O dia começava antes do sol. Não por disciplina, mas porque o sono já não o visitava como antes. Thomas acordava no escuro e ficava deitado ouvindo a casa respirar: o barulho do filtro da cozinha, o rangido antigo da porta do banheiro, o leve assobio do vento por debaixo do vitrô. Às seis em ponto, a mãe passava a chaleira para o fogo e perguntava, sem olhar para trás: — Café? — Depois eu pego — ele respondia, sempre com a mesma voz, que parecia vir de um lugar mais fundo do que a garganta. No banco, a rotina agora tinha um traje menor. Ele não perdera o emprego, mas o crachá parecia caber num bolso que não era mais o seu. As planilhas tinham migrado de andar e de importância. O novo chefe, mais jovem e sem memória do que Thomas já fizera ali, dava instruções curtas. — Preciso desses r

