Capítulo 1
- Hoje levarei você para a escola, maninha – Disse Elliot, assim que viu Helena despontar da escada.
- Não poderei pegar o carro uma vez sequer, não é? – Helena disse, indignada.
Em resposta, Elliot fechou os olhos e riu gostosamente para sua irmã. Era algo comum trata-la com uma criança que pode enfiar os dedos na tomada se ninguém supervisioná-la. Apesar de aquela amanhã estar fazendo 17 anos, era como se ainda estivesse fazendo seu décimo aniversário.
Helena andou lentamente até a sala de jantar e pode ver seu pai lendo jornal, concentradamente. Parecia tão envolvido, que nem notou sua filha. Ela percorreu a sala com os olhos, vendo todos os prêmios que seu pai havia ganhado. Um acadêmico respeitado. Era professor de química e física, sempre fazendo novas pesquisas, ajudando a ciência muito mais do que poderia. Não pode dar a atenção devida a seus filhos nem a sua mulher. Mas era um pai amoroso, que tentava de alguma forma compensar sua falta.
- Pai, hoje posso pegar o carro? – indagou Helena, sentando-se ao lado de seu pai.
- Acho que não, querida. Não quero que nada aconteça com o cadilac – respondeu ele calmamente, sem desviar os olhos do jornal.
- Comigo você não se importa, não é? Só com o carro – resmungou ela.
Ele riu, porém, ainda continuava absorto no jornal, como se lá estivesse estampado o melhor artigo de física de partículas do mundo. Helena esticou o pescoço para ver melhor o que seu pai lia, tão avidamente. Pode notar uma foto de um rapaz de terno. Os olhos tão profundos, que chegavam a hipnotizar se você olhasse muito. A manchete dizia:
“...Filho de empresário assume as empresas farmacêuticas Manson. Vincent Manson, o mais novo CEO da empresa, com 22 anos, vai para o Estados Unidos fazer novos contatos para a empresa que perdeu credibilidade ao longo dos anos...”
- Espiar é feio, sabia? – repreendeu Elliot. Ele pousou as mãos sobre os ombros de Helene e se sentou na cadeira ao lado dela.
- Espiar é feio? E você que sempre me espia quando estou com Lia? – Helena rebateu, com um sorriso amarelo despontando no rosto pálido.
Elliot, que agia de forma infantil, apesar da idade de 24 anos, mostrou sua grande língua e começou a tomar seu café. Bacons e ovos, seus prediletos.
- Pai, você ainda está preocupado? – Indagou ele, deixando farelos de bacon cair de sua boca. Helena torceu o nariz e tentou focar o seu café. Suco de laranja e pão integral com manteiga.
- Você sabe que isso é estranho, depois de tantos anos – disse Sr Morgan, de forma cautelosa.
- Sei que é estranho, mas ele não é assim – frisou Elliot.
- Quem é ele? – perguntou Helena, curiosa.
Pai e filho se entreolharam com preocupação, como se ele fosse segredo de Estado. Helena fuzilou os dois, irritada por não poder fazer parte de nenhuma conversa secreta que os dois tinham. Fazia semanas que os dois estavam assim. Conversando nos cantos da casa, cochichando sem parar. Parecia que algo grande iria acontecer e ela não perderia isso por nada.
- Bom dia! – disse um voz doce, vindo da porta da sala.
- Bom dia! – disse Katherine, efusivamente.
- Salvos por uma interrupção – resmungou Helena, focando no café. Não parecia mais apetitoso. Era rançoso como seu mau humor.
- Kat, venha aqui, vamos comer esse café delicioso que a mamãe fez! – exclamou entusiasmado Elliot.
Katherine sentou-se a frente de Elliot, pegando quantidades grandes ovos e bacons para uma garota.
- Então, priminha, por que essa cara? – disse dengosamente para Helena.
- Não vem com essa, Kat. Você me infernizou o verão todo, vou ter que aturar mais? – Helena pegou seu celular do bolso e digitou uma mensagem para sua melhor amiga, Lia.
“Hoje o dia vai ser difícil, a megera continua conosco”.
- Ora, ora. Não assim que se fala com sua prima. Você sabe o motivo de eu ter feito isso – desdenhou Katherine – Aquele garoto, como é o nome dele mesmo, era...
