Geovanna
O celular vibrou. Era ele. Sorri ao ver como ele tinha salvo o contato.
✉ Mensagem
Amor meu: Oi morena, PG aqui. Tá tudo bem aí?
Geovanna: Tá sim, branquelo. E aí na boca, como tá?
Amor meu: Por um milagre, está tranquilo.
Geovanna: Que horas você vem para casa?
Amor meu: Umas 21:00. Por quê?
Geovanna: Eu vou em casa resolver umas coisas.
Amor meu: Não vai dormir aqui hoje?
Geovanna: Não sei... se eu tiver coragem, eu volto.
Amor meu: Não seja por isso, eu vou te buscar.
Geovanna: Se eu ficar com preguiça, te mando mensagem.
Amor meu: Tá bom. Beijo.
Larguei o celular e fui para o banho. Saí, peguei umas roupas que a Joana já tinha lavado e vesti ali mesmo. Peguei a chave do meu Mustang e saí decidida a ter uma tarde calma. Mas o destino tinha outros planos.
— Sai de mim, satanás! — exclamei ao dar de cara com a Marcela me esperando no portão. Ela estava com a cara fechada e os braços cruzados.
— Satanás é o teu c*! — ela cuspiu as palavras.
— Tenho certeza que não, querida.
Tentei entrar no carro, mas ela foi mais rápida: puxou meu cabelo com força e me derrubou no paralelepípedo.
— Agora você vai ver, sua c****a m*l-amada! — ela montou em cima de mim.
— Minha querida, eu sou a pessoa mais amada dessa vida. Já você... além de m*l-amada, é m*l comida!
O tapa estalou no meu rosto. O sangue ferveu. Empurrei ela com tudo e inverti as posições. Acertei dois murros certeiros e comecei a bater a cabeça dela contra o chão. Ela conseguiu me empurrar e ficamos de pé, ofegantes. Ela estava com o lábio cortado e um corte feio perto do olho. Uma pequena multidão já se formava quando o PG brotou no meio de nós.
— Que p***a está acontecendo aqui? — ele rugiu.
— Pergunta para essa filhote de capeta! — apontei.
— Foi ela quem começou! — Marcela mentiu descaradamente.
— Mentira! Ela me emboscou no carro e puxou meu cabelo!
— CHEGA! — o grito dele ecoou. — Marcela, mesmo depois do estrago que a Geovanna fez na sua cara, você ainda vem mexer com ela? Vai para casa agora!
— Mas, Matheus...
— VAI p***a!
Ela obedeceu, bufando. PG me deu um selinho rápido, mas eu ainda estava cega de raiva. Saí de lá "voando" com o carro. Cheguei em casa, Lurdes e Afonso cuidaram de tudo enquanto eu tentava esfriar a cabeça na piscina. Foi quando o Benício apareceu do nada.
— O que faz aqui? — perguntei, saindo da água.
— Você sumiu do baile aquele dia... vim te chamar para sair. Topa o baile no morro hoje?
— Tá. Me busca às 22:30.
Eu precisava de distração. Me produzi como se fosse para uma guerra: body de renda preto, saia justa, salto altíssimo e uma make impecável. Mandei mensagem para a Luana e combinamos de nos encontrar no bar.
Luana
Me arrumei toda no vermelho: body, saia com f***a e salto. O PK passou para me buscar na moto e fomos para o camarote. O clima no morro estava estranho, meu primo estava com uma cara de poucos amigos subindo as escadas. Encontrei a Geovanna no bar assim que ela chegou com o Benício.
Geovanna
— Oi, gata! O que está bebendo? — sentei ao lado da Luana.
— Batida de vodka com catuaba.
Peguei meu copo e fui para a pista. O som do funk estava no talo. Comecei a dançar, descendo até o chão, fazendo quadradinho e esquecendo do mundo. Eu e Luana estávamos dando um show. Mas, entre um passo e outro, meus olhos subiram para o camarote.
O mundo parou.
Lá estava ele. O "Amor meu". O homem que disse que me amava ontem, beijando uma ruiva na frente de todo mundo. Esse é o amor que você sente por mim, Matheus? Senti uma queimação no peito que não era da bebida.
Benício passou ao meu lado. Não pensei. Puxei ele pela nuca e tasquei um beijo desesperado, com os olhos fixos no camarote, torcendo para que o PG estivesse vendo o troco em tempo real. Paramos apenas quando o fôlego acabou, e eu vi o mundo girar.