22 - carro vermelho

2820 Words
Christopher Von Uckermann Deixei que Dulce tirasse aquele sábado de folga para poder fazer o cabelo, as unhas e se preparar para o baile daquela noite. Eu queria que ela estivesse descansada e disposta quando fosse buscá-la. Mais ainda porque queria que o final da nossa noite se prolongasse.  Ela não me contou nenhuma novidade sobre sua filha, mas vez ou outra Billy ligava para ela quando estávamos juntos e eu tentava não transparecer o quanto aquilo me incomodava. Ele não era só mais um cara, era o pai da filha dela, alguém com quem Dulce teria uma ligação para sempre e além disso, eu não tinha um bom pressentimento sobre as intenções dele. Acabei de ajeitar o meu smoking e assim que desci até a sala avistei Alfonso e Anahi tendo mais uma de suas discussões.  — Deus te desenhou com todo o cuidado. — ele disse com um sorriso galanteador. — Já no seu caso ele esqueceu de te dar bom senso. — ela disse.  — Por que pisa no meu pobre coração? — dramatizou com a mão sobre o peito.  — Vocês estão prontos? — perguntei interrompendo seja lá o que Anahi iria dizer.  — Sim, estamos. E os carros que comprou já estão na garagem. — minha irmã falou.  — Ótimo! Eu vou usar a BMW.  — Cara, por que comprou um Audi Q7? Esse carro não combina com você. E ainda mais vermelho! — Alfonso perguntou.  — O carro não é dele. — Annie disse. — Comprou para a Dulce.  — Ah! — Alfonso me olhou sugestivamente.  — Ela precisa de um carro para vir trabalhar. — expliquei.  — Eu não disse nada. — ele riu.  — Podemos ir? — Amber perguntou descendo as escadas. — Ainda não acredito que não posso ir ao baile. — falou emburrada.  — É uma festa chata para investidores, raio de sol. Não vai ter ninguém com a sua idade lá.  — Teria se deixassem a Bela ir também. — retrucou.  — Não prefere passar a noite toda vendo filmes e comendo bobagens com a Bela na casa da avó dela?  — Vendo por esse lado... — sorriu.  — Vem, querida, eu e Alfonso te deixamos lá. — Annie disse.  — Tchau, papai. — beijou meu rosto. — Eu te amo. — Também te amo. — beijei o topo de sua cabeça. — Não coma muitos doces e não durma tão tarde.  — Ok.  Os três saíram de casa e antes que eu também fosse, fui até o meu escritório pegar algo para me dar sorte. Eu havia guardado o cristal que ganhei de Dulce em meu cofre, mas essa noite eu o levaria no bolso do smoking. Não que eu realmente acreditasse nesse tipo de coisa, mas parecia ser especial. Peguei as chaves do meu carro novo e fui até a garagem. O plano do dia era apenas comprar o Audi Q7 para a Dulce, mas não resisti quando vi aquela bela BMW praticamente chamando o meu nome. Seria o carro perfeito para aquela noite.  Fui até o prédio onde Dulce morava e dessa vez eu pedi para o porteiro interfonar. Precisava tentar ser um pouco menos invasivo com ela. Dulce pediu que eu aguardasse no estacionamento e assim eu fiz, olhando meu relógio de pulso a todo instante.  E então eu a vi surgir usando o vestido que eu lhe dei de presente. Ela estava ainda mais linda do que imaginei, me deixando até sem fôlego. Teria que me controlar para não desistir de ir até esse baile e levá-la de volta ao seu apartamento, direto para o seu quarto.  Mais bonito do que aquele vestido só o sorriso que ela trazia em sua face. Fui caminhando ao seu encontro até pararmos um de frente ao outro. O perfume dela era doce, mas suave. Tudo nela era perfeito.  — Uau... — soltei um longo suspiro. — Eu nem sei que palavras usar pra descrever o quanto você está linda.  — Obrigada. — corou. — Você está de tirar o fôlego. — ajeitou o meu colarinho.  — Confesso que eu prefiro uma jaqueta de couro e uma calça jeans, mas hoje tenho que parecer o homem da alta sociedade que eu sou. — dei de ombros.  — Posso confessar uma coisa? Eu achei que nada se igualaria ao Christopher bad boy, mas esse seu estilo engomadinho também tem o poder de molhar calcinhas. — falou de forma maliciosa.  — Se falar assim de novo eu te jogo no banco de trás do carro e estrago o seu belo vestido. — usei minhas mãos para apertar sua cintura. — Tentador... — mordeu o lábio inferior. — Carro novo? — arqueou a sobrancelha.  — Sim. Eu vi essa belezinha e pensei "por que não?"  — Tenho o mesmo pensamento quando passo pela vitrine de uma padaria e vejo bolinhos de baunilha. — riu enquanto ia até a porta do carona.  — Calma aí, docinho. — passei em sua frente e abri a porta para ela. — Manteremos as tradições.  — Que cavalheiro! — sorriu e depois entrou no carro.  Dei a volta e também entrei. Durante o caminho eu deixei que ela escolhesse a música e não escondi minha cara de surpresa quando ela colocou direto numa estação de rádio que só tocava música clássica. A olhei de canto enquanto ela cantarolava no ritmo do violino, fazendo gestos com os dedos como se estivesse tocando.  — Por que me olha assim? — perguntou sem parar de mexer as mãos.  — Não sabia que gostava de música clássica.  — Eu sou professora de artes com especialização musical. Eu gosto de todo tipo de música. Inclusive, Amber está aprendendo algumas sonatas de Mozart. — Parece que eu sempre vou ter algo novo para descobrir sobre você. — Parece que sim.  Nós chegamos até o local do evento e eu fiz questão de manter Dulce bem perto de mim enquanto andávamos pelo tapete vermelho da entrada. Queria que qualquer um que a olhasse soubesse que ela já estava acompanhada.  Quando entramos no grande salão, os olhares se voltaram para nós. Talvez por Dulce estar deslumbrante e também porque aquelas pessoas jamais esperariam que eu aparecesse acompanhado. Sempre fui um lobo solitário depois de ficar viúvo e nunca apareci socialmente com nenhuma mulher que não fossem Belinda ou Anahi.  Mantive minha mão apoiada na cintura de Dulce enquanto a conduzia até a mesa que estava reservada para mim. Notei que ela se encolheu um pouco ao perceber que todos a encaravam e colou o seu corpo ao meu como se estivesse involuntariamente pedindo para ser protegida.  Puxei uma cadeira para ela se sentar e depois sentei na cadeira da frente. Ela parecia muito incomodada e eu queria que ela parasse de dar atenção às outras pessoas e apenas relaxasse. — Quer comer ou beber alguma coisa? — perguntei.  — Não, eu estou bem. — sorriu sem jeito. — É só estranho para mim estar num lugar como esse.  — E que tipo de festas você frequenta?  — No geral, boates. Mas também adoro um bom bar country.  — Nossa. — fiz uma careta.  — O que? É legal!  — Como um bom amante de rock, eu devo dizer que você está errada.  — Eu deveria te levar um dia, você com certeza se arrependeria de dizer isso.  — Aceito o desafio. — falei com confiança.  Vi meu pai aproximar-se da minha mesa enquanto intercalava o olhar entre mim e Dulce. Ele estava curioso e eu podia notar uma pontada de satisfação em sua face. Mesmo que nunca tenha dito, ele sempre quis que eu seguisse em frente e arranjasse alguém.  — Fico feliz que tenha aparecido. — ele disse assim que parou ao lado da mesa. — E vejo que veio muito bem acompanhado. — olhou para Dulce. — Sou Victor Von Uckermann. — estendeu a mão para ela.  — Dulce Maria Saviñon. — ela disse ao cumprimentá-lo. — Só Dulce. — ri baixinho da forma fofa como ela pediu para ser chamada pelo primeiro nome.  — Dulce Maria? Seria a professora de música da Amber?  — Exatamente, sou eu! — ela pareceu feliz em ser reconhecida.  — Ouvi maravilhas sobre a senhorita.  — Dulce. — repetiu ela. Meu pai franziu a testa e a olhou com estranheza, talvez meio confuso em como ela não aparentava ser uma pessoa muito comum. Não o culpo, eu mesmo olhei para ela daquele jeito mais vezes do que consigo me lembrar.  — Ela não gosta de formalidades. — expliquei. — E fico feliz que seu baile esteja bem frequentado, papai. — fiquei de pé. — Com sorte não irá gastar um só centavo com a campanha. — dei um tapinha em seu ombro. — Agora se me der licença... Dulce, quer dançar comigo? — ofereci minha mão para ela.  — Claro! — ela segurou minha mão com firmeza. — Foi um prazer, senhor Von Uckermann. — acenou para meu pai antes de eu arrasta-la para longe.  Na pista de dança, algumas pessoas estavam dançando e eu parei com Dulce bem no meio. A deixei bem perto de mim e começamos a balançar no ritmo da música que por coincidência era clássica.  — Por que pareceu que você fugiu do seu pai? — perguntou.  — Meu pai é um homem difícil. Ele é um milionário que vive de aparências e favores, sempre quis me arrastar para isso, mas eu nunca me deixei levar.  — Aparências e favores? — franziu a testa.  — Negócios ilegais, docinho. — sussurrei.  — Bom, agora eu já sei em quem não votar. — sussurrou de volta me fazendo rir.  Encostei minha cabeça na dela e ao olhar para trás eu avistei Belinda nos encarando com toda a raiva possível. Ela queria que eu a tivesse acompanhado naquela noite e eu recusei explicando que já teria alguém para levar. Agora ela estava furiosa ao descobrir que esse alguém era a Dulce. Quando a primeira música acabou, eu guiei Dulce até onde Anahi e Alfonso estavam. Poncho arqueou as sobrancelhas e olhou Dulce de cima a baixo, algo que me deu nos nervos.  — Esse vestido é tão... uau! — ele disse. — É a sua cara.  — Obrigada! Eu também achei. — ela disse gentilmente.  — Nem imagino quem tenha encomendado. — ele me encarou.  — E então, o que estão achando desse baile super chato? — mudei de assunto.  — Você sabe, papai está sendo mais gentil do que nunca e já conseguiu uma boa quantia para sua campanha. — Anahi disse. — Vish... lá vem. — resmungou ao olhar por cima do meu ombro.  Belinda caminhava em nossa direção, mas olhava apenas para Dulce. Com meu instinto protetor, eu fiquei entre as duas, com Dulce quase escondida atrás de mim.  — Ela? Sério? — Belinda disse com tédio ao se aproximar.  — Se veio aqui destilar veneno, sugiro que dê meia volta e se afaste. — avisei. — Isso é jeito de falar comigo, Chris? — sorriu. — Eu só queria conversar com você sobre um assunto sério.  — Podemos deixar isso para depois?  — Não. É urgente. Tem que me ajudar. — maldita dívida!  Olhei para Dulce que estava bastante incomodada com a presença de Belinda.  — Eu volto em um instante. — avisei. — Fique aqui com Anahi e Alfonso.  Não esperei resposta e acompanhei Belinda até o lado de fora do local.  [•••] Dulce Maria  E então eu o vi acompanhá-la até a saída, me deixando ali muito mais rápido do que eu pensei que faria. Parecia egoísmo da minha parte, afinal eles já se conheciam há anos e ela com certeza era importante para ele, mas mesmo assim eu não consegui evitar de me sentir incomodada.  — É sempre assim? Ela chama e ele vai? — perguntei para Anahi e Alfonso, que se entreolharam de forma séria.  — Não se preocupe com isso. — Anahi apoiou a mão em meu ombro. — Eu vou pegar algo para beber. — na verdade, pareceu que ela queria fugir daquela conversa.  — Olha, Dulce, eu sou justo. — Alfonso começou a dizer depois de ficarmos sozinhos. — Eu acho legal que você esteja saindo com o Christopher, ou sei lá o que. Mas tem que saber que talvez isso não vá para a frente.  — Por que?  — Porque a Belinda decidiu não gostar de você e no final ele vai escolher o lado dela. Ele sempre vai escolher a Belinda. — encolhi meus ombros e mirei o chão. — Estou dizendo isso porque simpatizei com você e não quero que se magoe.  — Digamos que eu já imaginava que poderia sair ferida disso. Mas no fundo eu tinha a grande esperança de que não fosse assim.  — Eu espero que você seja a luz que ele precisa. E mesmo que as chances pareçam pequenas, isso pode sim dar certo. Como um criador de histórias de amor, posso afirmar que as melhores são as que parecem não ter solução. — sorriu e eu retribuí o sorriso.  Alguns minutos se passaram quando Christopher entrou novamente, caminhando mais rápido e pisando firme, carregando uma expressão séria e rígida. Não sei o que Belinda disse para ele, mas certamente o irritou.  — Vamos embora. — ele disse ao chegar até mim.  — Mas nós acabamos de chegar. — falei com estranheza.  — Eu disse que nós vamos embora. — ele agarrou minha mão e começou a caminhar até a saída.  — Ei, espera! — parei bruscamente ao chegarmos até o estacionamento e dei um puxão para que ele soltasse minha mão. — O que aconteceu? O que ela te disse que te deixou assim?  — Não posso dizer.  — Não pode ou não quer? — Não posso e não quero. — foi firme. — Entre no carro. — ele disse depois de destravar as portas.  — Vai me levar pra casa?  — Primeiro vamos passar na minha casa.  Não fiz nenhum outro questionamento e entrei no carro. Dessa vez ele não abriu a porta para mim, o que me deixou um pouco desanimada. O que diabos deu nele para voltar com aquela carranca de irritação? O jeito como ele mudava da água para o vinho tão rapidamente me assustava.  O caminho foi totalmente silencioso e assim que adentramos na propriedade ele foi direto para a garagem, um lugar onde eu nunca havia entrado. Vi sua inconfundível Range Rover estacionada em um canto. Também haviam outros carros que com certeza eram caros e um deles me chamou a atenção. Era o único vermelho, os outros eram pretos.  Ele parou a BMW e eu saí sem esperar que ele viesse abrir para mim. Continuei encarando o Audi Q7 vermelho que tinha um ar de carro novo. Bom, se ele havia comprado um carro para ele naquele dia, talvez sua irmã também tivesse feito o mesmo.  — Gostou do carro? — ele perguntou ao notar o meu olhar vidrado. Agora sua voz estava mais suave do que antes.  — Sim, é muito bonito.  — É de última geração. — ele foi até o carro e passou os dedos pelo capô. — É seu.  — Que? — pisquei desacreditada.  — Eu comprei pra você. — sorriu fraco.  — Não. — comecei a rir desacreditada.  — Sim. — riu também.  — Ah. Meu. Deus. — falei pausadamente. — MEU DEUS! — gritei.  Comecei a gritar de animação enquanto pulava ao redor do carro, olhando pelos vidros como ele era na parte interna. Minha b***a amaria aquele estofado e o painel tinha tantas funções que eu temia ter que precisar de um manual.  Christopher olhava para mim rindo enquanto eu surtava de animação.  — Ai não, eu não posso aceitar. — falei tomando fôlego.  — Depois desse chilique? — ele riu ainda mais.  — Deve ter sido muito caro e eu não quero me aproveitar de você. Eu posso comprar um carro, não um como esse, talvez um carro usado, mas eu posso comprar.  — Não me admira que a lata velha que você tinha era usada.  — Não fale m*l dos mortos.  — Dulce, eu comprei esse carro porque eu quis. Você não é nenhuma aproveitadora porque não está me pedindo nada.  — Mesmo assim...  — Eu vou ficar bem puto se não aceitar. — sua frase saiu com uma pontada de impaciência.  — Ok. Eu posso fazer esse sacrifício. — dramatizei com a mão sobre o peito. — Obrigada! — pulei em seus braços e lhe dei um abraço apertado.  — Não... não... — sem me largar, ele me empurrou até a lateral do carro e apertou seu corpo contra o meu, me permitindo sentir a sua ereção. — Vai me agradecer de outra forma. — sussurrou em meu ouvido. Soltei um longo suspiro e mordi o lábio inferior enquanto mergulhava em seus olhos cor de mel. Sim, eu estava pronta para ser grata. 
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