CAIO SANTORO
Estou na minha sala, bebendo e aguardando Enzo e uns amigos, quando Giulia entra novamente.
GIULIA: Você anda sumido, o que está acontecendo com você? Nem na boate tem aparecido direito.
— Estou com muita coisa para resolver, Giu. Minha mãe está fazendo questão que eu participe de cada detalhe desse casamento. É escolha de flor, de comida, de lista de convidados... Não aguento mais.
GIULIA: Nossa, tinha até esquecido que você ia casar. Sinceramente? Na minha cabeça, sempre achei que nós dois nos casaríamos em algum momento. A gente combina tanto.
— Impossível, Giulia. Bota isso na sua cabeça. A Louise sempre foi prometida a mim desde criança, é um acordo da família. E outra: eu já tenho que te aturar aqui no trabalho todos os dias; casar com você seria um castigo divino.
GIULIA: Você é muito i****a mesmo, Caio. Mas vai arrepender de não ter me escolhido.
Ela dá um sorrisinho de lado e se retira da sala. Logo em seguida, o celular toca no bolso, mas antes de atender, Enzo passa pela porta com aquela cara de debochado de sempre.
ENZO: Você anda tão sumido que estou começando a sentir sua falta, cara. Pensei que tinha sido sequestrado ou que a noivinha já tinha te colocado na coleira.
— Me poupe, Enzo. Vai chorar, p***a? Veio aqui pra trabalhar ou pra fazer drama?
ENZO: Drama o c****e. Mas já que você está com essa cara de poucos amigos, saiba que o camarote está pronto e a bebida já está na mesa. Vamos descendo?
Ele me mostra o dedo do meio e caímos na gargalhada. Passam-se algumas horas e a boate vai lotando. Estou no meio de uma conversa com os seguranças quando um deles se aproxima com a expressão séria.
SEGURANÇA: Chefe, desculpa interromper, mas achei melhor avisar. Vi a dona Beatrice na pista de dança, bastante bêbada. E ela não está sozinha... está acompanhada de ninguém menos que a sua noiva.
— O quê? Tem certeza do que está falando?
SEGURANÇA: Absoluta, senhor. Estão no meio da pista principal.
Desço para procurá-las e o sangue congela no meu corpo quando avisto as duas em cima de uma mesa dando um verdadeiro show para o camarote inteiro. Para piorar a minha situação, Louise está trajando uma saia minúscula que não esconde quase nada.
Entro no meio da multidão empurrando qualquer um que ousa olhar na direção dela, arranco Louise de cima da mesa em um baque e a arrasto pela pista de dança. Estou possuído de raiva e nem sei explicar o porquê de ver essa garota no meu domínio me afetar tanto.
Empurro-a para dentro da minha sala reservada e tranco a porta. Quando olho para ela, desfocada e rindo, o ódio sobe de vez e começo a gritar.
— Que p***a de roupa é essa, Louise? Perdeu a cabeça, c*****o? Ficou maluca de vir dar um show desses na minha boate? Perdeu o amor à vida, p***a?
LOUISE: Baixa o tom de voz comigo, Caio! Eu não estava fazendo nada demais, só estou me divertindo com a Beatrice! E sobre a minha roupa... me erra! Não está diferente de nenhuma outra mulher que frequenta este lugar.
— Só que nenhuma mulher aqui está de casamento marcado comigo, p***a! Nenhuma delas carrega o sobrenome Santoro e o nome da minha família! Se essa palhaçada cair na boca do Conselho, vai dar um problema gigantesco e é uma merda que eu não estou a fim de lidar agora!
LOUISE: Ah, fala sério! Desculpa se eu arruinei a sua reputação impecável! Eu nem sabia que a boate era sua, tá legal? Achei que ninguém me conhecia aqui, só queria curtir minha noite em paz, longe de querer te arrumar problemas.
— Pois arrumou!
LOUISE: Então pode deixar! Vou evitar subir nas mesas e a gente finge simplesmente que não se conhece. Agora me dá licença que pretendo continuar dançando e bebendo, porque a minha noite estava ótima até você aparecer!
