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1112 Words
Christian. Depois do meu interrogatório de Karimov, Sharipov designa dez soldados armados para me vigiar e acompanhar as enfermeiras quando cuidam de mim. Sei que ele está tentado a fazer mais — como me jogar na prisão — mas não ousa. Peter já fez sua mágica com suas conexões russas, então todos neste hospital estão em seu melhor comportamento, excluindo o pequeno detalhe dos guardas armados. — Nós os pegamos. Ao som da voz de Peter, me levanto, tenso demais para ficar sentado. — Como eles estão? É difícil segurar o telefone enquanto me equilibro nas muletas, mas consigo. — Zaytsev está bem fodido. Acabaram com o rosto dele — acho que ele perdeu um olho. Rayza parece bem. Ela matou Majid. Estourou a cabeça dele antes de chegarmos. Peter soa admirado. — Derrubou ele sem hesitar, se você consegue acreditar nisso. — Droga. Não consigo formar essa imagem na minha mente, então nem tento. — Zaytsev perdeu um olho? — Ao que parece. Não sou médico, mas está feio. Com sorte, conseguem consertar isso naquela clínica na Suíça. — É. Se há um lugar capaz de fazer isso, é lá. — Ele quer você e os outros transferidos para essa clínica, aliás. Vamos mandar um avião em breve. — Ah. Era esperado, mas ainda assim é bom ouvir. — Ele não te destruiu por deixar Rayza ser levada? — Nem falei direito com ele. Estou mantendo distância. — Peter… — hesito por um segundo. — Zaytsev não é muito racional quando se trata da esposa. Existe uma chance de ele. — Arrancar meu fígado com as próprias mãos? Sim, eu sei. O russo soa mais divertido do que preocupado. — É por isso que vou deixá-los na clínica e ir embora. Agora eles são problema seu. — Indo embora? E a sua lista? — Não se preocupe com isso. A voz dele esfria. — Eles vão ter o que merecem. — Tudo bem, cara. Eu poderia mandar os guardas prenderem Peter agora, mas não faço isso. — Boa sorte. — Obrigado, Christian. Você também. Espero que você e Zaytsev se recuperem logo. E então ele desliga, me deixando ali, esperando pelo avião e tentando não pensar em Scarlett. Meus dedos pairam sobre o teclado do meu laptop enquanto encaro a tela, debatendo a sensatez do que estou prestes a fazer. Então respiro fundo e começo a digitar. Meu e-mail para Romanov é curto e direto: Zaytsev solicita que Scarlett Romanova seja transferida para sua custódia para interrogatório adicional. Clico em “enviar” e me levanto, deleitando-me com a liberdade de me mover sem muletas. Já faz duas semanas desde que retirei o gesso, e ainda me sinto eufórico toda vez que fico de pé e ando sem ajuda. Saindo do meu escritório/biblioteca, sigo para a cozinha para fazer um sanduíche. Cozinhar é uma habilidade que nunca consegui dominar, então meu sanduíche é extremamente simples: presunto, queijo, alface e maionese entre duas fatias de pão. Sento-me à mesa para comer, para não forçar demais a perna. Embora esteja cicatrizando bem, ainda preciso lutar contra a tendência de mancar. Só se passaram dois meses desde a fratura, e o osso precisa de mais tempo para se recuperar completamente. Enquanto como, meus pensamentos se voltam para a provável resposta dos russos ao meu e-mail. Não consigo imaginar que Romanov ficará satisfeito em perder sua prisioneira, mas, ao mesmo tempo, não acho que ele vá resistir muito. As armas de Zaytsev são as melhores do mercado e, com o conflito na Ucrânia se intensificando, o Kremlin precisa mais do que nunca das nossas entregas clandestinas para os rebeldes. De um jeito ou de outro, eles vão atender ao pedido de Zaytsev — mas, na verdade, meu. O que significa que, depois de dois meses obcecado por ela, finalmente vou colocar as mãos em Scarlett Romanova. Mal posso esperar. Nos dois dias seguintes, troco meia dúzia de e-mails com Romanov. Como eu suspeitava, ele não está nada satisfeito, chegando inicialmente a dizer que só falará com Peter Ivanovisk sobre o assunto. — Ivanovisk está indisponível no momento — digo a Romanov quando entramos em uma chamada de vídeo. O oficial russo está novamente usando uma intérprete — desta vez, uma mulher de meia-idade. — Sou eu quem fala por Zaytsev em todos os assuntos agora, e ele quer Romanova sob sua custódia o mais rápido possível, junto com todas as informações que vocês conseguiram reunir sobre ela até agora. — Isso é impossível — rebate Romanov depois que a tradutora transmite minhas palavras. — É uma questão de segurança nacional — Besteira. Tudo o que precisamos são os arquivos sobre o histórico dela. Isso não tem nada a ver com segurança nacional russa. Romanov permanece em silêncio por alguns momentos após a tradução, e sei que ele está avaliando a melhor forma de lidar comigo. — Por que você precisa dela? — pergunta por fim. — Porque queremos rastrear o indivíduo ou a organização específica responsável pelo ataque com míssil. — Ou pelo menos é isso que digo a mim mesmo: que quero interrogá-la pessoalmente para encontrar os desgraçados que derrubaram nosso avião. Os olhos sem cor de Romanov não piscam. — Você não precisa de Romanova para isso. Compartilharemos essas informações com você assim que as tivermos. — Então vocês não têm. Depois de dois meses. — Fico surpreso e impressionado ao mesmo tempo por eles não terem conseguido quebrar a garota. O treinamento dela deve ter sido de alto nível para resistir a um interrogatório tão longo. — Teremos em breve. — Romanov cruza os braços. — Existem maneiras de acelerar a obtenção de informações, e acabamos de receber autorização para usá-las. Meus músculos do estômago se contraem. Tenho tentado não pensar no que podem estar fazendo com ela em Moscou, mas, de vez em quando, esses pensamentos surgem — junto com as lembranças da nossa noite juntos. Eu quero que Scarlett sofra, mas a ideia de guardas russos sem rosto abusando dela desperta algo sombrio e repulsivo dentro de mim. — Não me importo com suas autorizações. — Forço minha voz a permanecer calma enquanto me inclino mais perto da câmera. — O que vocês vão fazer é transferi-la para nossa custódia — se quiserem manter nossa relação comercial. Ele me encara, e sei que está pensando se estou blefando. E estou — Zaytsev não autorizou nada disso — mas Romanov não sabe disso. — Isso não acabaria bem para você — diz Romanov por fim. — Se decidisse ir contra nós assim. — Talvez. — Não pisco diante da ameaça velada. — Talvez não. Os inimigos de Zaytsev raramente terminam bem.
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