6 CAPITULO

2684 Words
Por Narrador Passou mais de um mês após aquele encontro entre as amigas na casa de Micaela. Durante esse tempo Marcela já tinha conseguido se estabilizar novamente no Brasil, já havia conseguido comprar um apartamento e agora estava apenas aguardando conseguir reforma-lo. Foram poucas as vezes que Marcela encontrou-se com Hanna na empresa e em todos esses poucos encontros elas tratavam-se com a formalidade exigida pelo o trabalho. Por mais que Marcela tivesse vontade de saber mais sobre a pequena Gabriela ela se recusava a perguntar a mãe da criança. No entanto, uma das suas dúvidas ela conseguiu sanar, Hanna não era casada, ela soube disso após ouvir uma brincadeira de Micaela com a irmã mais nova, onde a mais velha fez questão de afirmar que Hanna precisava sair mais e encontrar alguém para “tirar seu atraso” o que fez internamente Marcela desejar repreender Micaela. A verdade é que toda a raiva e mágoa que durante anos Marcela nutriu pela mais nova, agora estavam dando espaço à curiosidade sobre tudo o que pode ter acontecido durante o tempo que passou fora do Brasil. Marcela ouviu uma batida e viu a porta da sua sala se abrindo revelando Dani aparecer em seu campo de visão. – Desculpe incomodar. Está muito ocupada? – Claro que não, entra! Tirei a atenção dos papeis que estava lendo enquanto vi Dani sentando-se na cadeira a frente de onde eu estava. – Então, aquela minha amiga arquiteta que eu te falei outro dia, ela está aqui e eu pensei que talvez vocês pudessem conversar sobre a reforma que quer fazer no apartamento. Ela veio tirar umas dúvidas sobre a reforma do conjunto habitacional que estamos com contrato e deu uma passadinha na minha sala para dar um oi, falei sobre seu apartamento e ela disse que poderia conseguir conciliar com as obras do conjunto. – Isso é uma maravilha Dani, pode trazê-la aqui. Será que ela está com tempo agora? – Ela está lá na minha sala aguardando uma resposta sua, eu vou lá e já volto com ela. Em poucos minutos Daniela retornava a sala de Marcela acompanhada por uma ruiva de olhos azuis, mulher alta de pele clara do qual Marcela definiu como muito bonita e atraente, mas óbvio que essa afirmação ficou apenas no seu pensamento. – Marcela, essa é minha amiga Yasmin, a melhor arquiteta dessa cidade. E essa é a Marcela, minha amiga e chefe que precisa das suas mãos de fadas. As duas se cumprimentaram sob o olhar atento de Daniela. – Muito prazer em te conhecer Yasmin, ouvi falar maravilhas do seu trabalho. – Que isso, a Daniela que é muito exagerada! Digamos que eu apenas dou o melhor de mim. Poderia ser impressão de Daniela, mas ela sentiu uma troca de olhares mais intensa do que o esperado entre as duas amigas. As três ficaram conversando um pouco sobre suas devidas profissões até que Marcela então iniciou falar sobre a reforma que pretendida fazer no seu novo apartamento, Daniela pediu licença para voltar ao seu trabalho e deixou as duas conversando à-vontade. – Então, Yasmin. Eu retornei há pouco tempo para o Brasil e comprei um apartamento aqui mais próximo à empresa, mas eu ainda não consegui me mudar para lá porque gostaria de fazer uma reforma antes. Deixar o ambiente mais a minha cara, trocar as instalações elétricas e hídricas se for necessário e a Dani me indicou você garantindo que eu teria o melhor dos serviços. – Olha, eu não posso te garantir que sou tudo isso que os olhos da Dani enxerga, mas te garanto dar o máximo de mim para ficar do seu agrado. – Marcela sorriu com a forma animada que a ruiva falou. – Isso já é um bom começo, eu não sou muito exigente quanto a essas coisas, mas gosto de um ambiente com características de aconchego e tranquilidade. – Vamos fazer assim, você marca um dia para que possamos ir até o apartamento, assim eu posso olhar tudo que