Carona

1410 Words
Daniela* Termino o meu turno e vou ao quarto do meu irmão. Ele está no último andar, onde estão os melhores quartos, somente lá ele pode ter o melhor tratamento. - Oi maninho. - Digo assim que abro a porta e o vejo de olhos abertos. E para minha alegria ele sorri. - Oi gatinha... - Ele senta com cuidado e corro até ele. - Estava com saudades já! - Também, ficou dois dias sem vir me ver, o que aconteceu? - Arrumei um extra, e fiquei muito cansada. - Digo e logo me arrependo, pois vejo a culpa em seus olhos. - Não faça isso com você, Dani! Deixe que eu me viro. - Ah deixa de bobeira! E como está? - Vejo-o abrir ainda mais o sorriso. - Estou apaixonado! - Arregalo os olhos e começo a sorrir. Por quem ele estaria apaixonado? Seria a Letícia, a enfermeira? Ou Cláudia a médica plantonista? - Quem? - Mando animada. - Margarida. - Ele fecha os olhos. - Ela tem até nome de flor. - Margarida? - Franzo o cenho. Não me lembro de ninguém com esse nome. - Minha nova fisioterapeuta. - Abro a boca. - Ela vem todas as manhãs, há duas semanas. - Duas semanas? - Me surpreendo com essa paixão repentina. Tenho medo de o machucarem, afinal ele estava praticamente inválido em cima duma cama. - Como isso aconteceu? - Bem, ela vinha, fazia umas massagens e movimentos e bem... sabe como é... - Não sei... - Digo revirando os olhos. Ele sabia que eu era uma negação em relação a namoros, flertes ou contato com o sexo oposto. Ele me olha e franze o cenho. - Bom, eu meio que ficava e******o. - Tarado! - Reajo dando um tapoa no braço dele, o que o faz recolher o braço e fazer uma cara feia. - Desculpa. - Digo em seguida alisando o braço, ele estava muito sensível ainda, não podia receber tapas, nem de brincadeira. - Há dois dias, ela me beijou. - Uau... - É... - Ele parece voltar no tempo, com o brilho no olhar. - Uau... - Mas... estão namorando? - Ouço a risada alta do meu irmão ecoar, e vou dizer, fazia meses que não ouvia essa risada. Chegou a me dar vontade de chorar Conversamos mais um pouco, por fim me despeço, prometendo que depois de amanhã venho de novo. Pois amanhã tenho trabalho na boate. Argh, só de pensar me repulsa. Saio do quarto e procuro pelo médico dele, o encontro dois andares a baixo, no setor que mais trabalho. - Oi, doutor Alexandre. - Digo formal e ele vira-se e revira os olhos pra mim. - Alexandre é um dos melhores médicos do hospital, e é também meu amigo. Nada muito intímo, que ele saiba da minha vida, mas ele cuida do meu irmão do melhor jeito que pode. - Diga, gatinha... - Ele fala segurando o riso, imitando a forma como meu irmão me chama. - Deixa de bobeira! - Rio com ele. - Quero saber como está o meu irmão, fui visitá-lo e ele parece muito melhor. - Realmente, na última semana, o seu irmão progrediu muito no tratamento. - Me emociono e bato palmas. - Graças a Deus! - Alexandre sorri de lado e me puxa para um abraço. - Te falei que ele ia ficar bem... - Só você né, porque o outro médico, só faltou me mandar comprar um caixão! - Digo fungando e ele ri alisando as minhas costas. - Com licença! Atrapalho? - Ouço a voz áspera e grossa e me viro. É o senhor Semedo. - Não, não, em que posso ajudar? - Alexandre toma a frente. Ouvimos ele falar e me prontifico a ir liberar a senhora Semedo. - Seu namorado? - Encaro o homem ao meu lado com uma careta. Ele pirou? - Não! - Seguro o riso e cochicho. - Ele é gay... Onde já se viu, eu namorando Alexandre. Só se estivéssemos em universo paralelo. Termino o procedimento, mas não consigo me despedir, fazem questão de me levar em casa. E para falar a verdade, eu estou muito cansada, seria bom não ter que esperar meia hora um ônibus. Mas ao entrar no carro de luxo, começo a perceber a loucura que estou fazendo. Moro em um bairro de