Cap 15

708 Words
Cap 15 — Luan Narrando Luan Narrando Trabalhar para o 20 Anos não é para qualquer um. O homem é uma rocha. Ele não perdoa falha, não aceita desculpa e tem um faro para traição que parece que o cara lê pensamento. Eu ralei muito para chegar onde eu tô. Comecei no pé do morro, fazendo contenção de radinho, e hoje eu sou a sombra do homem. Ganhei a confiança dele porque eu sou frio, porque eu não tremo em operação e porque eu entendo que, na Nova Holanda, o respeito vale mais que o ouro. Mas tem uma coisa que o 20 Anos nunca soube. O meu maior teste de lealdade nunca foi contra a polícia ou contra os rivais. Meu maior teste foi conviver, dia após dia, com a Victória. Eu vi aquela ruiva crescer. Lembro dela chegando aqui, uma coisinha de nada, magrela, com o cabelo todo bagunçado e um medo no olho que dava dó. Mas o tempo foi passando e o 20 Anos transformou aquele medo em munição. Eu estava presente em quase todos os treinamentos dela. Enquanto os outros soldados tavam no pagode ou dormindo, eu tava lá no fundo do morro, no stand improvisado, vendo o patrão ensinar ela a lidar com ferro. E eu vou te falar: pra guerra, aquela menina é um fenômeno. Se tu fechar os olhos e ouvir o barulho dela montando um fuzil ou os disparos dela no alvo, tu jura que é um homem de dez anos de crime. Ela tem o pulso firme, a calma de quem nasceu pra isso. Ela caiu nas mãos certas. O 20 Anos não criou uma filha, ele criou um soldado de elite com rosto de anjo. E foi aí que o meu problema começou. A menina foi espichando, o corpo foi ganhando curva, aquele ruivo foi ficando cada vez mais vivo e o olhar... o olhar dela deixou de ser de criança e virou um desafio constante. Eu tentava manter o profissionalismo, juro por Deus. Eu sabia que encostar na Victória era assinar minha sentença de morte em três vias. Mas como é que faz quando a tentação mora na casa onde tu faz segurança? Ela tem uma marra que me instiga. Ela sabe o poder que tem. Ela sabe que quando ela passa, até o fuzil dos moleques pesa mais. Hoje, no baile, eu olho pra ela e não vejo mais aquela menininha que pedia quentinha. Eu vejo uma mulher que tira o juízo de qualquer um. Ela tá lá no VIP, toda de preto, com a pistola na cintura como se fosse uma joia, dançando e rindo... e eu aqui, fingindo que tô só olhando o perímetro. O 20 Anos confia em mim. Ele me deixou aqui pra ser o escudo dela. Mas ele não sabe que o escudo tá querendo ser a espada. Ele não sabe que aquele beijo lá embaixo, no carro, foi o que faltava pra eu perder o pouco de juízo que me restava. Eu sou Luan, segurança do tráfico, braço direito do dono do complexo. Eu sou treinado pra não sentir nada, pra ser uma máquina. Mas quando a Victória me olha daquele jeito debochado, eu sinto que eu trocaria toda a minha moral no morro por uma noite com essa herdeira. Eu sei que tô brincando com o capeta. Eu sei que o 20 Anos é capaz de me picar vivo se desconfiar. Mas o perigo sempre foi o meu vício, e a Victória... ela é a droga mais forte que eu já experimentei. Agora eu tô aqui, no camarote, vendo ela descer até o chão. O grave do funk tá batendo, o whisky tá subindo, e eu tô aqui, na contenção, mas o meu pensamento tá bem longe da segurança. Eu tô só esperando a brecha. Porque no final dessa noite, eu quero muito mais do que só levar a filha do patrão pra casa em segurança. Eu quero provar pra ela que, por trás dessa marra toda de herdeira, ela também quer o vagabundo que tá cuidando dela. E que Deus me ajude quando o patrão voltar. Porque se a guerra estourar, eu vou estar no meio dela, de fuzil na mão e a ruiva do meu lado.
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