- James, o que James tem haver com isso? – interrompeu Elliot. Tentava suprimir o sorriso que se formava em seu rosto, tão pálido quanto o da irmã.
- James não tem nada haver com isso – retrucou Helena, vermelha como pimentão em conserva.
- Eu não acho isso. Ele tem tudo haver. Sabia que ele está namorando aquela que tem anorexia, como é nome dela mesmo? – Enquanto falava, Katherine tirou um frasquinho do bolso e começou a pintar suas unhas de rosa – Ah, é Alexia. E ela não é tão bonita como você, priminha.
- Aqui não é lugar para pintar as unhas – repreendeu Helena.
- Bem, se aqui não é lugar para pintar a unha eu sei. Mas também não é lugar para animosidades. Estamos quites?- rebateu Katherine.
- Já chega, as duas! – disse o Sr. Morgan, com um tom cortante. Ele estava mais pálido do que o normal. Não parecia realmente irritado com elas, mas sim com algo mais sério. Seus olhos normalmente azuis vivos, estavam pálidos, que parecia o céu encoberto nos dias de outono. – Será que não podemos ter um café da manhã em paz?
- Sim pai. Desculpe-nos – disse Helena, baixando os olhos para a comida.
- Sua prima vai ficar por aqui, um tempo, vai terminar o colégio com você. Espero que sejam amigas, pois vão ser ver muito. – advertiu ele. Seus olhos voltarem-se para o jornal e o café da manhã decorreu silencioso, pois cada um está entretido em seus pensamentos.
**
- Já falei para me devolver o celular – gritou Helena para Katherine, enquanto tentava desesperadamente tomar o aparelho da mão de sua prima.
Estavam os três no cadilac preto, Elliot no volante, Katherine no banco da frente, e Helena no de trás. A calmaria se dissolveu no momento em que as duas entraram no carro.
- Devolve esse celular pra ela. Quer que eu bata o carro? – exasperou-se Elliot.
- Okay, priminho! Tá aqui seu celular – entregou Katherine. Pelo retrovisor, era possível ver seu olhar de decepção por ter perdido seu brinquedo. E a brincadeira que ela mais gostava era irritar Helena.
- Por que fez isso? Por que você queria mandar essa mensagem para ele? – Indagou Helena. Sua voz era num tom de mágoa profunda.
- Por que eu fiz isso? Oras, o James precisa saber que você é apaixonada por ele. – Desdenhou ela. Katherine mexia em seus cachos loiros, amassando e modelando com os dedos, reinando como se nada pudesse a derrubar do trono de cristal.
- Eu já disse que ele é só um amigo! – Helena protestou, com a voz estridente.
- Será que vocês duas podem parar de brigar? Ou querem morrer mais cedo? – Elliot disse num tom ácido.
As duas fungaram e permaneceram silenciosas o caminho todo até a escola. Helena tentou focar nos prédios a sua volta. Como era bonita a cidade de São Francisco. Inspiradora e criativa. Até a praia era incrível, despertando desejos mais profundos. Helena inspirou fundo aquele ar salgado, pois estavam perto das praias. Sua escola era perto da praia e sempre que possível saia correndo para ver o mar com Lia, sua amiga desde de sempre. E irmã de James.
Ao chegar ao colégio, Helena saiu o mais rápido possível do carro, não queria ser acompanhada de Katherine. Cada dia que passava ao lado da prima era uma tortura e teria que ser diferente no dia do seu aniversário.
- Helle! – gritou alguém da porta da escola.
- Oi Lia – cumprimentou Helena.
- Helle, você não vai acreditar – disse Lia, correndo ao seu encontro – Nós fomos convidadas para ir numa festa da praia. Acredita?
- Lia, você sabe que a praia é publica, podemos ir a qualquer festa... – Helena disse, demonstrando o quanto isso era algo óbvio.
- Não é qualquer parte da praia – interrompeu Lia – É a parte que fica os populares, bem longe da escola. Onde tem as boates, onde ficam as pedras maiores... Você sabe.
- Hum... Você sabe que meu pai não me deixaria ir – disse Helena, desanimada. Ela não queria fazer parte do clube dos populares e faria de tudo para permanecer invisível até se formar.
