A ideia nasceu como uma vela acesa em noite de apagão: pequena, necessária, milagrosa. — Um curso preparatório para concursos — disse Lígia, os olhos grandes, a voz mansa. — Não um qualquer. Um lugar que acolhe gente cansada, que trabalha de dia e estuda à noite. Com café forte, quadro limpo e professores que falam como a vida fala. Thomas ouviu e, antes mesmo de calcular, se viu concordando. Na cabeça, uma imagem simples: cadeiras azuis, lousa sem sombras, um quadro de avisos com “aprovado” escrito em letras grandes. Era bonito demais para não acreditar. — A gente chama de… — ela pensou, mordendo a tampa da caneta. — “Virada”. Porque é isso que todo concurseiro procura. — “Virada” — ele repetiu, gostando do som. — Eu posso fazer acontecer. Lígia não pediu promessas. Deitou a cabeça n

