Começou como quem muda o vento. Pequeno, quase invisível. Uma noite sem sono. Duas. Um calor que nascia por dentro em hora errada, como se o corpo acendesse um fogareiro secreto no meio da madrugada. Depois, veio um sumiço leve de palavras. As de costume — as que sempre chegavam fáceis para ela — começaram a se esconder atrás de uma névoa mansa. — Tá tudo bem? — Thomas perguntou, vendo Nina abrir a geladeira e esquecer o que procurava. — Tá. — ela respondeu, sem a pressa habitual. — Só… estou sem nome pras coisas hoje. Ele se aproximou, beijou a nuca — o lembrete que não falhava — e ofereceu um copo d’água. Ela bebeu como quem reaprende um gesto. Sorriu curto. Os dias seguiram com pequenas excentricidades do corpo: o calor que subia sem pedir licença, o sono quebrado, a irritação sem m

