CAIO SANTORO
Não sei explicar direito o que p***a está acontecendo comigo ultimamente. Só sei que, quando a Louise está por perto, eu simplesmente não consigo pensar como um homem racional. O cheiro doce daquela garota me embriaga de um jeito violento e eu só tenho vontade de puxá-la para mais perto e não soltar mais.
Mas isso não pode acontecer. Não com ela.
Lutando contra mim mesmo, solto-a e afasto nossos corpos no balcão da cozinha. Vejo a clara frustração passar pelos olhos dela e, p***a, eu também estou frustrado pra c*****o! Meu corpo inteiro dói de desejo, mas preciso manter a p***a do controle. Eu estou casando com ela por pura obrigação e estratégia da máfia, por um contrato selado antes mesmo de ela nascer, e nada além disso. Não posso misturar as coisas.
Subo as escadas pro quarto de hóspedes onde ela vai dormir, deixo-a lá e sigo pro meu quarto. Entro direto no banheiro e ligo o chuveiro no gelado. Passo vários minutos debaixo daquela água fria tentando esfriar a cabeça, mas é inútil: tudo o que vem à minha mente é a imagem dela. Ela tão entregue nos meus braços, aquela boca perfeita me provocando, o olhar penetrante me desafiando...
— Que inferno! — resmungo, esmurrando a parede do box. — Sai da minha cabeça, Louise!
Saio do chuveiro, enxugo-me rapidamente, coloco apenas uma cueca box e me deito na cama. Fico virando de um lado para o outro por horas, encarando o teto, até que o cansaço finalmente me vence e eu pego no sono.
Acordo exatas oito da manhã. Levanto-me, faço minha higiene matinal e desço até a cozinha para ver se ela já despertou. Olho por tudo e não há o menor sinal dela. Estranhando a casa silenciosa, pego o celular e ligo direto para o chefe da segurança da portaria.
— Onde está a garota?
SEGURANÇA: Chefe? Ah, a dona Louise... Ela pediu um Uber há cerca de duas horas e saiu. Os rapazes acompanharam o embarque. Ela informou que estava indo direto para a casa dos seus pais, senhor.
Desligo sem responder nada, bufando de raiva. Subo para o meu quarto para tomar outro banho, tentando ignorar e engolir o fato de que aquela abusada me desobedeceu. Mais uma vez.
Mais tarde, chego à sede da máfia. O dia está um caos. Hoje temos uma operação gigante para exportar um carregamento pesado de armas para a França. Enzo está sentado na cadeira à minha frente na minha sala, passando todos os detalhes e planilhas da operação, mas eu simplesmente não consigo prestar atenção em uma palavra do que ele diz. A noite passada com a Louise não sai da minha cabeça por nada.
ENZO: ...e aí os caras do porto vão liberar a carga às três da manhã. Caio? Caio, p***a, você ouviu alguma coisa do que eu acabou de dizer?
— Sim, Enzo! p***a, é claro que estou ouvindo.
ENZO: Ótimo! Então creio que você possa ir sozinho ao local da reunião com os compradores mais tarde, né? Já que entendeu tudo.
— Reunião? Que reunião, c*****o?
ENZO: Eu sabia! Caio, você está completamente com a cabeça na lua hoje, cara! O que diabos está acontecendo com você? É por causa de ontem?
— Cala a boca, Enzo. Não enche o saco. Vamos logo conferir esses relatórios que hoje o dia está cheio.
ENZO: Eu vou, claro... contanto que você pague o meu almoço hoje pra compensar minha paciência.
— A gente vai almoçar na casa dos meus pais. Faz tempo que você não vê a minha mãe e ela vive cobrando sua visita.
ENZO: Mas que desculpa deslavada pra ir ver a noivinha... — Ele solta uma gargalhada alta. — Você não engana ninguém, Santoro!
Ignoro as piadinhas dele e saímos. Chegamos à casa dos meus pais um pouco antes do meio-dia. Minha mãe e Beatrice estavam conversando animadamente na cozinha quando entramos.
— Bom dia.
ENZO: Bom dia para a mulher mais linda e elegante deste mundo! — Enzo se aproxima e dá um beijo na bochecha da minha mãe.
AMÉLIA: Deixa de ser galanteador, Enzo! Você não muda nunca, impressionante.
— Deixa o meu pai te ouvir falar assim, Enzo. Você vai viver bem menos do que o esperado nessa vida.
Todos rimos da provocação e fomos direto para a sala de jantar, onde a mesa já estava posta. Minha mãe insiste para que eu e Enzo passemos a tarde toda lá relaxando, mas eu n**o imediatamente, alegando que temos trabalho acumulado na sede.