Ela está com raiva? Não é possível! Quem deveria estar cuspindo fogo aqui sou eu! Ela dá um passo em direção à porta, mas eu entro na frente, segurando seu braço firme, e a puxo na direção do camarote. Antes de abrir a porta, dou o meu decreto olho no olho:
— Você vai continuar curtindo a sua noite, sim... só que agora vai ser muito bem instalada debaixo da minha vista! De mim você não sai um segundo.
Entramos no camarote. Fico conversando com Enzo no canto da mesa, tentando me distrair, quando Giulia entra com uns amigos e se aproxima de mim meio afobada.
GIULIA: Caio, ainda bem que te achei. Preciso fazer uns pagamentos da casa em espécie agora, mas esqueci a senha daquele cofre auxiliar lá de baixo. Pode ir lá me ajudar rapidinho?
— Você não decora essa senha nunca, né? Tá bom, vamos lá antes que eu perca a paciência.
Dou um sorriso irônico para ela e saio do camarote por dez minutos. Quando volto, passo os olhos pela mesa e não vejo Louise em lugar nenhum. Corro o olhar pelo ambiente e me aproximo de Beatrice.
— Cadê a Louise, Beatrice? Onde ela foi?
BEATRICE: Hm? Não sei, Caio... acho que foi ao banheiro. Ou pegar uma bebida...
— Não finge que não tá me ouvindo, garota! Onde ela está?
Ela vira o rosto e continua bebendo, ignorando minha pergunta. Desço as escadas em disparada procurando pela pista. Quando me aproximo do bar do andar inferior e vejo a cena, perco absolutamente qualquer resquício de sanidade que me restava.
Um cara qualquer está com a mão na cintura dela, encurralando-a contra o balcão, prestes a beijar a minha mulher.
Corro até lá, avanço como um bicho, agarro o homem pelo colarinho e o arranco brutalmente de perto dela. O desgraçado m*l tem tempo de reagir antes do meu primeiro soco atingir em cheio o nariz dele.
— Ficou maluco, seu filho da p**a? Encosta nela de novo pra você ver!
Desfiro tantos socos na cara dele que perco a noção do tempo. Quanto mais ele sangra e mais eu bato, mais vontade tenho de moer a cara desse desgraçado no chão. A raiva é cega.
ENZO: Chefe! Chefe, deu! Vai matar o cara, p***a! Solta ele!
Só paro quando Enzo e um segurança me seguram com força, me puxando para trás enquanto respiro fundo, bufando.
— Tira essa aberração daqui agora! Mando levar esse desgraçado pro galpão, depois eu resolvo o que faço com ele!
Me viro para Louise. Ela está encolhida contra o balcão, com os olhos arregalados demonstrando apenas medo. Ver a expressão dela me dá um choque de realidade, mas a raiva ainda domina meu peito. Pego-a firme pelas mãos e a tiro arrastada da boate, ignorando os olhares de todo mundo. Saber que aquele cara esteve a milímetros de beijá-la me tirou completamente do juízo. Essa garota está me enlouquecendo e nem percebe.
Jogo-a no banco do passageiro do meu carro e bato a porta com força. Entro, dou partida e saio como um foguete pelas ruas da cidade. Chego à cobertura em exatos quinze minutos, rasgando o sinal vermelho.
— Desce do carro, Louise. Agora.
Ela cruza os braços, olha para o vidro e ignora completamente a minha ordem. Perco a paciência. Dou a volta no carro, abro a porta do passageiro, tiro o cinto dela, arranco-a para fora e a jogo direto no meu ombro como um saco de batatas.
LOUISE: Me solta, Caio! Ficou louco? Me coloca no chão agora! Seu bruto, me solta!
Ela começa a espernear e dar socos nas minhas costas. Para que se cale de uma vez, desferço um tapa estalado na b***a dela no meio do elevador.
