A estrada de volta parecia mais curta do que a ida. Talvez porque, desta vez, Thomas não fugia de nada — voltava. O sol de segunda-feira se desenhava num amarelo tímido, varrendo as placas, as faixas e os quilômetros com uma delicadeza que parecia combinar com o que ele sentia por dentro: um começo calmo, sem trombetas, sem promessas grandiosas. Só presença. No banco do passageiro, uma caixinha embrulhada com barbante. Ele havia parado numa padaria antiga e comprado um bolo de rolo. “É clichê”, pensou, “mas algumas tradições são pontes”. Enquanto dirigia, lembrava do olhar de Cíntia, honesto; da voz de Thamires, carregada de um adeus necessário. Não havia vitória ali, só fechamento. O tipo de silêncio que não pesa, que respira. Quando chegou à cidade, o relógio marcava fim de tarde. O cé