Instantes depois, ouço passos na escada. Louise surge na sala de jantar de short jeans e regata, com o cabelo preso num coque bagunçado. Quando ela passa por mim e se senta estrategicamente do lado do Enzo — o lugar mais distante de mim na mesa —, sinto meu sangue ferver de ciúmes na hora. Ela me dá um olhar rápido, desvia os olhos em seguida e não diz uma palavra para mim.
O almoço inteiro é um verdadeiro tormento para mim. Ela fica quieta, m*l toca na comida e, assim que todos terminam, pede licença e se retira com poucas palavras.
Espero alguns minutos para não parecer tão óbvio, me levanto e vou atrás dela pela casa. Sei exatamente onde ela iria. Encontro-a no fundo da biblioteca, deitada no sofá de couro com um livro aberto nas mãos. Fico parado na porta, observando a postura dela por um tempo antes que ela finalmente note minha presença.
LOUISE: Está aí há muito tempo?
— Por que você não me esperou hoje cedo? — Faço a pergunta que me atormentou a manhã inteira. — Eu disse claramente que te traria para cá.
Ela solta uma desculpa qualquer sobre ter acordado cedo demais e que não viu necessidade de me acordar, por isso pediu um Uber. Quando a lembro com firmeza do perigo real que ela corre andando sozinha por aí, ela me interrompe, fria e distante, dizendo que ainda não é minha esposa. Aquela provocação barata me incomoda dez vezes mais do que deveria.
— Agindo dessa forma imatura, você só se prejudica. Colocar sua vida em risco não é um bom jogo de provocação contra mim, Louise.
LOUISE: Eu não estou provocando ninguém, Caio. E aquele beijo de ontem à noite não deveria ter acontecido! Vamos esquecer tudo e seguir estritamente com o combinado do nosso contrato.
Ela fala tudo muito rápido, de forma atropelada, e praticamente me expulsa da biblioteca para poder ler em paz. Olhando bem para ela, vejo que sua respiração está ofegante e que ela está visivelmente nervosa com a minha proximidade. Decido não render. Viro as costas e me retiro sem falar mais nada. Ela tem razão: o melhor é esquecer aquela p***a que aconteceu e seguir o plano da máfia.
Saio da casa dos meus pais exausto e estressado. Passo o resto da tarde resolvendo problemas no galpão, volto para o meu apartamento à noite, tomo um banho rápido e desabo na cama, apagando de tão cansado.
De repente, no meio da noite, sinto uma sensação estranha. A nítida impressão de que tem alguém me observando no escuro. Levanto num pulo na cama, em alerta máximo.
Para o meu absoluto choque, Louise está sentada na poltrona do meu quarto, bem de frente para a minha cama. Na penumbra do ambiente, vejo cada detalhe: ela está usando um ropão de seda vermelho e, por baixo, uma lingerie rendada da mesma cor. Seus longos cabelos loiros estão presos em um r**o de cavalo alto.
Ela se levanta devagar, caminha na minha direção com passos lentos, abre o túnica de seda deixando seu corpo quase todo exposto e senta no meu colo, cavalgando em mim. Eu fico completamente imóvel, travado pelo choque.
LOUISE: Você não pode me rejeitar, Caio... não de novo.
Ela começa a se esfregar devagar no meu colo e eu perco totalmente a p***a do controle. Agarro sua cintura com força e ataco sua boca em um beijo agressivo, faminto, desesperado. Largo seus lábios molhados, desço os beijos pelo seu pescoço, vou até seus seios... sinto cada detalhe da sua pele macia, ouço cada gemido delicioso que sai da sua garganta. Minha mão desce por sua coxa, desliza para o meio de suas pernas e confirmo o que eu já sabia: ela está completamente molhada para mim.
Louise joga a cabeça para trás com o meu toque, puxa meus cabelos e sussurra bem no meu ouvido, com uma voz aveludada:
LOUISE: Pena que você só vai me ouvir gemer nos seus sonhos, Caio... Agora, acorde!
Sento-me na cama de golpe, puxando o ar com tanta força que fico tonto por alguns segundos. Olho em volta desorientado. O quarto está vazio.
Eu estava p***a sonhando com essa diaba!
— Mas que c*****o, Louise! — rosnando sozinho no escuro, dou um soco no colchão.
Levanto da cama irado, puxo uma calça de moletom do armário, calço um tênis de corrida qualquer e saio do apartamento. Vou correr na rua até minhas pernas travarem. Eu simplesmente não consigo acreditar na palhaçada que está acontecendo comigo por causa dessa garota.