- Helle, você não entendeu! Isso é muito importante, agora que James está namorando Alexia, temos passe livre – a amiga tentou argumentar. Tomou o braço de Helena e foram rumo a entrada da escola, do mesmo jeito que elas faziam há anos – James não deixaria você faltar nisso, ainda mais que é seu aniversário. E talvez seu pai deixe se o bonitão do seu irmão for...
- O bonitão do meu irmão não vai à festa de trouxas.
- Vai sim, porque eu já o convidei.
- Você o quê? – Helena se afastou para encarar a amiga. Não poderia acreditar que até seu irmão havia se tornado um deles. Um dos populares. E Alexia era um deles e James também era e se perdesse Lia e Elliot, estaria sozinha no mundo.
- Helle, é só uma festa, não quer dizer que nós somos eles. Nós somos melhores – enquanto falava, jogava seu longo cabelo com mechas roxas para trás – Somos as supercats de São Francisco.
- Você só pode estar brincando – riu Helena. As duas caíram na gargalhada e foram rumo aos seus armários.
Helena ficou mais aliviada de ver que sua boa e velha Lia continuava a mesma. Os mesmos cabelos acinzentados e cheios de mechas coloridas. O mesmo delineado e o mesmo jeans colado no corpo com All Star de cano alto vermelho. Era a boa e velha Lia.
- E ai, meninas! – disse uma voz masculina, atrás delas.
- James! Maninho, Helle está relutante de ir à festa na praia – brincou Lia, pulando no ombro do irmão.
- Por que Helle? Hoje é seu aniversário. Vamos curtir como nos velhos tempos – James sorriu, revelando dentes alvos. Sua pele queimada de sol o deixava saudável e atraente como os surfistas da praia. Os olhos tão azuis como o mar em um dia calmo e sem nuvens, como o mar que se poderia mergulhar sem pensar duas vezes.
- Você sabe que eu não gosto dos populares – disse Helena, sentindo-se incomodada. Olhou para o corredor, procurando uma rota de fuga.
- Helle, nós não somos parte deles, só queria fazer uma festa para você, então Alexia me ajudou com o convite. Ela não é como eles – James tentou justificar, apertando o ombro dela, procurando seu olhar.
- Alexia não é um deles? Desde que quando? Desde que ela resolveu andar com você? – Helle tentou se afastar, mas era impossível, o toque dele era magnético. Era como se uma força de atração maior prendesse ela onde estava.
- Alexia nunca foi como eles. Ela é uma garota que se importa com os outros e ainda é vice – presidente do conselho estudantil. Fez muito progressos, ainda mais do lado da Alicia Parkson...
Helena não estava ouvindo, parecia que o mundo estava contra ela. Onde não houvesse espaço para gente como ela. Encaixava-se mais com os esquisitos e esquecidos, na sua arte e apenas nisso. Sua visão começou a nublar, como acontecia muitas vezes desde o ano anterior. Acontecia quando ficava chateada ou muito irritada, mas nunca ouvirá um zumbido em seus ouvidos. Parecia que o mundo estava desaparecendo e se tornando cinza e Helena não tinha mais controle sobre o que estava a sua volta. De repente barulhos de algo explodindo a despertaram e ela sentiu o algo gelado sobre sua pele.
- Helle! Acorda Helle! – disse James, próximo ao seu rosto.
Ela não conseguiu focar sua voz, parecia que tudo estava girando a sua volta. Sentiu que estava deitada no chão e uma forte dor de cabeça despontava sobre suas têmporas. Quando conseguiu abrir bem os olhos, viu todas as lâmpadas dos corredores estouradas e os armários escancarados.
- Isso foi sinistro! – comentou Lia, enquanto ajudava Helle levantar do chão.
- Helle, eu estou preocupado com você. Há quanto tempo você está assim? – interrogou James, abraçando-a.
- Eu não sei, nunca desmaiei. Mas ando com dores de cabeça e visão turva – respondeu Helena. Quando sentiu o choque de estar abraçada a ela, tentou se afastar, mas só ficou mais tonta quase caindo novamente.
- Ei! Calma aí garota. Não vai se machucar – disse James, tentando puxá-la de volta.
