As cartas começaram a chegar no início de maio. O carteiro já sabia: toda sexta-feira, um envelope com carimbo estrangeiro e caligrafia apressada pousava na caixa de correio. Thomas as chamava de “janelas de papel”. Nina, de “abraços que viajaram de avião”. A primeira carta veio acompanhada de uma foto. Lia, de casaco amarelo, sorrindo em frente ao Tejo. Atrás da foto, uma frase escrita em azul: “O sol daqui é diferente, mas me lembra vocês.” Thomas ficou olhando por um tempo, como quem tentava ouvir o som do sorriso impresso. — Ela tá bem. — disse, tentando esconder o alívio. Nina passou o dedo sobre o papel, sentindo o relevo da caneta. — Ela tá feliz. E é isso que importa. Naquela noite, abriram a carta juntos, sentados na varanda. A letra dela era a mesma — inclinada, leve