é necessário e fazer as anotações de acordo com o seu gosto. combinado assim? – Por mim está ótimo. Vou dar uma olhada na minha agenda, você acha que podemos marcar ainda para essa semana? Nesse momento novamente Marcela escutou batidas em sua porta e dessa vez Hanna apareceu na entrada do local. – Desculpe, eu não sabia que estava ocupada e dona Marta não estava na recepção para informar, mas volto outra hora. Hanna não pode deixar de olhar para a ruiva de forma curiosa e quando ia fechar a porta ouviu seu nome ser chamado. – Senhorita Prado, pode entrar! Algum problema urgente? Marcela resolveu ignorar o olhar de Hanna para a ruiva e sequer apresentou as duas. – A senhorita precisa assinar esse documento para que eu possa dá entrada no pedido de licenciamento. – Hanna entregou alguns papais para a outra que sequer olhava para ela. – Só um minuto, Yasmin. Prometo ser rápida e logo voltaremos ao nosso assunto. Enquanto Marcela lia a assinava os papeis um silêncio desconfortável se fez na sala. Hanna se perguntava quem seria aquela ruiva que por sua vez se perguntava o porquê de Marcela ter adotado uma postura tão fria tão rapidamente. O silêncio foi quebrado por uma porta sendo aberta bruscamente assustando todos os presentes na sala. – Desculpem interromper assim, mas é que é urgente. Hanna ligaram da escola da Gabi, ela passou m*l, te ligaram para avisar, mas como você não atendeu, então ligaram para mim. – Micaela falava de forma apressada e assustada o nervosismo já tomava conta de si. – O quê? Como assim ela passou m*l? O que falaram para você Micaela? Responde pelo amor de Deus! Marcela se levantou rapidamente e sem perceber se posicionou ao lado de Hanna tentando tranquiliza-la. Yasmin observava toda aquela cena em silêncio, mas sentia-se penalizada pelo o estado de desespero que Hanna havia ficado. – Calma Hanna, deixa a Mica explicar! – Segurou a mão da mais nova e lhe puxou para sentar no sofá da sala. Olhou para Micaela. – Explica com calma, Mica. – Eu não sei exatamente o que aconteceu, a professora apenas disse que levaram a Gabi desacorda para o hospital e que precisamos ir para lá. Ela me passou esse endereço. Micaela mostrou o papel, mas antes que Hanna pudesse pegar Marcela antecipou-se e analisou o que estava escrito. – Eu sei onde fica! – Marcela falou. – Yasmin, podemos nos falar em outro momento? Agora vou precisar sair para acompanhar a Hanna. Marcela falava com tanta certeza que talvez nem percebesse o que estava fazendo, pela primeira vez desde que voltou estava tendo um contato mais próximo com a mulher mais nova por quem tanto já foi apaixonada. – Claro Marcela, eu compreendo perfeitamente. Olha, esse é meu cartão, me ligue para marcarmos o que combinamos. Eu já vou indo! Mesmo estando nervosa pela noticia que sua filha estava no hospital, Hanna sentiu uma dorzinha no peito ao ouvir aquilo tudo, a aproximação daquela desconhecida com Marcela era algo que ela não queria ver. – Desejo melhoras para a criança. Espero que fique tudo bem! – Yasmin falou diretamente para Hanna que apenas agradeceu. – Vamos, eu vou te levar para o hospital! Mica você fica aqui, vocês duas estão muito nervosas e nesses momentos é bom ter alguém com um emocional menos abalado para poder ajudar. Tente avisar a Renata para que ela possa tomar conta de tudo por aqui na minha ausência, eu não sei se volto mais hoje. Micaela mesmo achando estranha a atitude de amiga não se opôs a nada do que ela falava. No caminho para o hospital o silêncio se fazia presente no carro, ambas estavam nervosas e sem saber como agir ali na presença uma da outra, Marcela olhou para o lado e percebeu o quanto Hanna estava nervosa. – Ei, não fica assim, ela vai está bem. Hanna olhou para a mulher que se mantinha concentrada na direção e sentiu um aconchego