CAPITULO 13

2424 Words
LOUISE BIANCHI Depois do episódio inusitado e tenso na academia, reunimo-nos todos na ampla sala de jantar para o almoço. Para a minha surpresa e alívio, confesso que estou começando a me sentir cada vez mais à vontade neste ambiente imponente; meus sogros são pessoas surpreendentemente acolhedoras, e todo o processo de adaptação a essa nova realidade está fluindo de forma muito mais tranquila do que eu inicialmente esperava. Desfrutamos de uma tarde bastante agradável, entre conversas leves e risadas, mas Caio acabou tendo que ir embora mais cedo para resolver algumas pendências urgentes relacionadas ao seu "trabalho" na máfia, e não deu as caras pelo resto do dia. Conforme a noite foi caindo e as luzes da cidade se acenderam, cada m****o da família foi se recolhendo aos seus aposentos. Eu já estava deitada na cama, folheando um livro de poesias para tentar desacelerar os pensamentos, quando a porta do meu quarto se abriu num estalo e Beatrice entrou saltitante, vestida com um modelito impecável e com um sorriso travesso no rosto. — Cunhadinha linda, diga que você ainda está acordada e não me diga que já vestiu o pijama! — cantarolou ela, fechando a porta atrás de si. — Sim, Bea, estou acordada. Mas entra... Uau, olha só para você! Está deslumbrante! Por acaso vai sair a uma hora dessas? — pergunto, arqueando as sobrancelhas com curiosidade. — Vamos sim, cunhadinha! Levanta agora dessa cama, vai tomar um banho e se arruma bem bonita. A noite lá fora está maravilhosa, descobri que vai rolar uma festa incrível em uma das melhores boates da cidade, e eu simplesmente não aceito "um não" como resposta da sua parte! — dispara ela, já puxando os cobertores para longe de mim. Penso seriamente em recusar o convite e inventar alguma desculpa sobre o cansaço, mas, refletindo bem, a essa altura da noite meu querido noivo estaria por aí se divertindo ou se envolvendo com quem quer que fosse. Se ele pode ter vida social, eu também vou sair para curtir a minha juventude enquanto ainda me restam algumas horas de liberdade. — Tudo bem, você me convenceu. Me dou trinta minutos exatos para me trocar e ficar pronta. — Isso aí! E fica bem gostosa e gata, porque hoje a nossa missão é paquerar bastante e esquecer os problemas! — comemora Beatrice, dando pulinhos de animação. Lanço a ela um olhar severo e crítico, fazendo-a erguer imediatamente as mãos em sinal de rendição cômica. — Tá bom, tá bom... Só eu paquero e você só assiste, se preferir assim... — corrige ela, rindo. Beatrice se acomoda na beirada da cama e fica me aguardando pacientemente enquanto corro para o closet. Poucos minutos depois, quando empurro a porta do provador vestida e pronta, ela solta um assobio estrondoso de aprovação. Estou usando uma saia jeans escura e ajustada, uma blusa branca sofisticada com as costas totalmente nuas, saltos altíssimos que alongam minhas pernas e uma bolsinha branca de grife a tiracolo. — Nossa senhora, cunhadinha... Você se superou de verdade dessa vez! Meu irmão vai infartar e ter um treco do coração quando te vir desse jeito na rua. — Seu irmão o quê? Do que você está falando, Bea? — pergunto, franzindo o cenho sem entender. — Esquece o que eu disse, o motorista já está nos esperando lá embaixo na entrada, vamos logo antes que eu mude de ideia! — despista ela, puxando-me pelo braço. Entramos no carro e seguimos em direção ao centro agitado. Fico com o rosto colado na janela do veículo, observando boquiaberta as ruas iluminadas; a Itália é de uma beleza arquitetônica indescritível, e até aquele momento eu praticamente não tinha tido a oportunidade de conhecer a cidade de verdade fora dos muros da mansão. Assim que chegamos ao estabelecimento, furamos a imensa fila de espera com facilidade graças aos privilégios do sobrenome e fomos direto para a área do bar. A música eletrônica pesada vibrava no piso de madeira e o som estava ensurdecedor. Para esquentar o ânimo e entrar no clima, peço imediatamente uma dose dupla de vodka pura; Beatrice decide me acompanhar no drink, embora faça uma careta forte e pareça se arrepender logo no primeiro gole. — Uhul, a noite m*l começou, vamos para a pista dançar até os pés caírem, gata! — grita ela, me puxando pela mão. Ficamos dançando na pista lotada por um bom tempo, perdendo a noção das horas. Tenho que admitir que a companhia espontânea e divertida da Beatrice está sendo fundamental para a minha sanidade; ao lado dela, consigo esquecer por instantes o peso do meu destino e não me sinto tão sozinha naquele país estrangeiro. No entanto, nem sequer havíamos completado três horas no local e Beatrice já estava alegremente tri bêbada, rindo de tudo. Em um impulso de pura diversão juvenil, subimos juntas em