A notícia não veio por mensagem, nem por voz alheia. Chegou pelos próprios pés de Thomas, numa tarde de vento úmido em Recife, quando ele resolveu andar sem direção depois do expediente. O corpo o levou por ruas antigas, esquinas repetidas, até que o passado apareceu de surpresa: o prédio do centro, com seus azulejos cansados e janelas que sempre pareceram observar o movimento. Ele não tinha planejado passar ali. Só aconteceu. A porta de vidro estava fechada com corrente. Na parede, marcas claras de onde um parafuso havia segurado um letreiro. A placa da “Virada” não estava mais; sobrava uma sombra retangular, um tom de parede menos queimado, como um fantasma quieto. Thomas ficou parado alguns segundos, mãos nos bolsos, ouvindo o ruído da cidade empurrar o fim como se fosse rotina. Um fu