periferia da cidade, não tenho vergonha de onde moro, mas sei que muitos julgam m*l esses bairros. Fora que pelo jeito ele famoso e eu nem sei quem é, e a avó dele fica nitidamente me jogando pra cima dele. Sinto meu rosto esquentar, e começo a tirar o corinho do canto da unha. Vicente* Eu observava atentamente cada moviemnto dela. E parecia que ela estava vivendo para me seduzir, mas o rosto vermelho e olhos baixos, diziam que ela nem podia estar ciente de toda a sua sensualidade. Nossos olhos se cruzam, e por segundos ficamos presos, então ela desvia, e é como se eu estivesse nu, na beira de um penhasco e sozinho. Engulo seco e me ajeito. - Pode me dizer onde mora? Pode irme guiando. - Digo como querendo explicar ter pedido para ela sentar na frente ao meu lado. - Claro. - Ela começa a me dizer onde mora, e eu maisou menos sei onde é. É um bairro de classe baixa, e até me surpreendo, afinal ela trabalha em dos melhores hospitais do estado. Olho pelo retrovisor e a véia tagarela, tinhosa e casamenteira estava em completo silêncio. Seguro o riso. Véia safada essa minha vó! Daniela falava me instruindo o caminho, e fazia seu membrö pulsar na calça. Tento me concentrar até não aguentar mais, então resolvo puxar assunto. - Há quanto tempo trabalha no hospital? - Pergunto. - Desde que me formei, há pouco mais de um ano. - Hummm... - Engulo seco, pensando em quantos anos essa garota tem. Mas continuo minha busca por mais informações da garota que estava me tirando o sono. - Quantos anos tem? - 23. - Daniela me olha e de canto de olho percebo sua curiosidade. - E o senhor? - Pfffff, pode me chamar de Vicente! - Viro meu rosto para ela, e a fito com intensidade, ela deve estar entendendo que estou flertando com ela, pois ela vira o rosto depressa. Chega a ser engraçado. - Tenho 35 anos. - Respondo me sentindo velho. Afinal sou mais de 10 anos mais velho que ela. - Uau! - Ouço a voz surpresa. - Não parece, daria muito menos. - Sorrio e a fito. E mais uuma vez nenhum traço de sedução, somente sinceridade e inocência. - Obrigado. Chegamos em sua rua, e ela me aponta sua casa. Ela mora em uma espécie de cortiço, com um corredor largo e várias portas pintadas de marrom. Ela se despede e agradece veementemente a minha vó, então se vira para mim. - Muito obrigada, senhor... - Ela sorri, um sorriso sincero e brando, um sorriso sem sedução e sem interesse, então percebo, estou na lona. - Digo, Vicente. - Sorrio de volta, espontaneamente e de verdade. Minha vó diz alguma bobagem que m*l ouço, mas então a gargalhada dela preenche o carro. E por um momento me sinto caindo de um penhasco, me remexo no banco, sentindo minha ereção pulsar, então ela abre a porta do carro. - Boa noite, Daniela. - Digo e espero ela sumir entrando em sua casa, por fim suspiro, reparo na rua precária, nos fios emaranhados, e em como ela se arriscava todas as noites em vir para casa sozinha. - Vamos querido! Estou cansada já. - Só então me lembro da minha vó. - Claro vó, desculpe... - Digo colocando o carro para andar, e escuto a risada abafada da dona Semedo. Daniela* Ele é um homem muito bonito e me deixa de pernas bambas. E não estou gostando dessa sensação. Meu coração estava aos pulos, a breve conversa com esse homem me deixava desconcertada. - Muito obrigada, senhora Semedo, senhor... - Vejo o homem erguer a sobrancelha e dou um sorriso. - Digo, Vicente. Muito obrigada. - Imagine! É perigoso uma moça bonita como você andar tão tarde da noite pelas ruas. - A senhora Semedo diz e solto uma risada, e vejo o homem ao meu lado se remexer no banco. Seria minha risada muito estridente? Não sei, mas por hoje já deu de emoções e surpresas. Desço do carro e corro para dentro de casa.
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