Ela paralisa no mesmo segundo e solta um pequeno suspiro entre os dentes. O corpo dela tensiona. Ela ficou excitada! p**a que pariu.
Quando chegamos no corredor do apartamento, coloco-a no chão. Ela se vira e vem para cima de mim com tudo, me empurrando com raiva.
LOUISE: Você é um animal! Quem você pensa que é pra bater em mim e me arrastar desse jeito?
— Eu sou o seu noivo, p***a! E você quase deixou um estranho te agarrar na minha boate!
LOUISE: Eu não deixei nada! Você que chegou feito um louco varrido!
Admiro seu rosto vermelho de raiva, os olhos lindos brilhando e a boca entreaberta, arfando. Perfeita. Ela levanta a mão para me bater novamente, mas desta vez sou mais rápido: seguro seus pulsos no ar e a prenso com força contra a parede do corredor. A proximidade faz meu sangue ferver. Deixo escapar a dúvida que não para de rondar meus pensamentos desde o momento em que botei os olhos nela hoje:
— Que p***a você está fazendo com a minha cabeça, Louise?
LOUISE: Eu... eu não estou fazendo nada...
— Está. Você está me deixando completamente maluco.
Ela olha no fundo dos meus olhos, desvia o olhar lentamente para os meus lábios e fecha os olhos, rendida. Não me controlo mais. Mando a razão pro inferno e a tomo em um beijo selvagem, desesperado, que eu nem sabia que precisava tanto até sentir o gosto da boca dela.
Ela não me rejeita; pelo contrário, passa as mãos pelo meu pescoço e me beija com a mesma intensidade, pedindo passagem com a língua e me puxando para mais perto. Decido parar antes que o beijo tome rumos incontroláveis e irreversíveis ali mesmo no hall. Finalizo com alguns selinhos lentos, encosto minha testa na dela enquanto tentamos recuperar o fôlego, e dou meu decreto:
— Nunca mais... ouviu bem? Nunca mais deixe outro homem te tocar daquele jeito, está me ouvindo? Nunca mais, Louise. Você é minha... MINHA!
LOUISE: Jura que eu sou sua, Santoro? Jura mesmo?
— Não duvida de mim, garota.
LOUISE: Então me prova, senhor Santoro. Me prova agora.
Ela fala com um tom extremamente provocativo, dá um sorriso de canto e enrosca as pernas na minha cintura, se colando a mim. Não consigo mais esconder o quanto estou completamente duro e e******o por ela. Quando meu volume entra em contato direto com a i********e dela por cima do tecido fino daquela saia, sinto que estou à beira de um colapso mental.
Caminho com ela ainda enrolada no meu corpo até a cozinha e a sento no balcão de mármore, ficando entre suas pernas.
— Louise, para... não brinca com fogo. Eu não sou de ferro e você não sabe do que eu sou capaz.
LOUISE: E quem disse que eu estou brincando?
Ela Beija meu pescoço devagar, chupando a pele da minha garganta, e sussurra bem no meu ouvido, me fazendo arrepiar inteiro:
LOUISE: E se eu quiser me queimar com você?
A diaba me puxa pela gola da camisa e cola nossos lábios novamente em outro beijo faminto. Seguro seus cabelos com uma mão, puxando levemente a cabeça dela para trás, e uso a outra para explorar cada pedacinho do seu corpo, subindo pela coxa, apertando sua cintura e me fazendo desejar possuí-la cada vez mais ali mesmo.
Mas não posso. Não hoje. Não com ela bêbada e fora de si.
Encerro o beijo com esforço, quebrando o contato, e me afasto um passo, lutando desesperadamente contra o meu próprio desejo que grita para tirar aquela roupa dela.
— Chega. Por hoje deu.
LOUISE: Caio...
— Tem um quarto de hóspedes lá em cima, na segunda porta à direita. O banheiro tem tudo o que você precisa. Pode tomar um banho e dormir nele. Amanhã, bem cedo, quando você estiver sóbria, eu te levo para casa. Boa noite, Lou.