na sua presença. – Eu estou preocupada, Gabi sempre teve uma saúde fragilizada... – Ela fez uma pausa e suspirou. – Eu só quero ver e tê-la em meus braços o quanto antes. Hanna já não conseguiu segurar as lágrimas, estava aflita com as poucas informações que tinha sobre a filha. Marcela tirou uma mão do volante e buscou a de Hanna que estava em cima da coxa. As duas apenas se olharam e permaneceram em silêncio. Para Hanna era estranho à forma como Marcela estava agindo com ela naquele momento, até ali ela achava quase impossível terem uma conversa sobre qualquer coisa que não fosse o trabalho. Por sua vez, Marcela estava confusa com a forma como estava agindo, mas saber que aquela pequena dos olhos encantadores não estava bem fez seu coração apertar e esse aperto só aumentou ao ver o desespero de Hanna, naquele momento ela não queria buscar entender o que acontecia dentro de si, só queria poder está ao lado das duas. Chegando ao hospital Marcela viu Hanna praticamente correr em direção à entrada do hospital e não pode deixar de pensar que pela primeira vez estava vendo a mulher se importar verdadeiramente com alguém que não fosse ela mesma. – Por favor, eu gostaria de informações sobre minha filha que deu entrada nesse hospital, o nome dela é Gabriela Prado, é uma criança de três anos! – Hanna falava desesperada com uma moça na recepção do hospital e Marcela apenas observava a cena em silêncio, mas sempre ao seu lado. – Só um momento, por favor, vou verificar as informações. – A recepcionista falou e então Marcela se aproxima ainda de Hanna na tentativa de mostrar que ela não está sozinha. – Sua filha seguiu para sala de emergência, fica no segundo corredor à direita. Antes que a recepcionista fosse capaz de dizer mais alguma coisa as duas mulheres seguiram para onde foram informadas. Chegando à recepção de emergência Hanna viu a supervisora pedagógica da escola da pequena Gabriela, e correu em direção a mulher para saber o que tinha acontecido com a filha. – Dona Claudia, o que aconteceu com a minha filha? Porque levaram ela para emergência? – Graças a Deus a senhorita chegou! A mulher começa a narrar toda a história para as duas a sua frente, informando que estavam no momento de recreação da escola quando a pequena Gabriela começou reclamar de dor no corpo vomitando logo em seguida, foi nesse momento que a criança perdeu os sentidos e perceberam que ela estava com o corpo muito quente e decidiram leva-la para o hospital. O nervosismo de Hanna era tão grande que nem apresentou Marcela para a supervisora e então Marcela se apresentou. – Desculpe, meu nome é Marcela, sou uma amiga da família da Gabi. A senhora poderia nos informar se faz tempo que os exames começaram? Hanna olhou para Marcela e não pode deixar de ficar feliz por vê-la ali se preocupando com sua filha daquela forma, por mais que as duas não fossem amigas ela ficava feliz em saber que por alguma razão Marcela se preocupava com Gabriela. – Muito prazer, Dona Marcela. Faz mais ou menos uns trinta minutos, eu acho que eles não demoram em voltar. Senhorita Hanna, eu preciso voltar para a escola, pois hoje faltaram duas outras funcionarias e eu preciso auxiliar na secretaria. A senhorita pode nos manter informado sobre o quadro da Gabi? – Claro que sim, dona Claudia. Assim que eu tiver mais informações ligo repassando a escola! Muito obrigado por ter cuidado da minha filha, pode ir tranquila que agora eu assumo. Com a saída da funcionaria escolar ficaram somente as duas ali copartilhando a agonia da espera de informações da criança. Marcela não queria demonstrar para Hanna, mas também estava ficando nervosa sem noticias da pequena. Sentou-se no sofá da recepção de emergência quando viu Hanna se aproximar. – Desculpe, eu estou tão nervosa que acabei não te apresentando. Posso