cima de uma das mesas altas do camarote e começamos a dar um verdadeiro show de dança para a multidão. Começo a rebolar até o chão ao som da batida forte, mas, no exato segundo em que tento me endireitar e subir de volta, sinto uma mão forte e possessiva me agarrar com violência pela cintura, arrancando-me da mesa e começando a me arrastar com força escada acima. Assim que entramos em uma sala reservada e sou solta abruptamente, viro-me furiosa para reclamar, mas dou de cara com o par de olhos faiscantes de Caio e sua expressão facial de poucos e péssimos amigos. — Que p***a de roupa é essa, Louise? Por acaso você perdeu o c*****o completo do seu juízo para dar um showzinho vulgar desses em cima de uma mesa na minha própria boate? Perdeu o amor à vida e à sua reputação? — troveja ele, com a voz carregada de uma raiva primitiva, passando as mãos trêmulas pelos cabelos escuros em um claro sinal de perda de controle. — Eu não estou fazendo absolutamente nada de errado, só estava me divertindo um pouco com a minha cunhada! E, sobre a minha roupa, ela não está nem um pouco diferente de qualquer outra veste usada pelas mulheres que frequentam este lugar! — retruco de imediato, erguendo o queixo com desafio. — A diferença monumental, sua teimosa, é que nenhuma dessas outras mulheres aqui está de casamento marcado e jurada a mim, p***a! Se essa cena patética cai nos ouvidos rígidos do Conselho da máfia, vai estourar um problema gigantesco que eu simplesmente não tenho paciência nem tempo para lidar agora! — Olha aqui, desculpa se estraguei sua noite! Eu achei sinceramente que ninguém me conhecia por estas bandas, e para falar a verdade eu nem sabia que essa boate era propriedade sua. Eu só queria curtir a minha noite de folga, bem longe de te arrumar qualquer tipo de problema. Então, fique tranquilo: pode deixar que a partir de agora vou evitar subir nas mesas e a gente finge solenemente que nem se conhece. Agora, se me dá licença, eu pretendo voltar lá para baixo para continuar dançando e bebendo em paz! A feição de Caio se distorce em uma máscara de pura fúria assassina diante da minha audácia. Antes que eu consiga dar um passo em direção à porta, ele me agarra firmemente pelo braço e me puxa de volta para o seu campo de visão. — Você não vai a lugar nenhum, Louise! Vai continuar curtindo o resto da sua noite bem aqui, debaixo da p***a da minha vista! — rosna ele entre dentes. Sem me dar opção de resposta, ele me arrasta para um camarote privativo mais reservado. Assim que abrimos a porta, dou de cara com Beatrice sentada em um dos sofás com uma carinha totalmente emburrada, cruzando os braços enquanto discute acaloradamente com o mesmo rapaz que havísemos conhecido no dia da cerimônia de noivado. — Ei, amiga... Você está bem de verdade? Esse ogro do meu irmão fez alguma coisa com você, te machucou? — pergunta Beatrice preocupada, erguendo-se para vir ao meu encontro. — Estou bem, Bea, relaxa... Só preciso beber alguma coisa forte para esquecer a raiva — respondo, respirando fundo para tentar controlar as batidas aceleradas do meu coração. Estávamos conversando e tentando normalizar a situação quando uma moça extremamente bonita, vestida com um tubinho brilhante e acompanhada por três homens de aparências marcantes, aproxima-se do camarote. Ela inclina-se para a frente e sussurra algo íntimo diretamente no ouvido de Caio; ele abre um sorriso de canto cínico e se levanta para sair acompanhado dela sem nem olhar para trás. Sentindo uma pontada inexplicável de indignação e ciúme primitivo no peito, eu simplesmente não acredito que ele teve a audácia descomunsal de me trazer para o mesmo ambiente físico onde desfila abertamente com uma de suas inúmeras amantes! Tomada por um impulso de revolta, levanto-me bufando, saio pisando duro do camarote e desço correndo as escadas de volta para a muvuka da pista de dança. Fico zanzando sozinha por alguns minutos, tentando abafar a raiva, até que sinto uma mão firme e masculina apertar a minha cintura de forma audaciosa. O perfume que atinge minhas narinas é totalmente desconhecido — amadeirado e forte. Quando me viro sobressaltada para repreender o intruso, deparo-me com um homem absurdamente lindíssimo, de feições marcantes e traços de tirar o fôlego. Sem me dar tempo de recuar, ele cola nossos corpos com uma naturalidade impressionante e começamos a dançar colados ao ritmo da música lenta que embalava o ambiente. No exato segundo em que o desconhecido inclina o rosto para mais perto e se aproxima perigosamente para tentar roubar um beijo, sinto meu corpo ser violentamente arrancado dos braços dele por uma força descomunal. Abro os olhos assustada e vejo Caio desferindo um soco brutal e certeiro bem no rosto do