— Não sei se eu compreendi muito bem sua a pergunta...
— Tá, digamos que eu não estou bem por que alguém que eu amo foi embora, alguém que me fazia muito bem e eu não soube lidar. Somente eu posso ver essa pessoa.
— Quer que eu chame o médico? - Ele começa a rir.
— Ele me parece meio familiar. - Tom diz.
— Pois bem, ele é do curso que você invadiu outro dia. - Respondi Tom e j**k me olho estranho.
— Você está falando com "ele"? - Fez aspas com os dedos.
— Me arrependi de ter falado alguma coisa...
— Ah para!! Nos apresente ai! - Brincou.
— Tom esse é o j**k, ele não é coreano é um americano chato e cheio de si! j**k esse é Tom e você não pode ver ele!
— Eu não sou chato! - Riu.
— É chato sim. Isso está sendo bem desagradável, a gente pode ir pra casa? - Tom pergunta.
— Eu não sei, vamos esperar mais um pouco. - j**k sorri vendo eu falar com Tom de novo.
— Tom de quê? - j**k pergunta.
— Não sabemos. Ele sempre diz que só se lembra de se chamar Tomy ou Tomy Lee, mas eu o chamo de Tom Tonto. - Ri encarando Tom sorrindo.
— Uau Bell que engraçado. Quem está gravando a pegadinha? - Ele fecha a cara.
— Que?!
— É serio! Isso não tem graça.!! - Ele se levanta, sua voz estava falha.
— Fala o que foi j**k!!
— Quem te contou isso?!
— Contou o quê?
— Tomy Lee é o apelido que eu dei ao meu amigo!! Por quê?? Eu não sabia pronunciar o nome dele e... Teve o acidente. - j**k coloca as mãos na cintura e olha pra cima suspirando.
— Acidente??
— Sim, tem uns 5 ou 6 anos, foi um acidente de carro. A outra família teve uma morte e ele está em coma até hoje!
— Minha família sofreu um acidente e perdemos o meu pai... Foi depois disso que o Tom apareceu... Acho que por causa do luto...
— Isso é loucura, não tem graça!! Me diz como ele é.
— Cabelo escuros, olhos grandes e ele tem uma pintinha na boca...
— Isso é impossível! E se for ele?? E você vê fantasmas... Me explica como isso funciona?
— Eu não sei!
— Ele... está aqui né?
— Não, eu não estou. Ele tá me assustando Bell. - Tom segurava forte minha mão.
— Calma os dois!!
— E se você ver ele? Pode reconhecê-lo. Certo?
— Talvez...
Fomos até o quarto do garoto amigo de j**k. Foi um pouco difícil ver da porta com tantos aparelhos. No pé da cama o nome Jeon Tae Youn-Lee chamou minha atenção, ao chegar mais perto sinto um frio na barriga, minhas mãos esfriaram. Era mesmo o Tom.
— É... Eu acho que é ele.
— Não, isso não sou eu!!
— Calma Tom, está tudo bem!
— Não, não está! Eu estou bem aqui, Fadinha olha pra mim! - Tom me vira pra si com tudo.
— Tom está tudo bem! - Tentei sorrir, ele pareceu se acalmar com isso mas, não soltava minha mão.
— Eu quero ir pra casa. - Soltou minha mão e saiu do quarto esbarrando em j**k que bateu as costas na parede.
Jack me olha assustado e segura seu ombro.
— Ok... Eu acredito em você!
(...)
No meio da semana j**k não saia de minha casa, estava sempre fazendo perguntas e no fim, Tom se acostumou com a presença dele mesmo não gostando muito de dividir atenção, o que ocasionou algumas discussões.
Conversamos horas e horas todos os dias de como Tom era especial pra mim e como tudo começou, acabei por contar o que eu tinha que passar em casa e ele ficou bem irritado mas, e entendeu sem julgar.
Jack e eu ficamos bem mais próximos, às vezes passava horas em minha casa só para fazermos algo divertido, como ver filmes até jogos de cartas.
— Bati! - Ele diz com seu conjunto perfeito de nove cartas sequenciais.
— Ah que roubo! Eu embaralho agora! - Disse revoltada.
— Eu também quero jogar, acho que agora entendi! - Tom diz pegando as cartas.
Jack olhou o baralho meio assombrado, e sorriu desconfortável.
— V-você consegue pegar as coisas?
— É... Ele consegue! - Sorri.
— Não era pra pegar? Desculpa, eu queria jogar também... - Disse Tom deixando as cartas na mesinha e saindo.
— Tonto espera! - Me levantei para ir atrás dele.
No quarto, lá estava ele sentado na cama olhando um pedaço de papel, nele tinha um desenho que fizemos, o papel meio velho entregava o tempo.
— Sinto falta disso... - Ele diz magoado.
— Desculpa, eu acho que vou banir as visitas frequentes do Jack...
— Não! Eu não quero te atrapalhar, eu não tenho esse direito. Mas sinto a sua falta, parece que no fim você quem foi embora!
— Às vezes sinto isso também, estamos acostumados a ser só você e eu né?
— Volta pra lá eu estou bem.
Suspirei forte e me sentei ao seu lado.
— Sem você eu não volto!
(...)
O jogo a três deu certo, apesar dos sustos de j**k o que começou a ser engraçado. Tom gostou do jogo e mesmo errando as regras conseguiu jogar um pouco.
Os dias era sempre nós três. Agora saiamos para caminhar para a casa de j**k. Tom sempre acompanhava junto, e ganhou uma atenção de j**k para que se lembrasse dele.
(...)
Mais um sábado comum e tedioso, eu estava relaxando em um banho quente quando Tom me chama desesperado.
Saio as pressas com a toalha enrolada e chego a perguntar o que aconteceu.