me sentar perto de você? – Não se preocupe com isso, eu sei que você está nervosa. – Responde dando espaço para a mais jovem. – Então, a Gabi tem três anos? Hanna começou ficar tensa com medo do caminho que aquela conversa iria seguir. Desde a volta de Marcela para o Brasil, ela sempre soube que mais cedo ou mais tarde as duas iriam acabar precisando sentar para conversar sobre o passado, sobre tudo que viveu durante a ausência da outra, mas ela não sabia se estava preparada para essa conversa, além de sentir medo da reação que Marcela poderia ter. – Vai fazer quatro anos daqui a um mês! – Baixou a cabeça sem saber se queria ver a expressão no olhar de Marcela. – Huum! Marcela não sabia exatamente o que falar, mas também não foi necessário, pois a mais nova continuou. – Porque decidiu vim comigo? Hanna dessa vez olhou para Marcela e dessa vez foi ela quem viu a outra baixando a cabeça. – Eu não sei... Eu só gosto dela! Por um momento agora os olhos castanhos se encontraram com os verdes que um dia tanto amou. – Responsáveis pela menor Gabriela Prado? Imediatamente as duas se levantaram indo em direção ao médico que chegava à recepção. – Sou a mãe dela Dr. O que a minha filha tem? – Pode me acompanhar até a minha sala, por favor? Hanna olhou para Marcela como se quisesse sua companhia, mas não soubesse como pedir. – Quer que eu acompanhe? – Hanna apenas acenou em concordância e então seguiram juntas. Já na sala o médico explicava que a pequena estava com Dengue e precisava ficar no soro naquele momento porque estava desidratada, mas que logo em seguida poderia ir para casa, mas seria necessário manter repouso absoluto e seguir alguns cuidados especiais, já que seu quadro apresentou perca de sentidos e febre muito alta. Depois de todas as explicações e orientações do médico, Hanna foi para o quarto onde a filha estava no soro. Marcela foi ligar para Micaela e avisar sobre todo o quadro clinico da criança, também informou para a amiga que iria fazer companhia para Hanna o tempo que ela estivesse ali no hospital. Apesar de surpresa Micaela resolveu não questiona-la naquele momento. Marcela desligou o celular e sem se questionar sobre suas últimas atitudes apenas seguiu para o quarto da criança. – Titia Cela! Gabi se animou quando viu Marcela entrando no quarto, foi preciso sua mãe lhe segurar para que ela não saísse da cama e a agulha saísse da veia do seu bracinho. – Ei, calma ai mocinha. Você não pode levantar não – Marcela falou enquanto se aproximava da cama da criança e lhe dava um beijo na cabeça. – Como você está se sentindo, princesa? – Aqui tá dodói! A pequena fez bico apontando para o local onde a agulha estava e aquilo fez o coração de Marcela doer, se ela pudesse arrancava tudo que a criança estava sentindo para si. – É chato está no soro, eu sei, mas é para seu bem e logo vamos para casa, tá bom? Agora você precisa ficar quietinha para acabar logo o soro e não precisar furar em outro local do seu corpo, combinado? Hanna olhava a interação das duas e não pode deixar de pensar como seria sua vida se Marcela não tivesse ido embora. – Eu já avisei para a Micaela, não precisa se preocupar. Eu disse que te faria companhia aqui, se você quiser é claro. O silêncio entre a troca de olhares das duas foi o suficiente para que sem precisar Hanna falar nada Marcela entendesse que poderia ficar ali durante o tempo que fosse da sua vontade, porque se tinha uma coisa que Hanna não queria era perder aquela sensação de cuidado e carinho. Então ficou as duas, uma de cada lado da cama brincando com a criança que não parava de falar um minuto. As duas sorriam para Gabriela e era quase que inevitável não trocarem olhares cheio de confusão, tristeza, mágoas, saudades, e... Amor?
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