LOUISE SANTORO
Hoje é o dia do casamento da Beatrice e ela está uma pilha de nervos.
BEATRICE: — Mamãe, me fala, o que a senhora fez para ter o papai na palma da sua mão?
AMÉLIA: — Amor, Beatrice, muito amor.
BEATRICE: — Estou ferrada, então. O Enzo me odeia, e eu não sou diferente, não gosto dele de jeito nenhum. Até hoje não entendi por que o Caio fez isso; ele sempre soube que eu e o Enzo nunca nos demos bem, não faz sentido esse acordo.
HELENA: — Ah, vai, Bea! Não vai ser tão r**m. E seu irmão, com certeza, deve ter tido um bom motivo; ele é esperto e não move uma peça desse tabuleiro sem ter um propósito.
— Helena tem razão, Bea. Caio fez o que julgou ser melhor para você. Mesmo com as indiferenças que você e Enzo têm, Caio sabe que ele sempre vai te respeitar e jamais irá te maltratar.
BEA: — É... deve ter sido isso.
A cara de desânimo da Beatrice é notória, mas tem algo mais ali que eu não sei decifrar; curiosidade, talvez, ou ansiedade. No fundo, sei que ela gosta do Enzo e ele também gosta dela, e por esse motivo o Caio juntou os dois; ele já tinha notado isso faz tempo.
Passamos a manhã toda no spa. Fizemos cabelo, maquiagem e uma massagem relaxante que, com certeza, voltarei aqui para realizar — massagem dos deuses! Estamos todas maquiadas e arrumadas, esperando a Beatrice colocar o vestido; só falta ela.
HELENA: — Vai, Bea, deixa a gente ver como ficou!
Beatrice sai do closet e, meu Deus... ela é, de longe, a noiva mais linda que eu já vi. Ela escolheu um modelo estilo sereia de cetim, com alças finas, que se agarra ao corpo dela moldando suas curvas generosas. O vestido tem uma cauda grande e, na parte de trás, é aberto até a altura do cóccix. Na cor off-white. Linda, absolutamente perfeita.
AMÉLIA: — Oh, meu Deus, você está deslumbrante, minha filha, linda!
BEATRICE: — Obrigada, mamãe. Agora vamos logo acabar com essa palhaçada, que eu quero que esse dia acabe logo...
Eu, Helena e Dona Amélia saímos do quarto e deixamos a Bea lá, esperando meu sogro ir buscá-la.
CAIO: — Vamos, amor, somos os primeiros padrinhos a entrar.
Primeiro entro eu e Caio, seguidos por Helena e Klaus e, logo depois, entra meu irmão, Lucca, com uma moça que eu não conheço, bem bonita, por sinal. Quando os padrinhos terminam de entrar, a marcha nupcial toca e todos imediatamente olham para a entrada. Lá está a noiva mais linda. Ela caminha com uma elegância perfeita, mas quem conhece a Bea sabe que ela está odiando todo mundo olhando para ela desse jeito.
Ela chega ao altar e meu sogro entrega a filha para o Enzo; ele diz algo bem baixo, mas, pela cara do Enzo, provavelmente foi uma ameaça. A cerimônia foi linda e agora estamos aqui, dançando e bebendo na pista.
BEA: — Estou casada... oh, meu Deus, não acredito que fiz isso! Era para eu ter fugido, dei mole.
Beatrice já bebeu tudo o que podia e agora está supersóbria — só que não —, falando coisa com coisa.
HELENA: — Fugir para quê, Bea? Ele ia te achar e você acabaria em um prostíbulo ou morta. Então, que bom que você não fugiu; agora tenta viver com o que você tem e ser feliz na medida do possível.
BEATRICE: — É, você tem razão. Vou fazer da vida dele um inferno!
HELENA: — Pera lá, não foi isso que eu disse, não!
BEATRICE: — Ah, não? Mas eu farei mesmo assim, achei uma ideia fabulosa!
Helena cai na gargalhada, levando eu e a Helena junto. Depois de um tempão na pista, sinto um par de mãos me agarrar por trás e, só pelo cheiro, sei que se trata do meu marido.
CAIO: — Dança uma comigo ou vai ficar aí a noite inteira ajudando a Bea a fugir do Enzo?
Começo a rir, porque era exatamente isso que estávamos fazendo.
— Que calúnia, Senhor Santoro! Estávamos só aproveitando um tempo juntas.
CAIO: — E que tal a gente se despedir de todos e aproveitarmos um tempo também?
— Eu acho que essa ideia me agradou bastante, eu topo!