homem, que cambaleia para trás e tenta revidar sem sucesso contra a fúria cega do meu noivo. Em questão de segundos, vários seguranças corpulentos brotam do nada para separar a contenda, e Caio bota moral aos gritos, ordenando que levem aquele sujeito desacordado para fora dali imediatamente. Quando Caio finalmente se vira para focar toda a sua atenção em mim, o meu corpo inteiro começa a tremer descontroladamente dos pés à cabeça. Os olhos dele estão brilhando em brasa viva, faiscando um perigo mortal, e por um segundo terrível eu vislumbro com clareza a minha própria morte selada ali mesmo. Vejo de relance Beatrice correndo aflita na minha direção para tentar intervir, mas um dos seguranças intercepta o caminho dela, segurando-a pelo braço e escoltando-a para fora do estabelecimento a mando de Caio. Em seguida, ele avança, agarra meu pulso com força inegociável e começa a me arrastar em direção à saída de emergência. Estou absolutamente apavorada. Será que o meu fim chegou e ele vai me matar por puro ciúme doentio? — Me solta! Eu estou de salto alto, caramba, para de me puxar desse jeito bruto ou eu vou acabar tropeçando e caindo no chão! — grito, tentando me desvencilhar. Ele me lança um olhar absolutamente diabólico, carregado de uma possessividade sufocante, e eu engulo em seco, preferindo me calar para não piorar a situação. Caminhamos a passos largos até o estacionamento subterrâneo, onde ele destrava as portas de sua Porsche preta, abre a porta do passageiro e, sem nenhuma delicadeza, praticamente me joga para o interior do carro, dando a volta no veículo como um foguete para assumir a direção. Disparamos pelas ruas da cidade em alta velocidade até chegarmos à fachada de um prédio residencial de luxo altíssimo. Ele desliga o motor bruscamente e me ordena com a voz fria que saia do carro. Permaneço estática no banco do carona, paralisada pelo pavor e recusando-me a obedecer por pura teimosia. Sem paciência para joguinhos, ele dá a volta, abre a minha porta, puxa-me para fora e, em um movimento rápido e desrespeitoso, joga-me por cima do seu ombro largo, carregando-me escada acima e em direção ao elevador privativo como se eu não doesse nada. — Me põe no chão agora mesmo, Caio Santoro! Você perdeu o juízo de vez? Que crise de possessividade louca foi essa lá embaixo? Estou começando a ficar tonta com essa posição, me coloca no chão imediatamente! CAIO, ME COLOCA NO CHÃO! — grito furiosa, socando as costas dele com toda a força que me resta. Tudo o que recebo de resposta a essa altura dos acontecimentos é um tapa estalado e firme diretamente na minha b***a, cuja força e ousadia, para a minha total e vergonhosa surpresa, enviam uma onda de calor e excitação indesejada direto para o meu baixo-ventre. Louise, por Deus... Você só pode estar perdendo o último pingo de sanidade que te restava na cabeça, não é possível. Assim que entramos na cobertura espaçosa e minimalista dele, Caio me solta de uma vez só, permitindo que meus pés voltem a tocar o piso. Fulo da vida, avanço imediatamente para cima dele, desferindo socos fracos no seu peito largo enquanto ele apenas cruza os braços e me observa com um olhar magnético, quase divertido com a minha fúria. Quando tento erguer os braços para desferir mais uma bofetada, ele é mais rápido, segura firmemente os meus dois punhos e puxa meu corpo contra o seu, colando nossos troncos em um encaixe perfeito. — Que p***a exata você está fazendo com a minha cabeça, garota? — sussurra ele, com a voz grave vibrando perigosamente perto da minha pele. Ele fixa os olhos no fundo das minhas írises por um segundo interminável antes de desviar o foco lentamente para os meus lábios entreabertos. Sinto uma onda avassaladora de desejo me consumir, implorando silenciosamente para ser beijada. Fecho os olhos de encontro à sensação iminente e, quando os abro novamente, vejo que ele não hesita mais: ele cola nossas bocas em um beijo desesperado, faminto e avassalador. O gosto dele na minha boca é uma mistura inebriante de doçura com o amargor marcante do uísque escocês. A nossa sintonia química é imediata, explosiva e inevitável; aquele beijo bruto e intenso já está caminhando rapidamente para se tornar o meu ato favorito no mundo. Após o ápice daquele beijo alucinante, ele diminui o ritmo aos poucos, finalizando com alguns selinhos lentos na minha boca, antes de encostar a testa pesadamente na minha, enquanto nós dois recuperamos o fôlego. — Nunca mais ouse deixar outro homem te tocar daquele jeito na minha presença, está me ouvindo bem? Nunca mais na sua vida, Louise! — murmura ele, com os olhos ardendo em intensidade pura. — Você é minha... ÚNICA E EXCLUSIVAMENTE MINHA!
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