Geovanna
— Ficou invisível, foi? — a voz do Benício me tirou dos pensamentos assim que entrei na casa da Luana.
— Oi, moreno. Tudo bem? — dei um beijo rápido em sua bochecha. — Precisamos conversar.
Luana percebeu o clima e se adiantou.
— Vou para a cozinha. Se precisarem de qualquer coisa, é só chamar — ela disse, nos deixando sozinhos na sala.
— O que foi? — Benício me olhou sem entender nada.
— Vou ser direta, sem rodeios: não vamos mais continuar ficando.
— Por quê?
— Estou com o PG agora.
— Não acredito que vai me trocar por aquele... — eu o interrompi antes que ele terminasse a frase.
— Olha lá o que vai falar. Você está dentro da casa dele.
— Você tem certeza que é isso que quer?
— Sim. Tenho.
— Beleza. A vida continua — ele disse, seco.
— Podemos continuar amigos?
— Melhor não — ele se levantou e saiu sem olhar para trás.
Luana voltou e me deu um abraço apertado.
— Amiga, sinto muito...
— Pelo quê? Eu não estou triste. Não aguentava mais ele no meu pé, já estava mais do que na hora de cortar isso — confessei.
Passamos a tarde fofocando até que, por volta das 21:45, o Matheus chegou.
— Já vou indo — anunciei, pegando minha bolsa.
— Por quê? — ele perguntou, fechando a porta antes que eu saísse. — Ei, quase pegou minha mão!
— Desculpa, não foi minha intenção. Tenho que ir para casa guardar o carro.
— Dorme aqui hoje? — ele pediu, acariciando meu rosto e me dando um beijo calmo.
— Matheus, eu preciso tomar banho, trocar de roupa...
— Deixa o carro na nossa garagem. E tem roupas suas no meu quarto. Você venceu, Geovanna.
Ele jogou a chave para o PK guardar o Mustang e subimos. Depois de um banho relaxante, deitamos abraçados. O clima era de paz, algo raro na vida dele.
— Já falei que te amo hoje? — sussurrei, traçando o abdômen dele com os dedos.
— Ainda não...
— Eu te amo.
— Eu também te amo, morena — ele sorriu. — Vem morar comigo?
— Já falei que não depende só de mim...
— Então eu vou falar com o seu pai.
Quarta-feira, 09:35
Acordei sozinha na cama. Matheus já devia estar na correria da boca. Tomei um banho, vesti uma camisa dele e fui tomar café. Senti falta do Benício para o baile de sábado e resolvi testar o terreno.
✉ Mensagem
Geovanna: Benício, você ainda vai comigo para o baile?
Benício: Desculpa, já arrumei outro par. Foi m*l aí.
Era o esperado. Deitei novamente e apaguei até às 13h, quando acordei com Matheus me enchendo de beijos. Ele veio apenas almoçar e já ia voltar. Decidi que era hora de ir para minha casa esperar meus pais.
Sábado, 16:18
Meus pais finalmente voltaram. Estávamos na sala, rindo e conversando sobre a viagem, um momento raro de união na nossa família. Respirei fundo. Era agora ou nunca.
— Mãe, pai... posso falar com vocês?
— O que foi, filha? — os dois me olharam curiosos.
— Eu queria pedir permissão para ir morar com a minha amiga.
— Qual amiga? — meu pai perguntou, arqueando a sobrancelha. — A Luana, do morro?
— Sim.
— Tem certeza que é por causa dela que você quer mudar para lá? — ele me sondou, me conhecendo bem demais.
— Tem razão, pai. Não é só por causa dela.
— Então por causa de quem? Não vai dizer que é para fugir da gente? — minha mãe se espantou.
— Não, mãe! Nada disso. É que eu estou apaixonada por um cara maravilhoso que encontrei lá.
— E quem é esse cara, filha?
O silêncio reinou na sala. Eu sabia que o nome "Matheus" ou o vulgo "PG" poderia mudar tudo em um segundo.