08 — 20 Anos Narrando A vida da Victória virou do avesso. Eu não queria que ela fosse só mais uma "brasinha" do morro que sabia segurar um ferro, mas não sabia assinar o nome. Se ela era minha herdeira, ela tinha que ser melhor que eu. Tinha que ter o que eu não tive. Matriculei a menor numa escola particular lá embaixo. O povo olhou torto, os diretores tremeram na base quando viram quem ia pagar o boleto, mas ninguém deu um pio. Só que a realidade era dura: a garota tinha quase treze anos e o conhecimento de uma de seis. Ela não sabia ler, Vitor. Ela olhava pras letras e via desenho. — É difícil, 20 Anos... as letras fogem de mim — ela dizia, com os olhos cheios d'água, debruçada sobre os cadernos. Eu não deixei ela desistir. Contratei uma professora particular, uma coroa de confiança

