5 CAPITULO

1821 Words
Por Marcela Eu estava até aquele momento sem conseguir compreender o que estava acontecendo ali. Entendia menos ainda o motivo pelo qual pedi para que Hanna ficasse ali com todas nós. Fui pega totalmente de surpresa com a informação que ela era mãe daquela garotinha encantadora e linda que por sinal lembrava muito à mãe em seu aspecto físico. A pequena era meiga, seus olhos eram verdes e seus cabelos tinham os fios ondulados adotando uma tonalidade loira. Eu olhava aquela criança correndo pelo jardim e me perguntava quem seria o pai, Hanna estava casada? Desde quando? Talvez não querer saber nada da garota naquela época tenha sido uma péssima ideia porque agora eu estava cheia de perguntas e sem nenhuma resposta. Mais também que diferença fazia? Senti a mágoa começar invadir meu peito quando lembranças do passado vinham na minha mente, mas agora não era somente pelo o que aconteceu no passado, mas também pelo o fato de imaginar que ela agora era casada e mãe de família, realmente agora ela poderia ganhar o titulo de heterotop que tanto tentava passar. – Sabe... Você ficar só olhando não vai tirar as dúvidas que tem na cabeça. Renata chegou ao meu lado e olhou na mesma direção que eu estava a horas admirando a garotinha de olhos verdes. – Ela parece muito com a mãe. – Isso é bom! – Minha amiga falou e eu não entendi seu comentário, mas também não me surpreendia em não entender, afinal desde que cheguei eu não entendia nada naquele lugar. – Gabi é uma criança encantadora, você não acha? – Sim, muito encantadora e linda. – Ficamos poucos minutos em silêncio observando a garotinha que brincava com o Robson até que eu o quebrei. – Ela está muito diferente, fisicamente e... – Não terminei a frase e minha amiga concluiu por mim. – Na personalidade também! – Renata me olhou e eu sustentei seu olhar. – Você deveria dar uma chance para conversarem, talvez isso seja necessário. – Rê, faz muito tempo e pelo o que vejo tudo mudou por aqui, ela agora é outra pessoa, tem uma família e nós não temos o que conversar. – Como pode ter certeza? Marcela eu amo vocês duas e somente por isso eu vou repetir o que já te falei naquela sala depois da reunião. Hanna passou por muitas coisas que não cabe a mim te contar até porque a raiva fez você optar por não querer saber nada sobre ela, mas eu acho que você não se perdoaria nunca se não parar para ter uma conversa com ela. Ok, aquilo me deixou curiosa. O que pode ter acontecido de tão r**m no passado dela? Ela parece tão bem e feliz! – Eu tenho medo! – Pela primeira vez em anos eu me permiti falar o que exatamente se passava dentro de mim. – Eu tenho medo pelo o que talvez eu venha passar caso me aproxime novamente. Tenho medo do que eu vou ouvir. Eu tenho medo de sofrer de novo. Tenho medo de não ter superado como gostaria de ter. Eu também tenho mágoa, eu tenho dor, tenho lembranças de noites em claro chorando por cada palavra que escutei naquele maldito dia e aquele beijo... Você não tem noção de como sofri. Renata, eu a amava como jamais imaginei que amaria alguém, talvez naquela época eu não soubesse o tanto que eu a amava até sofrer aquela decepção. Renata deixou que eu desabafasse sem me interromper, mas assim que percebeu que finalmente eu não tinha mais nada a dizer ela falou: – Eu sei Marcela, mas naquela época ela era muito jovem e estava passando pelo o processo de aceitação. Ela errou e ela sabe disso, ela reconheceu isso depois que você saiu daquela casa de praia, mas ela também sofreu por só dar valor ao amor que sentia por você quando perdeu. – Há claro, eu estou vendo o resultado do sofrimento. – Direcionei o olhar para a criança que agora fazia birra por alguma coisa no colo na mãe – Quem é o pai? – Não cabe a me falar sobre isso com você, mas vou te dar um conselho. Nunca julgue o livro pela capa. Nem sempre as coisas são o que parecem ser e faça o favor de largar de ser teimosa e agir como o seu coração manda, porque eu sei que no fundo seu coração diz que vocês precisam conversar. Vi a garotinha correr em nossa direção fazendo manha para chamar a atenção de Renata, olhei para a mãe da garota que parecia mais assustada ainda pelo o fato da filha se aproximar de onde eu estava. Afinal de contas o que ela pensava que eu iria fazer? Descontar a raiva que sentia dela na criança? – Titia Rê, a mamãe não quer dá o sorvete que a senhora prometeu. Toda vez que eu olhava para aquele pedacinho de gente uma sensação boa parecia invadir meu coração. – Sua mamãe é muito chata, meu amor, mas você tem sorte de ter tias muito legais. A pequena olhou para mim meio envergonhada e eu apenas olhava aquela interação das duas em silêncio. Olhei novamente para a mãe da criança que parecia nervosa. Baixei a frente da garota e perguntei... – Qual seu nome? Eu sabia o nome dela, mas estava tentando estabelecer um dialogo com a pequena. – Gabriela, mas todo mundo chama eu de Gabi. – Era impossível não sorrir do jeito