Helena sentiu seu peito afundar de tristeza. Não poderia considerar alguém amigo se estava apaixonada.
- Gente, sério, o que houve aqui? – perguntou Lia, enquanto levavam Helena na enfermaria.
- O que aconteceu foi que Helle tem que ir ao médico fazer uma ressonância – disse James, irritado.
- Não precisa se exaltar. Não estava falando sobre sua amada Helena, estava falando sobre as lâmpadas estourando e os armários batendo – retrucou Lia – Será que era um poltergeist?
- Isso não existe Lia. Será que podemos focar aqui agora? – reclamou James, olhando para Helena com apreensão.
Os três chegaram à enfermaria assim que o sinal tocou. A enfermeira Besse os fitou com um olhar desconfiado, perguntando cinco vezes o que havia acontecido.
- Eu posso ir à aula, já estou bem – contestou Helena, enquanto a enfermeira procurava sua veia para colocar o soro.
- Se você teve um desmaio, é melhor ficar aqui, se é que está dizendo a verdade. E vocês, saiam daqui já e vão para as suas classes – ralhou Besse.
- Já vamos enfermeira Besse. Você vai ficar bem? – James pegou a mão de Helena, passando uma energia calma como brisa.
- Vou sim, vou tomar esse soro e vou ficar melhor – assentiu Helena, quase fechando os olhos de fadiga. Ao contrário do seu coração que batia a mil pela mão que se foi.
- Chega de namorico e vão para suas classes – reclamou Besse fechando a porta na cara de Lia e James, não se antes de Lia dar uma risadinha.
- A gente se vê, fracote – brincou Lia.
- Até! – Tentou dizer Helena, mas o sono era tão forte que ela não tinha mais forças para abrir a boca.
**
O gosto era salgado, assim como o mar. O sol batia sobre os olhos fechados, era quente e calmante. A calmaria passou e o frio gelado se instalou, até os ossos. Os dentes bateram com força, abrir os olhos parecia mais difícil do que nunca. Pareciam colados um no outro.
- Não tem que abrir os olhos, é melhor não ver – disse uma voz masculina nos seus ouvidos. Ou era na sua mente? Ela não sabia distinguir. Não sentiu o hálito quente em sua orelha, então só poderia ...- Eu avisei que você não poderia estar aqui. Por que continua vindo?
- Eu não sei do que você está falando – respondeu Helena confusa. Não sentia sua boca se mexer para falar e isso era muito estranho. Parecia que seu pensamento falava por ela.
- Sabe, sim. Se não soubesse, como me acharia? – respondeu a voz, num tom de ironia.
Helena tentou mais uma vez abrir os olhos, a escuridão parecia engolfa-la. O pânico era do escuro era algo que a perseguia desde de pequena e não havia a abandonado.
- Eu acho melhor não abrir – advertiu a voz.
- Ahhhhhhh – gritou ela. Sentiu seu corpo chacoalhar, com se tivesse aterrissado. Seu corpo estava tremendo e seu corpo doía inteiro. Notou que ainda estava na enfermaria. O alívio era imenso, menos de ver sua mãe a encarando com agonia.
- Filha – exclamou a Sra. Morgan, indo até a poltrona em que Helena estava sentada. – O que foi isso, outro pesadelo?
- Não, mãe – Helena revirou os olhos. Olhou para o soro, que já havia terminado. Quem sabe horas. – Eu só... não sei, só estava tudo muito escuro e não conseguia abrir os olhos, então acordei.
- Oh querida! – disse sua mãe, melodiosa. As mãos delas não paravam de alisar o longo cabelo escuro de Helena, alisando e alisando. Parecia mais frenética do que de costume – Sei que tudo parece tão difícil. Você entrou no último ano escolar, já vai se preparar para a faculdade. - Eu e seu pai temos muito orgulho de você, sabia? – Helena tentou esconder a ânsia de se ver longe daquele carinho. Parecia demais. Como se ela estivesse escondendo algo, algo que não queria que ninguém soubesse. Oferecia mais amor do que devia, para esconder algum segredo.
- Mãe, eu sei. Será pode tirar a mão? – Helena pegou a mão de sua mãe e colocou a sobre a sua. – Diga-me, o que está havendo?