— O seu celular ele tá tocando, mas... mas eu não consigo pegar olha! - Sua mão passou direto por mim, não senti seu toque nada, era como se ele sumisse aos poucos.
Olhei a tela do celular e era j**k. Assim que atendi meus ouvidos foram agredidos por alguns berros.
— j**k, alô?? O que tá acontecendo?
— Eu não vou sair!! Bell vem pra cá eu estou no hospital, a Família Jeon decidiu que vai desligar os aparelhos, eles vão m***r o Tom!!
Desliguei o mais rápido possível, m*l avisei para onde estavamos indo. Tom e eu corremos até o hospital.
Ao chegar vimos j**k ser arrastado para fora do quarto.
Alguns minutos se passaram e os aparelhos todos foram retirados do quarto, era só uma questão de minutos até tudo desaparecer e Tom não passar de uma lembrança. A familia terminou de se despedir e entramos no quarto, a face de Tomy ainda era corada apesar da respiração fraca.
— E... Se eu tentar voltar?
— Voltar? - Perguntei.
— Eu estou sumindo, estou morrendo de verdade. Eu não quero te deixar. E se isso der certo vou poder estar aqui pra sempre com você, não é?
Eu não soube responder apenas observo ele ir até a cama e deitar sobre si, parecia não dar certo, o corpo o rejeitava, mas ele não desistiu até que parou de sair de seu proprio corpo e prosseguiu desacordado, um silêncio perturbador se instalou no quarto, o pressentimento r**m de que aquele foi o último adeus apertou meu peito, a respiração do garoto deitado que antes estava fraca agora tinha cessado de vez.
Minha garganta se fechou, e o choro já entregava meu desespero, tentei chegar perto da cama, mas o susto que levei me fez voltar dois passos.
O suspiro alto e os olhos assustados que me encaravam, ele havia acordado e parecia totalmente perdido.
— Tonto, você ta bem?!! - Perguntei.
Ele me olhava ainda assustado e calado encarou j**k, que se pôs ao meu lado com sorriso largo e logo em seguida sumiu em busca de um médico.
— Eiii!! Oi, pode me ouvir?! - Os olhinhos brilhantes e assustados ainda me encaravam sem piscar e ainda sem resposta e eu olhava de volta sorrindo.
Será que isso seria um sonho? Agora, ele é mesmo real.
Os pais e o garoto que me ajudou Denn, logo entram com j**k correndo no quarto, o médico serve um copo cheio de água a Tom que logo o deixa vazio.
— Pode me dizer o seu nome? - O médico pergunta.
Ele olhava a todos nós muito confuso e meu sorriso foi se desmanchando aos poucos.
— Q-Quem são vocês?
Essa foi a frase que desmoronou meu mundo. Tom não se lembrava de ninguém, inclusive de mim.
Achei melhor ir embora, não seria nada bom ficar por ali só pra ouvir o óbvio, que ele não se lembra de nada.
Sem que ninguém percebesse deixei o hospital, e logo estava em casa lamentando silenciosamente o que parecia a partida definitiva do meu melhor amigo, do meu amor.
Será que ele se lembraria de mim?
Tentei limpar meus pensamento, a final, talvez houvesse esperança, e agora ele está bem, está vivo e é de carne e osso como sempre o vi em meus sonhos.
Essa falta de comunicação?
Está tudo na minha imaginação?
Nós realmente temos que nos unir
Nós realmente temos que nos reunir
Eu tenho tentado te alcançar
Você sabe, eu tenho trabalhado no estúdio
Nós deveríamos escrever uma nova canção
Talvez eles toquem no rádio
Quando podemos nos encontrar?
Não vamos esperar mais um dia
Não esqueça sua guitarra
Já peguei e estou no meu caminho
Faz tanto tempo desde que te vi
Eu queria saber se você era mesmo real
Agora eu não posso acreditar nos meus olhos
Sim, você é Não finjia
Eu pensei que você poderia ser meu amigo imaginário
Você é como uma estrela que pousou aqui do espaço exterior
Meu mundo ficou muito mais brilhante
Agora que eu posso ver você cara a cara
Agora que eu posso te ver
É essa falta de comunicação?
Está tudo na minha imaginação?
Nós realmente temos que nos unir
Nós realmente temos que nos unir
Diga-me onde você esteve se escondendo
Apenas esteve ocupado com um milhão de coisas
Tenho muito a lhe dizer
Vá em frente, estou ouvindo
A vida pode ficar tão louca
Precisa de um bom amigo para ajudá-lo através
Preciso fazer alguma música
Todo mundo está esperando por algo novo
é tanto tempo desde que eu te vi
Eu queria saber se você era mesmo real
Agora eu não posso acreditar em meus olhos
Sim, você não estava a fingir
Eu pensei que você pode ser meu amigo imaginário
Você é como uma estrela que pousou aqui do espaço sideral
Meu mundo ficou muito mais brilhante
Agora que eu posso ver você enfrentar dois rostos
Amigos imaginários não podem tomar o lugar
Eu preciso te ver
Eu preciso te ver
De você e Eu apenas conversando cara a cara
Cara a cara
Agora eu não posso acreditar nos meus olhos
Sim, você não é fingida
Eu pensei que você poderia ser meu amigo imaginário
Você sabe que ninguém mais pode tomar seu lugar
Meu mundo tem um monte de coisas Mais brilhante
Agora que eu posso te ver cara a cara
(Cara a cara)
Agora que eu posso te ver cara a cara
(Vamos pegar algumas panquecas!)
Eu só quero te ver cara a cara
(Festa todos os dias!)
Eu só quero ver você cara a cara
Musica: Face to Face Ross Lynch & Dabby
https://youtu.be/N4k2IMW3msc