PG (Matheus)
Cheguei em casa, tomei um banho rápido e escolhi uma roupa leve: camisa nude, calça jeans clara rasgada e boné combinando. Peguei a chave do carro e fui para o baile. No camarote, o clima era o de sempre, mas notei uma ruiva conversando com a Laura. Nunca tinha visto ela por ali.
Virei um copo de vodka e fiquei observando a pista. Lá estava ela: Geovanna. Ela dançava como se o mundo fosse dela, rebolando em um ritmo que me deixava louco. Vi ela dançar duas músicas e depois sair em direção ao bar. Fui buscar outra bebida e a ruiva se aproximou.
— Oi, gatinho. Está sozinho? — ela perguntou, acariciando meu ombro.
— Não.
— Não? E onde está sua acompanhante?
— Ela está ali...
Antes que eu pudesse reagir, a garota segurou minha nuca e me beijou à força. Eu a empurrei imediatamente.
— Ficou maluca? Minha namorada está bem ali! — apontei para a pista, mas o que vi me deu um nó no estômago: Geovanna estava beijando o Benício.
— Parece que ela não é tão fiel assim — a ruiva debochou e saiu.
O sangue subiu para a cabeça. Saí do camarote cego de raiva. Cheguei perto dos dois, não disse uma palavra e acertei um murro em cheio na cara daquele moleque. Ele caiu e eu fui para cima com tudo.
Geovanna
Benício desabou com o soco do Matheus, que continuou batendo nele com fúria.
— Matheus, para! — Gritei, mas ele não ouvia. Acertei um chute no abdômen dele para afastá-lo.
Fui socorrer o Benício, que estava desacordado.
— PK, leva ele para o hospital agora! — MPM e PK o levaram arrastado enquanto o PG subia para o camarote. Eu fui logo atrás, fervendo.
— Marreta, não deixa ninguém subir! — ordenei ao segurança.
Entrei e bati a porta. O Matheus estava sentado, bufando.
— O que deu em você? — perguntei.
— Eu que pergunto! O que pensa que estava fazendo com aquele cara?
— Meu amor, chifre trocado não dói. Fica na tua, porque quem começou foi você!
— EU QUEM COMECEI? — Ele se levantou, alterando a voz.
— Sim! Se você não tivesse beijado aquela água de salsicha no camarote, eu não teria beijado o Benício!
— Eu não beijei ninguém! Ela me beijou à força! Pergunta para o MPM se não acredita!
— Não preciso perguntar nada, eu vi com meus próprios olhos!
— NÃO ACONTECEU NADA! ELA ME BEIJOU E EU EMPURREI! — ele gritou.
— ELA SÓ TE BEIJOU PORQUE VOCÊ DEU LIBERDADE! — rebati no mesmo tom.
— ABAIXA A VOZ PRA FALAR COMIGO! — ele apontou o dedo na minha cara.
Aí eu perdi o resto de paciência que tinha.
— QUEM QUER RESPEITO, RESPEITA! ABAIXA ESSE TOM E ESSE DEDO! NÃO SOU NENHUMA DE SUAS PUTAS PRA VOCÊ FALAR COMO QUER, BABACA ARROMBADO!
Gritei mais alto que ele, virei as costas e saí. Como o Benício tinha ido para o hospital, tive que ir para a entrada do morro chamar um Uber. O Pernalonga e os caras tentaram brincar comigo, mas eu não estava para graça.
Cheguei em casa, me joguei na cama e ignorei todas as chamadas e mensagens do PG. Tomei um banho demorado para tirar a energia r**m, vesti um pijama e fui falar com a Luana pelo celular. Ela me contou que o PK ia pedir a mão dela formalmente para o PG amanhã. Fiquei feliz por ela, mas a minha situação estava um caos.
Terça-feira, 10:45
Acordei com o celular tocando. Era ele de novo. Rejeitei. Vesti uma saia branca, blusa cinza e meu All Star. Tomei café e mandei mensagem para o Luan, que cuida das pistas de corrida. Eu precisava de velocidade.
Peguei meu carro na garagem, tirei a capa e fui voando para a pista de barro. Passei faróis vermelhos, nem liguei. Cheguei lá e o Luan já estava me esperando.
— Falei para os caras deixarem a pista livre para você o tempo que quiser.
— Valeu, Luan.
Fechei o vidro, pisei fundo e entrei na pista. Na primeira curva fechada, puxei o freio de mão e dei um drift perfeito, levantando uma cortina de poeira. Corri como se estivesse fugindo de todos os problemas, sentindo a adrenalina queimar o estresse da noite anterior.