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2158 Words
Christopher  Retornei ao castelo me sentindo renovado, tão feliz como se a minha alma tivesse ficado pura após o meu primeiro contato íntimo com a Dulce. Eu não conseguia nem disfarçar a minha alegria, meu sorriso estava estampado em meu rosto e eu caminhava de cabeça erguida como se nada fosse capaz de me abalar.  Fui até o campo de treinamento e avistei minha irmã com um arco e flecha, acertando alguns sacos de areia que estavam longe. Eu fiquei a observando e me impressionei pela pontaria afiada que ela havia mantido mesmo depois de anos sem praticar.  — Boa! — eu disse quando ela acertou bem no centro de um dos sacos.  — Onde esteve? Faustus o procurou por todo o castelo. — olhou-me com desconfiança. — Por que parece tão feliz? Nós praticamente acabamos de enterrar o nosso pai! — repreendeu-me.  — Obrigado por me fazer lembrar disso deixando-me m*l novamente. — fiquei sério. — Eu estava com a Dulce.  — Quando você vai criar juízo e deixá-la em paz?  — Depois do dia de hoje, não pretendo fazer isso tão cedo. — sorri de lado.  — O que aconteceu? — franziu a testa.  — Nós só resolvemos nos conhecer melhor. — tirei o arco da mão dela e peguei uma das flechas que ela utilizava.  Levou alguns segundos para eu acertar o alvo e para a minha irmã entender o que eu quis dizer.  — Óh céus! Diga-me que não fez isso com ela! — olhou-me com espanto.  — Anahi, nós nos amamos.  — Você é um i****a! — estapeou o meu braço. — Tirou toda a dignidade da moça mesmo sabendo que não vai poder ficar com ela!  — Olhe, eu darei um jeito. Jamais iria desvirginar a Dulce tendo a intenção de deixá-la depois.  — Então, você enlouqueceu! O que pretende? Fazer dela sua amante ou um casamento duplo? — foi sarcástica.  — Eu não quero discutir com você. — suspirei.  — Você é um egoísta! — berrou. — Precisa aprender que às vezes, temos que desistir das coisas que amamos para que tudo continue bem.  — Que pensamento triste. — franzi a testa.  — É um pensamento racional! Você está feliz com a Dulce e não quer deixá-la partir, com a consequência de destruir a felicidade dela. Está colocando as suas necessidades acima das dela! — Isso não é verdade! Eu me importo com a Dulce muito mais do que comigo!  — Não parece! Eu tenho muita pena dela, ainda mais agora que você a desvirginou! Você destruiu a vida dela!  — Príncipe Christopher! — Faustus apareceu me chamando, antes que eu pudesse responder a minha irmã. — O procurei por todos os lados, onde estava? — Resolvendo um assunto pessoal. — respondi.  — Nada é mais importante do que o seu futuro reinado, alteza. Precisamos continuar trabalhando.  — Faustus, eu estou cansado, precisei sair para respirar um pouco.  — Respirar no cangote de uma moça. — Anahi sussurrou e Faustus a olhou com estranheza.  — Tudo bem... — ele limpou a garganta. — Não importa onde esteve, é bom que tenha voltado. Acabamos de receber visitas.  — Quem? — perguntei.  — Rei Augustus. Já deve imaginar do que se trata.  Eu e Anahi nos entreolhamos. O rei Augustus estava ali provavelmente para cobrar que marcássemos a data do casamento, agora que meu pai havia falecido. Eu tentaria enrola-lo o máximo possível e esperava que ele não tivesse trazido a sua desagradável filha. Acompanhei Faustus até a sala de reuniões, onde rei Augustus me aguardava. Assim que entrei, Eliza pulou em meu pescoço, me dando um abraço muito apertado.  — Eu estava morrendo de saudades! — ela disse após me soltar.  — Pois é... — sorri sem jeito e me afastei dela para cumprimentar o seu pai.  — Vejo que vocês já criaram um companheirismo. — o rei disse após me dar um aberto de mãos.  — Passar aqueles dias com o Christopher foi o suficiente para criarmos um vínculo. Não acha, príncipe? — ela enlaçou seu braço ao meu e me olhou com um largo sorriso.  — Sim... — respondi relutante.  — Meus pêsames pelo seu pai. Victor era um bom homem. — Augustus lamentou.  — Coitado, deve estar se sentindo muito m*l! — Eliza segurou o meu gosto e obrigou-me a olhá-la. — Eles devem estar te sugando muito com essas tarefas reais, mas você não deveria ter que fazer isso tão cedo. — ao menos, algo inteligente saindo de sua boca.  — Tem razão, eu não quero resolver nada que tenha alguma relação com a minha coroação. — principalmente o casamento. — Eu sei que vossa majestade deseja marcar uma data, mas eu só quero fazer isso quando sentir que já é a hora de tomar o lugar do meu pai. Entende? — perguntei olhando para ele.  — Seráfia não pode ficar tanto tempo sem um rei. — ele disse.  — Papai, eu não quero casar com um homem que não está pronto para isso! — Eliza protestou. — Por favor, vamos respeitar o tempo do Christopher. — olhei para ela com a testa franzida, sem conseguir acreditar que estava mesmo sugerindo que esperássemos.  — Está certa disso, minha filha? — ele perguntou e ela assentiu. — Tudo bem, faremos o casamento quando vocês dois decidirem, mas não demorem muito ou eu mesmo escolherei uma data. — eu e Eliza assentimos. — A viagem me cansou, vou para os meus aposentos. Com licença.  — O que pretende com isso? — perguntei para a Eliza depois que o rei se retirou.  — Como assim? — franziu a testa.  — Você sempre mostrou-se muito ansiosa para ser rainha, nunca achei que aceitaria esperar.  — E você acha que eu tenho algum plano diabólico? — riu. — Eu só quero apoiar você. Serei a sua rainha e o apoiarei sempre, respeitando o seu estado de espírito e os seus sentimentos. Sei que está muito m*l pela perda do seu pai e o quanto deve estar sendo difícil ter que concentrar-se nas obrigações reais. Não quero que sinta-se pressionado. — ela segurou a minha mão. — Eu me importo com você.  — Eliza, se nosso casamento não fosse arranjado e você pudesse escolher, ainda assim iria querer se casar comigo?  — Nunca parei para pensar nisso. — ficou pensativa. — Eu aceitei o casamento porque sempre soube que era a minha obrigação como princesa, mas agora que você me questionou isso... bem, é o primeiro homem que me faz sentir algo diferente, por mais frio que você seja comigo.  — Eu não sou frio.  — Christopher, sejamos sinceros. Você não me ama e certamente faria qualquer coisa para não se casar comigo. É o primeiro homem que me rejeita dessa maneira e talvez seja isso que me faça gostar de você. — sorriu de lado.  — Sinto muito se a tratei m*l de alguma forma, eu sei que você não tem culpa do casamento arranjado. Está sendo tão obrigada quanto eu.  — Não tem problema. — pousou sua mão ao lado do meu rosto. — Só espero que possamos aprender a conviver juntos e gostar disso. Você é um bom homem, Christopher. Eu quero mesmo que seja meu marido. — fiquei em silêncio.  Eliza aproximou seu rosto do meu e me beijou. Todas as vezes que ela fazia isso, eu só ficava parado e aceitava, sem retribuir o toque com tanto desejo quanto ela demonstrava ter. Nos afastamos e quando eu desviei o olhar para a porta, Maitê nos encarava de forma séria.  — Ah, oi! Você é a Maitê, correto? — Eliza perguntou.  — Sim, alteza. — Maitê curvou-se. — Seja bem vinda de volta.  — Obrigada. — sorriu. — Eu vou descansar, nos vemos no jantar. — beijou minha bochecha e retirou-se.  — Resolveu que quer ter um romance com ela? — Maitê cruzou os braços.  — Foi só um beijo e foi ela quem me beijou. — expliquei-me.  — Eu estive na aldeia, acabei de retornar. Fui ver a Dulce e notei que ela estava com um brilho diferente no rosto, um olhar distante, parecendo estar pensando em algo. — olhou-me com desconfiança.  — E qual o problema?  — Christopher, eu trabalhei num prostíbulo por anos, eu sei como alguém fica depois que faz sexo. — arqueei as sobrancelhas em surpresa. — Não faz essa cara, sabe bem do que estou falando! Não acredito que desvirginou a Dulce!  — Maitê... — eu fui até a porta e depois de ter certeza que não havia ninguém no corredor, eu a fechei. — Você melhor do que ninguém sabe que não há problema nenhum em f********o, é uma coisa totalmente natural.  — Para a Dulce, significa muito! Certamente ela deve estar achando que vocês vão se casar e ter vários filhos.  — Bem, talvez isso aconteça. — dei de ombros.  — Está brincando? Sabe que isso é impossível. Se antes ela já ia se machucar, imagina agora!  — E é por isso que você precisa continuar quieta como se não soubesse de absolutamente nada.  — Qual o seu plano?  — Não pensei sobre isso, mas nós decidimos não marcar uma data para o casamento real agora, o que vai me dar tempo suficiente para pensar.  — E enquanto isso, você alimenta os sonhos da Dulce de casar-se com o "Daniel".  — Maitê, não fique brava comigo, eu estou tomando cuidado.  — Tomou tanto cuidado que acabou dormindo com ela! Belo cuidado! Não faz mais nenhuma bobagem!  Faustus passou o resto do dia me enchendo de tarefas. Eu precisava tomar várias decisões sobre tudo o que acontecia e sinceramente, já estava começando a me cansar. Eu m*l conseguia manter a concentração pensando sobre o que faria em relação à Dulce.  Foram três dias sem sair do castelo, tendo que usar Edgar para enviar cartas até a Dulce. Lá, eu escrevia o quanto sentia sua falta e o quanto o meu amor por ela crescia a cada dia que passava. Eu não via a hora de estar com ela novamente.  Fui acordado bem cedo pela manhã por conta de uma visita inesperada de um dos padres da nossa igreja. Ele trazia uma carta oficial do bispo que autorizava o início de uma caça às bruxas no nosso reino.  — Tudo o que precisamos é da assinatura do rei. — o padre disse.  — Eu ainda não sou rei e mesmo se fosse, jamais autorizaria isso. Afinal, qual a razão de quererem adotar isso em Seráfia?  — Foram encontrados dezenas de gatos empalados nos arredores da igreja. — explicou.  — Muito bem, acharemos o culpado, o acusaremos de bruxaria após uma profunda investigação e aí nós o prendemos nas masmorras.  — Alteza, esse tipo de coisa jamais aconteceu em nosso reino. Entendo que vossa família prefira prender as bruxas, mas não é o suficiente, nós precisamos queimá-las para acabar com qualquer rastro de magia n***a que elas possam ter deixado em nossas terras.  — Com licença. — Eliza apareceu, entrando na sala de reuniões. — Não pude deixar de ouvir a conversa e tenho uma opinião sobre isso.  — Bom, você será a rainha, então o que sugere? — perguntei.  — Eu acho muito válido que adotemos a caça às bruxas. Em Atenas, isso se mostrou muito eficaz, os casos de magia n***a diminuíram muito. — ela disse. — Nós fazemos da queima às bruxas um evento que todos do reino podem assistir. Assim, ninguém se atreve a cometer os mesmos atos.  — E quem irá decidir o que é bruxaria ou não? — perguntei.  — A igreja, vossa alteza. — o padre respondeu. — Sabemos que ainda não é rei, mas como príncipe regente, pode autorizar a criação de qualquer lei em caso de extrema urgência. — ele colocou o documento sobre a lei na minha frente e ofereceu-me uma pena.  — Por que isso seria uma urgência?  — Meu bem, é praticamente uma ameaça colocar gatos empalados em volta de uma igreja. É um aviso de algo maior será feito. — Eliza disse. — Tem que fazer isso pelo bem do seu povo.  — Decidam isso numa audiência popular. Convoquem todos do reino e expliquem a situação. Se a maioria concordar com a lei, eu a autorizo.  — Justo. — disse o padre. — Vossa alteza participará?  — Indiretamente. — eu não queria correr o risco de ser reconhecido por Dulce ou um de seus amigos. — Ficarei no meio do povo e proíbo qualquer um de dizer que o príncipe está presente. Eu quero uma reação genuína das pessoas e a minha presença pode distraí-los, já que nunca me viram antes.  — Muito sábio. — Eliza sorriu para mim.  Não era de acreditar muito em magia, mas sabia que haviam praticantes que acreditavam fielmente nessas coisas, podendo cometer atos inaceitáveis por incentivo de suas crenças. Se o meu povo achasse necessário a criação de uma caça às bruxas, eu a autorizaria.
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