Capítulo 4

841 Words
Robert retirou Erik da água, mas ele estava com os sapatos, meias e calças encharcadas. Era algo vexatório, mas a segurança do garoto era de sua responsabilidade. Se algo acontecesse a Erik, Anne arrancaria suas orelhas fora. Não que ele tivesse medo dela, mas não gostaria de desaponta-la. E o de relacionamento estável entre os dois não precisava terminar de maneira abrupta. Ele gostava de estar em sua presença, apesar do ciúme e inveja que sentia. Ciúme de Anne e inveja de Henry, por tê-la em seus braços. Ele pegou a bengala caida sobre a grama e se apoiou sobre ela. Como sempre, nunca a deixava de lado. Era um costume adquirido com seu pai. Até pelo fato de que ele carregava um florete dentro dela e poderia usa-la como arma. Por fazer esgrima regularmente, ele mantinha seu porte físico em dia e se alguém tentasse assalta-lo ou machuca-lo, ele saberia como se livrar do seu atacante. - Você está bem Erik? – ele perguntou, afastando o menino da margem do rio. As roupas deles estavam encharcadas e eles deveriam voltar, ou o garoto iria ter uma febre com certeza. Robert escutou passos apressados, desviando sua atenção de Erik. Olhou para frente e pode ver a senhorita Henrietta Harrison se aproximando. O chapéu dela estava caído em suas costas, preso apenas por uma fita em volta do seu pescoço. Por um momento ele perdeu o raciocínio ao ver seus cabelos flamejantes e sua pele pálida de porcelana. - Ele está bem, milorde? – ela perguntou, assim que chegou perto o suficiente deles e se agachou – Ó, pobrezinho – ela tocou no rosto do menino com a palma da mão. Ele estava ensopado e seus cabelos grudavam em sua testa. Erik sorriu para ela, sem ter medo ou timidez. Robert não esperava vê-la aquela manhã. De fato, não esperava ter qualquer proximidade com ela. Henrietta o deixava irritado, de uma maneira que quase ninguém conseguia. - O que faz aqui, senhorita? – Robert perguntou, em um tom ríspido. Ela ergueu o queixo para encara-lo, sem se levantar. Estava uma posição submissa diante dele. E isso o deixou confuso e ao mesmo tempo quente por dentro. Aquela mulher seria sua perdição, com certeza. E para deixar a situação pior, ela sorriu de forma petulante para ele. - Estou aqui, passeando. Por acaso isso é da sua conta, milorde? – ela respondeu, sem ser ríspida, mas irônica. Ele mordeu os lábios, irritado. Aquela mulher não tinha nenhuma noção de que ele estava acima dela na classe social? E de que ele poderia simplesmente pisar nela, como se fosse um inseto insignificante? Além, de é claro, fechar a editora do seu pai. - A senhorita é muito petulante – ele disse, com um ar de soberba, ao mesmo tempo que tentava esconder sua irritação – Deveria tomar cuidado ao falar, sabia, senhorita? Pode pagar pela língua que tem. Ela o fulminou com o olhar. E ele percebeu o quanto isso realçava a beleza dela. Estava realmente com problemas por pensar nela naqueles termos. Precisava de uma amante urgente para aliviar sua tensão. - O senhor é odioso – ela murmurou. Ele resolveu fingir que não ouvira aquele comentário mordaz. Então, ela se levantou e ajeitou as dobras do seu vestido. Ele pode perceber que tom do tecido era marfim e a veste valorizava sua pessoa. Ela parecia angelical daquela maneira. Uma pena se portar como se estivesse possuída por um espirito maligno. Pois, ela tinha a boca afiada e os olhos dardejantes, assustando a qualquer cavalheiro que tentasse uma aproximação. Até ele mesmo teve dificuldade para ultrapassar seus ataques verbais e olhares penetrantes. Contudo, ele não deixava por menos. Revidava sem o menor remorso. Robert percebeu que estava muito tempo olhando para ela e Henrietta o fitou, com o cenho franzido. Ele pigarreou e voltou seu olhar para Erik, que estava tremendo devido as suas roupas estarem molhadas. - Erik, vamos para casa agora – ele avisou o garoto. Ele fez uma careta, parecendo descontente com a ideia. - Mas, eu quero continuar aqui – ele insistiu. - Não. Você está ensopado – Robert disse em tom autoritário. - A senhorita Henrietta pode vir junto? – ele perguntou, com os olhos inocentes. Robert engasgou com a pergunta dele e pode ver o ar presunçoso de Henrietta. Que Deus o livrasse daquela mulher demoníaca, em forma de anjo. Ele não iria conseguir aguentar tanto tempo ao seu lado. Somente não sabia se era pelas provocações ou por ela ser belíssima. - Será um prazer – Henrietta respondeu. Robert suspirou irritado. Olhou para Erik, que o fitava em expectativa. O menino havia se afeiçoado a Henrietta durante aquele ano, pelo fato de que ela sempre lhe trazia caramelos. Robert teve que admitir que a jovem era muito esperta. - Vamos – ele disse, andando na frente, batendo a bengala no chão com força excessiva, sentindo-se humilhado por ter as roupas molhadas, e ao mesmo tempo irritado por não poder se livrar da dama de cabelos ruivos.
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