Capítulo 10

901 Words
Depois de conversar com seu pai, que estava na sala de jogos da mansão Derby, ele designou John para que a levasse para casa. Ela queria pegar a carruagem, mas era a única que seu pai tinha para regressar. E John tinha uma, para seu uso particular. Ele se propôs a leva-la, assim como Lucinda, que não saiu de perto dela, durante uma hora inteira, enquanto o baile acontecia. - Não se preocupe. Não deixarei que Langford chegue perto da senhorita - John havia dito a Lucinda, pois Henrietta confidenciou a ele o quanto sua amiga estava com medo do cavalheiro. Se havia leviandade em John Miller, como Robert o acusou, não estava ali, de fato. O visconde exagerava em suas descrições, com toda certeza. John era um cavalheiro e Henrietta apenas via isso nele. E foi agradável dançar com ele, uma terceira vez. Mesmo que isso gerasse fofocas. De fato, se uma dama dançasse mais de duas vezes com um cavalheiro, não seria bom para a reputação da dama. Só quem poderia dançar com ela mais vezes, seria seu noivo. E o decoro nem isso permitia. Contudo, Henrietta estava se sentindo muito bem ao lado de John, que se mostrava cortes. E gostava do seu sotaque carregado. Então, os três partiram na carruagem de John. Primeiramente, John deixou Lucinda em sua residência e depois Henrietta. - Espero vê-la amanhã – ele disse, antes de ela descer da carruagem – A senhorita monta? - Sim, adoro cavalos – Henrietta montava a cavalo na propriedade Melton. Seu tio permitia, mesmo que tia Penelope detestasse que ela fizesse isso. Dizia que uma dama não devia ser vista em cima de um cavalo, por causa das saias. - Então – ele disse sorrindo e isso ela podia ver pela lâmpada a gás fora da carruagem, que iluminava um pouco o ambiente – Acredito que vai gostar de amanhã. Tenho um estabulo nas redondezas e trarei uma égua para a senhorita. Que tal? Apenas para seu passeio ser agradável. - Ó, isso é...- ela estava encantada e ao mesmo tempo desconsertada – Não tenho uma roupa adequada para montaria. - Isso não é problema. Mandarei busca-la, para que possamos providenciar a roupa. Que tal? Ele estava sendo tão generoso. E ela estava desconfiada da sua amabilidade, de repente. - E por que está sendo tão amável? – ela perguntou – Se me permite saber, senhor. Não quero ofendê-lo. - Não está ofendendo – John garantiu – Eu quero que tenha o melhor. Seu pai me disse que deseja que eu a peça em casamento, mas primeiro, quero saber se somos compatíveis. E se me deseja. Mas, como vamos saber disso, sem nos conhecer? Ela estava estupefata com a sinceridade dele. - Eu não quero me casar – ela deixou claro – É melhor esquecermos deste passeio. Ela tentou abrir a porta, mas ele segurou a maçaneta. Ela o fitou com impaciência. - Não vá ainda. Não irei força-la a nada. Mas, por favor, deixe-me conhece-la – ele pediu, gentil – Tenho certeza que a senhorita ira gostar de me conhecer. E no futuro, talvez, possamos pensar no casamento. Apenas lhe digo que são possibilidades. E ali estava. Aquela voz. Ela tinha certeza que já ouvira antes. Mas, onde a ouviu? Contudo, a forma como ele a tratou a noite inteira era irrepreensível. Ele nem tentou beija-la. Era diferente de lorde Klyne, o notório libertino. Pensar nele deixou seu coração dolorido. - Então, está bem. Mas, prefiro um passeio no Hyde Park – ela disse. - Que tal um passeio diferente? Ver uma corrida de cavalos? – ele sugeriu. - Ó, isso parece melhor – ela disse, animada – O senhor me ganhou. Quando podemos ir? Ele riu. E mais uma vez sua risada grave fez os pelos dela se arrepiarem. Ele tinha uma risada envolvente. - Senhorita Henrietta, gosto do seu modo efusivo e sincero. Creio que seremos bons amigos – ele puxou a mão enluvada dela, que estava sobre o colo e a beijou – Eu lhe desejo uma boa noite. - Er...igualmente, senhor – ela disse, ruborizada. Ele abriu a porta e ela desceu. Se aproximou da frente da casa dela. A carruagem partiu em seguida. Quando estava para abrir os portões da sua casa, uma mão tocou sua cintura e ela estava encostada em um peito solido e firme. - Henrietta, por que foi embora assim, hum? Ela escutou a voz de lorde Klyne em seu ouvido. Não podia acreditar que ele estava ali. E estava a segurando pela cintura, próximo demais, sem o menor pudor. Que homem odioso era aquele! - Solte-me – ela exigiu, tentando escapar das garras dele. - Ah, mas por que eu deveria fazer isso? – ele perguntou, bem próximo ao ouvido dela – Henrietta, não seja tão malcriada. Robert não esperou por uma resposta dela, apenas a arrastou para dentro da carruagem. De fato, ele a havia a seguido até ali, apenas para esperar quinze minutos, para vê-la sair da carruagem do maldito Miller. Ele contou em seu relógio de bolso o tempo. E estava fervendo de raiva. Abriu a carruagem e empurrou Henrietta para dentro, entrando em seguida, batendo a porta do veículo e bateu no teto acolchoado. Eles apenas dariam uma volta no quarteirão. Sentou-se ao lado dela, puxando pela cintura, fazendo com que ela sentasse em seu colo e a beijou nos lábios.
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