Thomas continuava no banco. Concursado, cadeira garantida, salário que entrava como água numa bacia furada: descontos, empréstimos, pensão, o resto se esvaía pelas bordas invisíveis. Saía do expediente com os ombros na altura das orelhas, caminhava até o ponto e, às vezes, em vez de ônibus, deixava os passos decidirem por ele. Recife, nesses dias, virava um mapa de sobrevivência: padaria, ponte, sombra de mangueira, vento na cara. Nos aplicativos, a maré já tinha baixado. Ele respondia por educação, marcava um café por boa vontade, desmarcava quando a cabeça pesava. Foi numa noite assim — cansado, pronto para cancelar — que a conversa com Nina apareceu como quem acende a luz do corredor sem pedir licença. Nina: “Café de verdade ou desculpa pra fugir?” Thomas: “Café de verdade.” Nina: “