infantil que a criança falava – Então eu vou te chamar de Gabi também, posso? – Ela sorriu e fez um legal com o polegar. – O meu nome é Marcela, mas você pode me chamar com preferir, combinado? – A pequena acenou positivamente e então falou... – A tia é tão bonita. A garota passou sua mãozinha pequena pelo meu rosto e aquele contato parecia aquecer meu coração, mesmo eu não entendendo o motivo. – Você também é muito linda, pequena. Seus olhos são perfeitos e me trazem paz. – Ela pareceu pensar no que eu falava. Olhei para Renata que estava sorrindo enquanto nos observava. – Vem comigo, vou te mostrar como sou legal. Vou te ajudar a convencer sua mamãe te deixar tomar um sorvete comigo, o que acha? A garota se animou e eu sorria feito boba com aquilo. – EBAAAAAAA, tia Cela vai dá sorvete pra eu. Gabi dançava e vi que Renata me olhava com um sorriso largo no rosto e fez um sinal positivo piscando o olho e saindo na nossa frente. Peguei Gabi no colo e fomos em direção onde às outras estavam. Eu não sabia o porquê de sentir aquela necessidade de ter a pequena por perto, mas eu estava adorando poder tê-la em meus baços. Chegamos à varanda da casa e todas nos olhavam com surpresa nos olhos. – Que foi, nunca me viram não? – Perguntei fazendo graça e levantando a sobrancelha enquanto Gabi colocava a cabeça no meu ombro – Nada, imagina! E eu posso saber o que faz com minha sobrinha no colo? Não acredito que já está ensinando a pobre criança a ser sem juízo! Micaela tinha um tom de voz sério, mas eu vi que estava tentando conter o sorriso. – Na verdade eu prometi que ia tomar sorvete com ela, não é Gabi? – Fiz cócegas na barriguinha da criança que começou a rir escandalosamente. – Para titia Cela, faz cosquinhas. Percebi que a mãe olhou espantada para a filha assim como todas as outras. – Filha, olha os modos. Você não pode chamar ela assim! – Hanna falou e eu não gostei nada daquilo. – Desculpa mamãe! – A garotinha parecia ter ficado triste e aquilo me partiu o coração. – Eu posso saber por que não? Falei séria olhando diretamente para ela que se assustou. – Hi, pronto. Agora vai começar o caso de família ao vivaço. Micaela deu um pedala Robinho em Daniela que passou a mão pela nuca reclamando com a outra. – Porque você pode não gostar dessa i********e, afinal acabaram de se conhecer. – Ela tentou ser objetiva ignorando a brincadeira de Daniela. – Não se preocupe com isso, eu e ela somos amigas agora não é Gabi? – Deixei a mão no ar para que a criança tocasse em um cumprimento – E então, posso tomar um sorvete com ela? Naquele momento a conversa era apenas entre eu e Hanna, eu sentia todos os olhos voltados para nossa direção, mas resolvi ignorar. – Sim, Claro que sim! Só peço que seja um pouquinho porque a Gabriela é complicada para almoçar depois que come besteira. E essa mocinha já se esbaldou com todo tipo de besteira hoje! – Ela fez cócegas na filha que escondeu o rosto em meu pescoço sorrindo. – Relaxa, Hanna. Vai ser só metade do pote para cada uma de nós Falei tão naturalmente em tom de brincadeira, só percebi isso depois e logo fiquei envergonhada. Por um momento parecia que toda mágoa do passado tinha acabado ali naquele momento. – Não se atreva Marcela, se você encher minha filha de sorvete te coloco para cuidar dela quando estiver sem dormir com a barriga doendo. Pela primeira vez em anos eu sorri com algo relacionado à Hanna. – Viu só Gabi, sua mamãe é brava, é melhor nós não correremos o risco. A criança começou a sorrir enquanto brincava com uma mecha solta do meu cabelo. – É sim, ela briga com eu toda vida. A criança fazia manha e agora havia arrancado risadas de todos que estavam presentes ali deixando o clima mais descontraído. O resto do dia foi tranquilo, onde conversávamos muito sobre minha temporada em Portugal, sobre os acontecimentos do Brasil, incluindo o casamento da Micaela que eu havia perdi por está doente na época. Renata falava sobre os preparativos do seu casamento e Daniela falava do quanto queria ficar longe do altar por no mínimo uns trinte anos a mais. Hanna por sua vez ouvia mais do que falava alguma coisa, era notório o desconforto que existia entre nós duas. Não demorou muito para Hanna dizer que precisava ir embora com a criança que já estava adormecida em seu colo. Depois que ela foi embora ficamos pouco tempo na casa da Micaela, eu combinei com Daniela que ela iria me ajudar a procurar um apartamento na semana seguinte e também iríamos procurar comprar um carro para mim, já que o que eu tinha em Portugal eu vendi e agora não dava para ficar usando sempre o carro dos meus pais. Já em casa eu comecei a pensar sobre tudo que Renata havia me falado, sobre todas as curiosidades que eu tenho e sobre aquele pequeno anjo que descobri ser filha da mulher que mais amei na vida. Era muita novidade para poucos dias que eu estava de volta ao Brasil, imagina os próximos dias como seria.
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