Thomas não percebeu o momento exato em que deixou de “voltar” para passar a “permanecer”. Talvez tenha sido na noite em que encontrou o bilhete sobre a mesa — “comprei flores amarelas, porque é a cor que te acalma” — e, sem dizer nada, transferiu suas camisas para o guarda-roupa dela. Ou no sábado de sol em que os dois, descalços, mediram a parede da sala para instalar a estante de livros e ele ouviu de Lígia: “a casa fica mais bonita quando tem a sua bagunça”. De um jeito doce, os dias começaram a ter o mesmo sobrenome. — Mora comigo? — ele perguntou, encostado ao batente da cozinha, com um pano nas mãos e um coração disposto. Lígia não dramatizou; apenas sorriu. — A porta já está encostada. É só empurrar. Empurrou. E, quando o cotidiano se adensou, veio o convite de casamento, mais s

