CAPITULO 41

722 Words
LOUISE SANTORO Hoje é o dia do casamento da Beatrice e ela está uma pilha de nervos. BEATRICE: — Mamãe, me fala, o que a senhora fez para ter o papai na palma da sua mão? AMÉLIA: — Amor, Beatrice, muito amor. BEATRICE: — Estou ferrada, então. O Enzo me odeia, e eu não sou diferente, não gosto dele de jeito nenhum. Até hoje não entendi por que o Caio fez isso; ele sempre soube que eu e o Enzo nunca nos demos bem, não faz sentido esse acordo. HELENA: — Ah, vai, Bea! Não vai ser tão r**m. E seu irmão, com certeza, deve ter tido um bom motivo; ele é esperto e não move uma peça desse tabuleiro sem ter um propósito. — Helena tem razão, Bea. Caio fez o que julgou ser melhor para você. Mesmo com as indiferenças que você e Enzo têm, Caio sabe que ele sempre vai te respeitar e jamais irá te maltratar. BEA: — É... deve ter sido isso. A cara de desânimo da Beatrice é notória, mas tem algo mais ali que eu não sei decifrar; curiosidade, talvez, ou ansiedade. No fundo, sei que ela gosta do Enzo e ele também gosta dela, e por esse motivo o Caio juntou os dois; ele já tinha notado isso faz tempo. Passamos a manhã toda no spa. Fizemos cabelo, maquiagem e uma massagem relaxante que, com certeza, voltarei aqui para realizar — massagem dos deuses! Estamos todas maquiadas e arrumadas, esperando a Beatrice colocar o vestido; só falta ela. HELENA: — Vai, Bea, deixa a gente ver como ficou! Beatrice sai do closet e, meu Deus... ela é, de longe, a noiva mais linda que eu já vi. Ela escolheu um modelo estilo sereia de cetim, com alças finas, que se agarra ao corpo dela moldando suas curvas generosas. O vestido tem uma cauda grande e, na parte de trás, é aberto até a altura do cóccix. Na cor off-white. Linda, absolutamente perfeita. AMÉLIA: — Oh, meu Deus, você está deslumbrante, minha filha, linda! BEATRICE: — Obrigada, mamãe. Agora vamos logo acabar com essa palhaçada, que eu quero que esse dia acabe logo... Eu, Helena e Dona Amélia saímos do quarto e deixamos a Bea lá, esperando meu sogro ir buscá-la. CAIO: — Vamos, amor, somos os primeiros padrinhos a entrar. Primeiro entro eu e Caio, seguidos por Helena e Klaus e, logo depois, entra meu irmão, Lucca, com uma moça que eu não conheço, bem bonita, por sinal. Quando os padrinhos terminam de entrar, a marcha nupcial toca e todos imediatamente olham para a entrada. Lá está a noiva mais linda. Ela caminha com uma elegância perfeita, mas quem conhece a Bea sabe que ela está odiando todo mundo olhando para ela desse jeito. Ela chega ao altar e meu sogro entrega a filha para o Enzo; ele diz algo bem baixo, mas, pela cara do Enzo, provavelmente foi uma ameaça. A cerimônia foi linda e agora estamos aqui, dançando e bebendo na pista. BEA: — Estou casada... oh, meu Deus, não acredito que fiz isso! Era para eu ter fugido, dei mole. Beatrice já bebeu tudo o que podia e agora está supersóbria — só que não —, falando coisa com coisa. HELENA: — Fugir para quê, Bea? Ele ia te achar e você acabaria em um prostíbulo ou morta. Então, que bom que você não fugiu; agora tenta viver com o que você tem e ser feliz na medida do possível. BEATRICE: — É, você tem razão. Vou fazer da vida dele um inferno! HELENA: — Pera lá, não foi isso que eu disse, não! BEATRICE: — Ah, não? Mas eu farei mesmo assim, achei uma ideia fabulosa! Helena cai na gargalhada, levando eu e a Helena junto. Depois de um tempão na pista, sinto um par de mãos me agarrar por trás e, só pelo cheiro, sei que se trata do meu marido. CAIO: — Dança uma comigo ou vai ficar aí a noite inteira ajudando a Bea a fugir do Enzo? Começo a rir, porque era exatamente isso que estávamos fazendo. — Que calúnia, Senhor Santoro! Estávamos só aproveitando um tempo juntas. CAIO: — E que tal a gente se despedir de todos e aproveitarmos um tempo também? — Eu acho que essa ideia me agradou bastante, eu topo!
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