19° Capítulo: Velozes e Apaixonados

696 Words
​PG (Matheus) ​Eu não quero e não consigo ficar brigado com a Geovanna. Já liguei e mandei dezenas de mensagens, mas ela me ignora completamente. Estou na boca, tentando focar nos problemas que sobraram do baile, quando o PK entra na sala. ​— PG? — Fala — puxei uma cadeira. — Mas seja rápido. — Quero falar sobre a sua prima. — Aconteceu alguma coisa com a Luana? — perguntei, já ficando alerta. — Não, ela está bem. Eu quero assumir ela de verdade, patrão. ​Olhei bem para ele. O PK é meu braço direito e um cara de confiança. — Beleza. Está autorizado. — Sério? — Ele abriu um sorriso que quase não cabia no rosto. — Sim. Mas vou avisar uma só vez: se eu vir ela triste pelos cantos por sua causa, você já sabe o que acontece. ​Ele assentiu, firme, e saiu da sala radiante. ​Luana ​Acordei com o celular tocando. Atendi com aquela voz de sono de quem dançou até o chão ontem. ​📞 Ligação Luana: Quem é o infeliz? PK (Vida minha): Desculpa se te acordei, amor. Luana: Ah, é você... e aí? Falou com ele? PK: Falei. Ele autorizou! Luana: Sério? Ai, meu Deus! PK: Sério. Te mando mensagem quando eu chegar no barraco. ​Dei um pulo da cama. Tomei um banho, coloquei uma lingerie nova, camisa preta, shorts jeans e meu Vans. Mandei mensagens para a Geovanna, preocupada. Ela não respondia, e o silêncio dela estava me matando. ​Geovanna ​Parei o carro no acostamento da pista de barro para dar um descanso ao motor. Peguei o celular e vi as mensagens desesperadas da Luana. Apenas visualizei. Eu precisava de um tempo para pensar. ​Como eu amo esse favelado filho da puta... — pensei, batendo no volante. ​Não dava mais. O clima de briga estava me sufocando. Eu o amo e pronto. Liguei o Mustang, dei a última volta na pista e saí em disparada. O asfalto estava movimentado, mas eu costurei o trânsito como se estivesse em um videogame. Subi o morro a 200 por hora, direto para a boca. Dei um drift agressivo e parei o carro exatamente na entrada. ​Os vapores da vigília ficaram de boca aberta. Passei por eles como um furacão e encontrei o PK. — O que está fazendo aqui? — Vim ver seu amigo. Cadê ele? — Sala 3. ​Fui até a porta, respirei fundo e entrei. Matheus estava lá, sem camisa, com os olhos vermelhos de quem tinha passado a noite fumando e pensando. Tranquei a porta e parei na frente dele. ​— Desculpa? — perguntei, baixinho. — Quem tem que pedir desculpas sou eu. Desculpa? — Ele levantou e me olhou com uma intensidade que me arrepiou. ​Sorri e pulei no colo dele, iniciando um beijo que misturava saudade e fogo. O resto da tarde na sala 3 foi nosso. Entre a mesa do escritório e os beijos quentes, a gente se resolveu do jeito que a gente faz de melhor. ​— Te amo — sussurrei, encostando minha testa na dele quando finalmente paramos. — Eu também te amo, morena. ​Sentei no colo dele na cadeira, tentando recuperar o fôlego. — Será que todas as vezes que a gente discutir vamos terminar desse jeito no dia seguinte? — Eu acho que sim — ele deu aquele sorriso cafajeste que eu amo e me deu um selinho. ​Me vesti, enquanto ele fazia o mesmo. Ele insistiu em me levar até a saída. Na frente da boca, ele me puxou pela cintura, me deu um beijo de despedida e, quando eu ia entrar no carro, me deu um tapa estalado na b***a. ​Dirigi até a casa da Luana e encontrei ela sentada na calçada com o Benício. — Oi, amores! — gritei, saindo do carro. — Te mandei mil mensagens e você não respondeu! — Luana reclamou. — Estava correndo, amiga. Desculpa. — Tenho que te contar! O PK falou com o meu primo e... — Ele deixou! — completamos juntas, dando um grito e nos abraçando ali mesmo na rua.
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