PG (Matheus)
Eu não quero e não consigo ficar brigado com a Geovanna. Já liguei e mandei dezenas de mensagens, mas ela me ignora completamente. Estou na boca, tentando focar nos problemas que sobraram do baile, quando o PK entra na sala.
— PG?
— Fala — puxei uma cadeira. — Mas seja rápido.
— Quero falar sobre a sua prima.
— Aconteceu alguma coisa com a Luana? — perguntei, já ficando alerta.
— Não, ela está bem. Eu quero assumir ela de verdade, patrão.
Olhei bem para ele. O PK é meu braço direito e um cara de confiança.
— Beleza. Está autorizado.
— Sério? — Ele abriu um sorriso que quase não cabia no rosto.
— Sim. Mas vou avisar uma só vez: se eu vir ela triste pelos cantos por sua causa, você já sabe o que acontece.
Ele assentiu, firme, e saiu da sala radiante.
Luana
Acordei com o celular tocando. Atendi com aquela voz de sono de quem dançou até o chão ontem.
📞 Ligação
Luana: Quem é o infeliz?
PK (Vida minha): Desculpa se te acordei, amor.
Luana: Ah, é você... e aí? Falou com ele?
PK: Falei. Ele autorizou!
Luana: Sério? Ai, meu Deus!
PK: Sério. Te mando mensagem quando eu chegar no barraco.
Dei um pulo da cama. Tomei um banho, coloquei uma lingerie nova, camisa preta, shorts jeans e meu Vans. Mandei mensagens para a Geovanna, preocupada. Ela não respondia, e o silêncio dela estava me matando.
Geovanna
Parei o carro no acostamento da pista de barro para dar um descanso ao motor. Peguei o celular e vi as mensagens desesperadas da Luana. Apenas visualizei. Eu precisava de um tempo para pensar.
Como eu amo esse favelado filho da puta... — pensei, batendo no volante.
Não dava mais. O clima de briga estava me sufocando. Eu o amo e pronto. Liguei o Mustang, dei a última volta na pista e saí em disparada. O asfalto estava movimentado, mas eu costurei o trânsito como se estivesse em um videogame. Subi o morro a 200 por hora, direto para a boca. Dei um drift agressivo e parei o carro exatamente na entrada.
Os vapores da vigília ficaram de boca aberta. Passei por eles como um furacão e encontrei o PK.
— O que está fazendo aqui?
— Vim ver seu amigo. Cadê ele?
— Sala 3.
Fui até a porta, respirei fundo e entrei. Matheus estava lá, sem camisa, com os olhos vermelhos de quem tinha passado a noite fumando e pensando. Tranquei a porta e parei na frente dele.
— Desculpa? — perguntei, baixinho.
— Quem tem que pedir desculpas sou eu. Desculpa? — Ele levantou e me olhou com uma intensidade que me arrepiou.
Sorri e pulei no colo dele, iniciando um beijo que misturava saudade e fogo. O resto da tarde na sala 3 foi nosso. Entre a mesa do escritório e os beijos quentes, a gente se resolveu do jeito que a gente faz de melhor.
— Te amo — sussurrei, encostando minha testa na dele quando finalmente paramos.
— Eu também te amo, morena.
Sentei no colo dele na cadeira, tentando recuperar o fôlego.
— Será que todas as vezes que a gente discutir vamos terminar desse jeito no dia seguinte?
— Eu acho que sim — ele deu aquele sorriso cafajeste que eu amo e me deu um selinho.
Me vesti, enquanto ele fazia o mesmo. Ele insistiu em me levar até a saída. Na frente da boca, ele me puxou pela cintura, me deu um beijo de despedida e, quando eu ia entrar no carro, me deu um tapa estalado na b***a.
Dirigi até a casa da Luana e encontrei ela sentada na calçada com o Benício.
— Oi, amores! — gritei, saindo do carro.
— Te mandei mil mensagens e você não respondeu! — Luana reclamou.
— Estava correndo, amiga. Desculpa.
— Tenho que te contar! O PK falou com o meu primo e...
— Ele deixou! — completamos juntas, dando um grito e nos abraçando ali mesmo na rua.