais velha, filha única de dona Marta, uma viúva conhecida por sua rigidez e devoção intransigente. — Você canta bonito, irmão Thomas — disse ela uma noite, depois de um ensaio. — Só tento louvar como posso. Mas confesso que quando você canta, eu… esqueço de todo o resto. Eloísa corou, desviando o olhar. O coração de Thomas disparou. Foi ali que ele soube que não conseguiria mais ignorar o que sentia. O namoro avançou rápido, sob os olhos atentos da igreja e da mãe de Eloísa. Thomas, ingênuo e apaixonado, acreditava que o casamento era a bênção final que faltava. Em poucos meses, pediu a moça em noivado. No dia da cerimônia, todos comentavam como formavam um belo casal: ele, jovem e promissor; ela, recatada e devota. O culto foi longo, cheio de lágrimas e louvores. Thomas sentiu que estava iniciando a vida adulta com a mulher certa. Mas a lua de mel trouxe as primeiras sombras. Eloísa parecia retraída, tensa. No quarto, as carícias que Thomas tanto desejava esbarravam em barreiras invisíveis. — Assim não, Thomas… — ela o interrompia sempre que ele tentava intensificar o toque. — Por quê? Você é minha esposa agora. — Minha mãe sempre disse… certas coisas são pecado. Não é certo sentir prazer demais. Thomas engoliu seco. Pensou que fosse apenas timidez inicial, que com o tempo ela relaxaria. Mas o tempo passou, e a rigidez só aumentou. Quando o casal decidiu onde morar, Thomas sonhava em alugar um pequeno apartamento perto do trabalho. Mas Eloísa foi categórica: — Não posso deixar minha mãe sozinha. Ela só tem a mim. Thomas hesitou, mas cedeu. Mudaram-se para o apartamento de dona Marta. Ali começou o verdadeiro inferno. Dona Marta opinava em tudo: a hora de dormir, os alimentos que compravam, as visitas que Thomas recebia. O jovem gerente de banco se sentia como um adolescente sob vigilância. À noite, mesmo de portas fechadas, parecia ouvir a respiração da sogra no corredor. O sexo se tornou escasso, mecânico, silencioso. Thomas ardia de desejo, mas se via contido. Cada tentativa era interrompida por frases que matavam sua excitação: — Não pode ser de lado… isso é pecado. — Não pode gemer… vizinhos podem ouvir. — Por trás? Nunca. Isso é sujo. Thomas se virava para o lado, frustrado, com os músculos tensos. No banco, era respeitado como um homem de sucesso. Em casa, sentia-se emasculado. O único alívio era a academia. Levantar peso, correr na esteira, suar até a exaustão — ali ele extravasava a pressão acumulada. Mas até isso virou alvo. — Eloísa, cuidado — alertava dona Marta. — Academia é vaidade, coisa do d***o. Teu marido está se desviando. Eloísa absorvia as palavras da mãe como veneno doce. Com o tempo, deixou de preparar até mesmo a marmita dele. Thomas saía para o banco com o estômago vazio e o coração mais ainda. Foi na academia que outra presença feminina entrou em sua vida. Diferente de Eloísa, essa mulher tinha olhar ousado, sorriso fácil, corpo que transpirava liberdade. No começo, apenas trocavam cumprimentos, mas a proximidade cresceu. Uma tarde, após o treino, ela tocou o braço de Thomas com naturalidade. O gesto simples incendiou algo nele. — Você treina pesado… deve ser bom descarregar o estresse, não é? — É… — ele respondeu, engolindo a culpa junto com o desejo. Dias depois, cederam. No apartamento dela, longe dos olhos da sogra e dos julgamentos da igreja, Thomas conheceu o prazer que lhe fora negado. Os beijos eram urgentes, os gemidos livres, os corpos se encaixando como se o mundo inteiro tivesse deixado de existir. Mas a consciência o corroeu. Thomas amava Eloísa, ao menos acreditava nisso. Uma noite, decidiu confessar. Eloísa chorou, gritou, bateu no peito dele. Mas, no fim, prometeu perdoar. — Vamos recomeçar, Thomas. Eu juro que vou mudar. Por algumas semanas, tentaram. Eloísa voltou a se deitar com ele, menos rígida, mais entregue. Thomas acreditou, por um breve instante, que o amor poderia resistir. Mas dona Marta não permitiria. — Você não pode confiar em homem, minha filha. Eles só querem usar o corpo da gente. Ele te traiu uma vez, vai trair de novo. — A voz da sogra era mel envenenado nos ouvidos de Eloísa. A cada dia, a esposa se afastava mais, como se as correntes invisíveis da mãe apertassem seu pescoço. Thomas resistiu até onde pôde. Até que, numa noite silenciosa, pediu o divórcio. A decisão custou caro. A igreja o expulsou do coral. Os irmãos de fé o olharam como pecador. As portas do templo que antes o acolhiam se fecharam com violência. Thomas chorou. Sentiu-se nu, sozinho, traído não apenas pela esposa, mas pela fé que um dia lhe dera sentido. Mas não voltou atrás. Aos vinte e quatro anos, entendeu que liberdade também tem um preço. Estava disposto a pagá-lo.

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