De manhã, Recife tinha cheiro de pão fresco e um céu que prometia sol. Nina acordou antes do relógio, como sempre fazia nas datas importantes. Passou o dedo nas mensagens do celular — nada. Sorriu sozinho, cúmplice: ele vai fingir que esqueceu, só pode. Foi até a cozinha, deixou o café coado, arrumou a mesa com a toalha clara que usava “em ocasiões”. Pôs duas xícaras. Pegou o vaso com jasmim e trouxe para perto. O perfume tomou a sala com uma doçura conhecida. O relógio marcou 7h12. Thomas surgiu no corredor, amassado de sono, cabelo desalinhado, camisa de algodão. Chegou por trás, abraçou a cintura dela, beijou a nuca — beijo antigo, seguro. — Bom dia, minha casa. — Bom dia, moço do sol — ela respondeu, esperando a deixa. Um “feliz” qualquer. A lembrança. O aceno. Ele sentou, serviu o

