Capítulo 46 – Quando o Sonho Começa a Cobrar

1805 Words

Choveu fina a semana inteira, como se o céu tivesse decidido parcelar as nuvens. Dentro da “Virada”, o barulho de pingos no peitoril competia com o som do projetor cansado. A turma de Direito Constitucional ocupava a sala maior; os ventiladores de emergência giravam como pás que não cansam, mas também não resolvem. Thomas andava com a prancheta na mão e uma matemática na cabeça: sete boletos em atraso, três promessas de pagamento, duas ligações do banco. E um número que não calava: a segunda parcela do envelope venceria na sexta. — A gente segura. — disse a si, mais uma vez. — Mais duas matrículas semestrais e respira. Lígia vinha leve pelos corredores, guardando os cabelos atrás da orelha, chamando nomes de memória. O carinho dela era um cobertor quentinho num corpo que começava a treme

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