- O que está havendo? Acho que é óbvio. Você não está...
- Não isso mãe – Helena interrompeu. – Digo com você e papai. Faz meses que estão estranhos e cheios de atenção para dar. O que há? Não querem que eu vá para faculdade de arte? Ou...
- Não filha, não é nada disso – Sra. Morgan esfregava as mãos uma na outra sem parar – Eu.. eu tenho medo de perdê-la, Helena. Eu e seu pai. Você está crescendo tanto... – Seus olhos começaram a brilhar, e parecia que iriam transbordar – Você é especial, querida...
- Ah, mãe, pare! Não comece com isso. Sou como todo mundo...- Helena sentia-se incomodada. Remexia se na cadeira e o soro parecia estar espetando demais sua pele. Algo estava errado no comportamento de sua mãe, mas ela não sabia dizer onde estava o erro.
- Oh, Elizabeth – Besse cumprimentou, enquanto tirava o soro de Helena. Salva por uma enfermeira, pensou ela, aliviada.
- Oh, Besse, que bom vê-la. Cuidou bem da minha menina? – Perguntou a Sra. Morgan.
- Claro que sim, mas acho bom leva-la no médico. Ela ficou apagada 2 horas – Besse enrugava a cara, parecendo preocupada. Era vermelha como uma pimenta – Tentei acordá-la, mas foi impossível, parecia morta.
- Oh, meu Deus! Querida, você anda assim há quanto tempo? – indagou a mãe, preocupada. Apalpava o rosto de sua filha, como se pudesse encontrar a causa para o seu m*l-estar.
- Mãe, pare com isso – pediu Helena, enquanto afasta as mãos de sua mãe. – Estou bem, está vendo? Só estou com dores de cabeça desde o verão...
- Desde o verão? Por que não me contou? – Exclamou a Sra. Morgan, exasperada.
Helena revirou os olhos, se colocou em pé, para mostrar que estava em perfeito estado. Só que pode provar era que estava fraca demais para isso, porém se manteve firme.
- Mãe, veja, estou até em pé – mostrou ela, tentando não desmaiar novamente – Agora posso ir para minhas aulas?
- De jeito nenhum – disseram em uníssono Sra. Morgan e Besse.
- E o que vou fazer? – Perguntou Helena, chateada.
Sra. Morgan e Besse se entreolharam.
- Vai para casa, ficar na cama. Vou marcar um médico para você – Sra. Morgan a puxou pelo ombro, guiando até a porta – E sua prima ficará responsável por trazer o dever de casa. Até logo, enfermeira Besse.
- Até queridas! – acenou Besse.
- Mãe! Por que Katherine tem que trazer o dever, Lia também está na minha sala – reclamou Helene, se apoiando na mãe.
- Por que sim. Sua prima virá para casa e Lia não vai ficar no seu quarto hoje. Vocês não estudam – Enquanto ela falava, digitava uma mensagem para Katherine. - Acha que não sei o que vocês duas fazem? Ficam falando de garotos...
- Não é verdade, mãe – disse Helena, indignada – Só o que faço e estudar. Lia pode ser um pouco, digamos sem limites, mas quando está comigo, é outra coisa. Eu quero entrar na universidade, quero cursas Artes... Você está me ouvindo?
- Huhumm – resmungou Sra. Morgan, enquanto digitava.
- Parece que não. – Fungou Helena. Enquanto caminhavam, podia ver a sala em que James estava. Podia vê-lo pela janela, ao lado de Lia, tranquilo e fazendo suas anotações. Seu coração parecia que ia parar a todo o momento quando o via. Mas se lembrou de Alexia, a única pessoa que teria ele.
- Claro que estou. Só estava mandando as informações necessárias para sua prima – falou Sra. Morgan – Você está muito irritada, precisa descansar.
Helena revirou os olhos e abraçou sua mãe com carinho. Não poderia ficar brava com ela, só por alguns segundos e depois sumia quando olhava dentro daqueles grandes olhos cor de mel. Sentiu um alívio por poder ir para casa com ela, a única pessoa que poderia amá-la de verdade além de seu pai. As duas entraram no carro e seguiram pela estrada.